Lisboa |
Santuário de Nossa Senhora da Nazaré
As ‘portas abertas’ da Igreja para os que estão afastados
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É um dos seis santuários da Diocese de Lisboa onde os cristãos, durante o Ano da Fé, podem alcançar a indulgência plenária. O Santuário de Nossa Senhora da Nazaré tem como missão o acolhimento dos peregrinos e quer imprimir “o zelo pela evangelização”.

 

“Tal como no século XVI, em que este santuário teve uma força muito grande na evangelização, sentimos que o Santuário de Nossa Senhora da Nazaré quer novamente ‘nascer’ e ‘sair para fora’ para imprimir zelo nos homens e nas mulheres para a evangelização”. O padre Moisés Herves Jiménez, de 33 anos, é o reitor do Santuário de Nossa Senhora da Nazaré desde setembro do ano passado e salienta ao Jornal VOZ DA VERDADE a missão deste santuário mariano. “O grande desafio é este santuário tornar-se verdadeiramente numa casa de acolhimento de peregrinos! Temos de dar ao santuário aquilo que ele é – um santuário mariano –, logo a casa da nossa Mãe! E a casa da nossa Mãe é uma casa de acolhimento, não só no sentido de acolher os peregrinos, mas no sentido de que o santuário, por si, dá e imprime o zelo pela evangelização”, aponta.

 

Depósito da fé

O Santuário da Nazaré está situado a cerca de 125 quilómetros do centro de Lisboa. “Este é um santuário que tem uma característica muito importante para a nossa diocese, que é o facto de ter as raízes da história da Igreja! É um santuário que teve os seus tempos, teve a sua evolução e que com a implantação da República foi perdendo força, mas é um santuário que tem uma grande influência pela sua história!”, frisa o padre da Nazaré, destacando que nesta casa os cristãos podem ir às raízes da sua fé. “Neste lugar podemos ir às raízes da fé cristã! É isso que, de certa forma, nós hoje temos como presente e como desafio. Fazer ressurgir este santuário nesse sentido das raízes da fé cristã. Porque este santuário tem todo um depósito da fé que, ao longo dos séculos, foi guardado”.

 

Missionação

O Santuário da Nazaré está situado no espaço geográfico da paróquia da Pederneira – Nazaré. O pároco é, por isso, o reitor do santuário. “Nós, na nossa paróquia da Pederneira – Nazaré, sentimo-nos intimamente ligados ao santuário. Porque o santuário está na identidade da comunidade cristã da Nazaré! A identidade da paróquia está no santuário!”, garante, salientando que “é o santuário que permite imprimir na paróquia a missionação”. “Neste momento vemos que o santuário está a permitir-nos abrir essas portas”, assegura este sacerdote de origem espanhola, a viver em Portugal há muitos anos.

Ao longo deste tempo pascal, as experiências de evangelização nesta terra têm permitido a muitas pessoas voltar à Igreja, segundo refere o padre da Nazaré. “Temos feito na nossa paróquia da Nazaré uma missão, ligada ao Caminho Neocatecumenal que está presente nesta paróquia há quase 40 anos. É uma grande missão na praça, junto à praia, nas tardes de Domingo. Tem sido um acontecimento! As pessoas têm parado para escutar! Escutar os testemunhos, escutar a pregação, escutar a Palavra do Senhor e escutar também a alegria que se vive!”, aponta satisfeito o padre Moisés, que no seu trabalho no santuário é acompanhado do jovem Carlos Fernandes, um seminarista espanhol do Seminário ‘Redemptoris Mater’ de Granada, Espanha, que realiza na Nazaré dois anos de trabalho pastoral.

Para a concretização da missão nas praças da Nazaré, o santuário pode ter um papel determinante, segundo refere o reitor. “Esta missão na Nazaré tem-nos permitido fazer uma grande evangelização de aproximação daqueles que estão afastados. Temos sentido isso! Temos sentido que aqueles que estavam longe da Igreja estão a querer entrar. E cada vez mais o santuário deve ser uma igreja de portas abertas! É isso que pretendemos: que o santuário, em comunhão com a missão da comunidade cristã da Nazaré, possa ser as ‘portas abertas’ da Igreja para aqueles que estão longe!”.

 

Percursos

Nos dias de hoje, quem peregrinar ao Santuário de Nossa Senhora da Nazaré – em grupo ou individualmente – pode percorrer diferentes circuitos em que ficará a conhecer o que é o santuário. “Temos o percurso em que é possível ir até junto do trono onde está a imagem original de Nossa Senhora da Nazaré, situada no altar-mor. Depois, há também o percurso do museu, que neste momento está em obras porque queremos ampliá-lo e queremos também criar uma loja. Estamos por isso a projetar um percurso que permita um melhor acolhimento dos peregrinos. Sentimos que precisamos de melhorar este aspeto”, realça.

