Missão |
Maria Helena Calado
A escola – lugar de missão
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Aos 62 anos Maria Helena Calado concretizou o desejo de ser missionária. Viveu no Gurué, Moçambique, durante seis meses, com os missionários Dehonianos. Desenvolveu atividades nas áreas da educação, cidadania, formação humana, através de ações de formação e organização de bibliotecas. Hoje, 10 anos depois, continua a ser voluntária da Associação de Leigos Voluntários Dehonianos, trabalhando nos bastidores da missão.

 

A família como pilar

Maria Helena Calado nasceu no seio de uma família numerosa de Proença-a-Nova. É a quarta, dos oito filhos que os seus pais geraram. Em família viveu os valores humanos e cristãos, num ambiente de forte amizade e cumplicidade, marcado pela influência do seu pai. A sua vivência cristã tem como grande testemunho a sua madrinha de batismo, que despertou o seu desejo missionário. Aos 10 anos, depois de concluir o ensino primário oficial, prossegue os estudos em Torres Novas, no Colégio de Santa Maria, orientado pelas irmãs de S. José de Cluny, juntando-se à sua irmã mais velha, que já aí estudava. É no Colégio que aprende o sentido do dever, da disciplina e do respeito por todos. Quando termina o curso dos liceus, vive uma fase de grande turbulência. Com apenas 16 anos perde o pai e muda-se para Évora, com o intuito de dar continuidade aos estudos. Aqui passa a viver sozinha numa cidade e num contexto que desconhece. Ingressa na Escola do Magistério e termina o curso quatro anos depois. Recorda que, naqueles tempos difíceis, a força nascia da sua relação com Deus, alimentada na eucaristia diária, na prática da meditação, no sacramento da reconciliação e nas leituras de formação humana e cristã que fazia. Em 1958, então com 19 anos, inicia o seu percurso profissional, lecionando na escola de uma pequena aldeia, pobre e isolada, no distrito de Coimbra, para onde nenhum professor queria ir. Nesta aldeia experimenta muitas limitações e carências, mas em todos os momentos sentiu a presença de Deus. Nesta altura, participa nos encontros Mundo Melhor, promovidos pelos padres dominicanos e encontra o Movimento dos Focolares.

 

Ao serviço do ensino católico

Em 1960 vem para Lisboa e, durante 23 anos, trabalha em duas escolas católicas, assumindo a docência, a catequese e a coordenação das equipas diretivas. Aqui vive anos riquíssimos de oração e experimenta o verdadeiro trabalho de equipa, “motor de uma comunidade educativa.” Em 1983 regressa ao ensino público e, dois anos depois, é convidada a integrar a equipa que iria elaborar os materiais da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) do 1º Ciclo. É assim que, em 1985, é destacada para prestar serviço no Secretariado Nacional de Educação Cristã (SNEC), onde ainda hoje trabalha como voluntária. Durante quatro anos participou na elaboração dos materiais, lançou os programas de EMRC, que passaram a integrar o programa oficial do Ministério da Educação e percorreu o país numa atitude de envio e de missão. Maria Helena integrou ainda a equipa de formação da Direção de Serviços do Ensino Primário, do Ministério da Educação, onde, recorda, “constatei que é possível construir unidade entre elementos de diferentes correntes ideológicas e religiosas.” Depois de quase 10 anos a trabalhar nos serviços do Ministério da Educação, Maria Helena decide terminar a sua carreira profissional como professora, tal como a tinha iniciado. Interrompe o ensino durante um ano para acompanhar a mãe na fase final da vida. E, no último ano letivo da sua carreira profissional, é-lhe confiado um grupo de alunos difícil, com baixos níveis de aprendizagem e em quem ninguém acreditava. Maria Helena empenhou-se em fazer o que era necessário: “tratar cada um a partir das suas capacidades”. Recorda com orgulho que mais tarde encontrou dois desses alunos e foi com alegria que soube que tinham prosseguido os estudos.

 

Missão no Gurué

Em 2001, com 62 anos e já aposentada, Maria Helena aceita a proposta do dehoniano, Pe. Adérito Barbosa, e realiza o desejo que tinha desde criança de realizar uma experiência missionária. Nesse mesmo ano, parte por seis meses para o Gurué, Moçambique. Aqui deu aulas na Escola Técnico Profissional - Centro Leão Dehon e participou ativamente na vida da comunidade. “Foi uma experiência única por ver que, apesar das carências a todos os níveis, era possível ajudar aquelas crianças e jovens no seu crescimento”, recorda. Este foi o início do trabalho da Associação de Leigos Voluntários Dehonianos (ALVD), onde ainda hoje é voluntária. Quando questionada sobre quando regressa a Moçambique, é perentória, “neste momento estou na retaguarda (seleção de livros e empacotamento dos mesmos), pois há que dar oportunidade a que gente mais jovem possa experimentar o que significa: Vida, Deus, Comunidade, Alegria, Partilha e outros valores que perdemos nesta nossa sociedade europeia e que é urgente reencontrar.”

Ao longo da sua vida, Maria Helena reconhece que “esteve sempre presente o Amor de Deus que me conduziu por um fio, invisível e que em cada momento me vai mostrando o que Ele quer de mim.”

texto por Ana Patrícia Fonseca, FEC – Fundação Fé e Cooperação
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