Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
Hoje não há notícias
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“Hoje não há notícias” – era deste modo que, no início da sua existência, a BBC dava conta algumas vezes aos seus ouvintes da inexistência de acontecimentos relevantes que merecessem ser chamados de “notícia”. E, assim, naquele dia, não existia noticiário…

Confesso que hoje tenho pena que nenhuma estação de rádio ou de televisão tenha a coragem de fazer o mesmo – nem sequer a própria BBC. As notícias têm sempre que surgir, quanto mais negativas e funestas melhor (convencionou-se que o ser humano tem uma clara, ainda que escondida, vocação de masoquista). E se não existem, arranjam-se. E se existem poucas, fazem-se render, minutos a fio, com imaginações, pequenos pormenores, sentimentalismos. Quanto mais negros e sangrentos melhor.

O jornalista, esse arvora-se em juiz defensor da causa pública, ora absolvendo uns ora (principalmente) condenando outros, de pouco se importando com o direito. É verdade que, teoricamente, se nega a chamada “justiça popular”, sempre pronta a seguir o que parece ser verdade, e sempre rápida a ir atrás de quem melhor a conseguir manipular; e, do mesmo modo, é verdade que é sempre possível pedir a um tribunal que faça justiça contra uma qualquer falsa notícia. Mas não deixa, igualmente, de ser verdade que existem muitos modos de dar notícias, dando a entender, insinuando, criando climas de tensão. E que, uma vez dada, a notícia é imperecível.

Nestes últimos anos, olhando para os telejornais das nossas televisões, temos praticamente assistido às mesmas notícias, “requentadas”, “recozinhadas” com novos comentadores, algumas reportagens do exterior. Todas elas se resumem numa palavra: crise. Durante mais de uma hora, diariamente, vamos vendo como se conjuga esta palavra que insiste em não sair do ar.

Pode ser que se espelhe, simplesmente, a realidade. Mas pode igualmente acontecer que todo este ambiente noticioso vá recriando, diariamente mas com artifícios, uma realidade já de si má.

Como seria salutar e nos aliviaria, se alguém tivesse aquela coragem primeira de, ao menos, anunciar: “hoje não há notícias”!

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