Diariamente são muitos os que peregrinam ao santuário. “Todos os dias afluem muitos peregrinos ao santuário. Recebemos muito estrangeiros, mas também portugueses! Há uma variedade muito grande de peregrinos”, refere o padre Moisés Jiménez. Sendo a Nazaré um percurso turístico de relevância no panorama turístico português, o reitor do Santuário da Nazaré acredita que a aposta deve passar também “pela pastoral do turismo”.

 

Rezar pelas vocações e pelas missões

A quinta-feira é “um dia especial” no santuário. “Começamos às 9 horas da manhã com a Exposição do Santíssimo, que permanece durante todo o dia, até às 17h30, altura em que o retiramos da capela do Santíssimo Exposto e o colocamos no altar, para rezar o Terço e a oração de Vésperas solenes pelas vocações e pelas missões. Sempre! Rezamos sempre pelas vocações e pelas missões! Depois celebramos a Eucaristia!”, conta o padre Moisés, referindo que durante a semana é celebrada a Missa duas vezes, à terça e à quinta-feira, e no Domingo há a Eucaristia das 11h30, que é chamada ‘A Missa do Peregrino’. O dia 8 de setembro é o dia dedicado a Nossa Senhora da Nazaré. “É um dia de grande festa para esta terra!”, observa.

Para o reitor deste santuário mariano, todas as atividades e celebrações têm como objetivo a evangelização. “A missão do Santuário de Nossa Senhora da Nazaré é levar às pessoas a certeza da vida eterna!”.

 

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“Ninguém é cristão sozinho!”

Durante a peregrinação da Vigararia de Alcobaça – Nazaré ao Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, D. Nuno Brás, Bispo Auxiliar de Lisboa, sublinhou a importância do anúncio. “Neste dia de São Marcos e nestas Jornadas Vicariais do Ano da Fé, deixemos ressoar no nosso coração o apelo do Senhor: “Ide por todo o mundo, e pregai o Evangelho a toda a criatura”, conscientes de que o mundo inteiro não é hoje, apenas, o país distante onde o nome de Jesus é desconhecido, mas é a nossa casa, o irmão que se encontra ao nosso lado e que, mesmo tendo já escutado o nome de Jesus, de facto não O conhece porque ainda lhe continua a fechar o coração”.

A Jornada Vicarial da Fé, que decorreu no passado dia 25 de abril, iniciou com caminhadas para a Nazaré a partir de três locais da vigararia (Alcobaça, Valado e Famalicão), com os peregrinos a entoarem cânticos, rezando e convivendo. No Parque Atlântico da Nazaré, após o picnic, houve testemunhos de fé, intercalados com momentos de música. Às 15h30 foi iniciada a peregrinação para o Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, com a imagem peregrina da Senhora da Nazaré, a que se seguiu a Eucaristia, no largo do santuário, que contou com mais de mil cristãos. No final da celebração, o vigário desta vigararia, padre Armindo Elias dos Reis, pároco da Benedita, focou a missão da Igreja: “É importante que não guardemos a fé só para nós. Que a fé não seja apenas algo vivido de uma forma intimista, mas que demos testemunho”.

 

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Indulgência Plenária em santuários da diocese

Em decreto publicado no final do ano 2012, o Cardeal-Patriarca de Lisboa estabeleceu os lugares sagrados em que, durante o Ano da Fé, os fiéis podem receber o dom das Indulgências: “Determinamos que, no Patriarcado de Lisboa, durante o Ano da Fé, os fiéis, no modo estabelecido pela Igreja, ‘poderão alcançar a Indulgência Plenária da pena temporal para os próprios pecados, concedida pela misericórdia de Deus, aplicável em sufrágio pelas almas dos fiéis defuntos’, nas seguintes igrejas e santuários: a) Sé Patriarcal e igreja de Santa Maria de Belém (Mosteiro dos Jerónimos); b) Santuário do Senhor Jesus do Carvalhal; Santuário de Nossa Senhora da Nazaré; Santuário de Nossa Senhora dos Remédios (Peniche); Santuário de Nossa Senhora da Rocha (Queijas); Santuário de Nossa Senhora da Piedade da Serra (Almargem do Bispo); Santuário de Nossa Senhora da Piedade da Merceana”.

As indulgências, como afirma o Catecismo da Igreja Católica, consistem na “remissão, perante Deus, da pena temporal devida aos pecados cuja culpa já foi apagada”. Para o reitor do Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, a indulgência é uma graça. “Temos procurado fazer compreender com simplicidade o que é a indulgência plenária! E fazemo-lo com a pregação e o acompanhamento das pessoas e dos grupos! Porque, no fundo, a indulgência é uma graça que se recebe!”.

Para conseguir a indulgência, é necessário que o fiel se confesse sacramentalmente dos seus pecados, receba a Santíssima Eucaristia e reze segundo as intenções do Papa.

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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