Lisboa |
Dia da Igreja Diocesana
“É preciso contar muito mais com a graça de Deus e a força do Senhor”
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O Patriarca Emérito de Lisboa, Cardeal José Policarpo, considera o testemunho um dos desafios a ter em conta para a nova evangelização. No Dia da Igreja Diocesana, a 26 de maio, foi apresentado um novo modelo de catequese familiar e os catequistas foram homenageados.

 

Na Escola Salesiana de Manique, D. José Policarpo sublinhou seis desafios que se colocam à evangelização “no nosso tempo”, e relevou que “na vida concreta das sociedades, as testemunhas são aquelas que dão, com a vida, o testemunho da certeza interior, da intimidade da fé”. Neste sentido, dirigindo-se aos catequistas da Diocese de Lisboa, o Patriarca Emérito, lembrou que “o Senhor não manda pregar uma doutrina, realizar um programa ou defender uma teoria. Jesus enviou os discípulos para que eles, com a sua vida, a experiência vivida da relação com Cristo, fossem testemunhas”. “Este desafio mostra que a evangelização é muito mais do que cumprir um programa ou de comunicar uma nova doutrina. Essa doutrina é importante que seja comunicada mas com a força viva do testemunho”, reforçou.

 

“Deus não desistiu da humanidade”

Neste encontro, que decorreu durante a manhã de Domingo na Escola Salesiana de Manique, o Administrador Apostólico do Patriarcado de Lisboa destacou, como primeiro desafio, “a união pessoal a Cristo, na fé e no amor”, explicando que “Cristo ou se ama ou nunca se perceberá o dinamismo do cristianismo”. “A Deus é mais fácil amá-lo do que percebê-lo e conhecê-lo”, garantiu. Recordando que “Deus nunca desistiu da humanidade, nunca desistiu de fazer do homem um parceiro de vida e de plenitude”, o Patriarca Emérito observou que “corremos o risco, porque vivemos numa história concreta, de distinguir entre pessoas que já conhecem Cristo e aqueles que não tem nada a ver com Ele”. “Nós não vamos anunciar Jesus a desconhecidos. Ele já lá está. Anunciar é levá-los a conhecer essa marca do verbo, essa semente do Verbo que já existe”, acentuou.

“Quando somos enviados, somos enviados a alguém que Ele amou primeiro. Antes da influência do meu testemunho e da minha palavra, Ele marcou-os. Porque Ele morreu por todos os homens, veio por causa de todos os homens”, garantiu considerando que o “principal desafio da nova evangelização é reconhecer em cada homem e em cada mulher que já foram amados por Deus”.

 

Vitória sobre o individualismo

A “luta e a vitória sobre os individualismos e as perspectivas demasiadamente pessoais” são um outro desafio apresentado por D. José Policarpo. Apelando para o “cuidado com o afastamento do projeto de Deus”, o Cardeal Policarpo recordou que “a Igreja é a grande enviada e é ela que verdadeiramente se identifica com o seu Senhor”. “Esta é a nossa fé! É a fé da Igreja, não a minha fé! É uma fé comprovada, com muito sofrimento, com muita oração, com muito martírio, e com muita santidade”, destacou.

Neste sentido, D. José Policarpo lembrou aos educadores da fé que o cristão é enviado “a ser testemunha desta fé mantida ao longo de dois mil anos. Não é cada um de nós que se identifica individualmente com o Senhor! É a Igreja que é o Povo do Senhor”.

Uma outra preocupação manifestada pelo Patriarca que ao longo de quinze anos conduziu a Diocese de Lisboa, tem a ver com o “conciliar a organização e as estruturas” da missão da Igreja “com autenticidade”. Citando a expressão utilizada pelo Papa Francisco que afirmou aos cardeais que “a Igreja não é uma ONG”, D José Policarpo disse aos catequistas que “esse é um dos perigos com que nos confrontamos hoje”. “Aqueles que respeitam a Igreja, não respeitam o seu mistério. É uma organização humana, forte, em certos casos considerada útil e necessária, outras vezes inevitável, mas humana”. “A Igreja não é uma grande organização internacional, porque por trás da realidade humana de todos os dias da Igreja está o seu mistério”, recordou.

Neste sentido acrescentou, ainda: “Nós precisamos das estruturas e das organizações, mas não lhes devemos dar, nem a última palavra, nem a prioridade absoluta. Elas ou servem ou não servem. No dia em que uma organização ou estrutura matar este carisma espiritual da Igreja e da sua mensagem, ela está a fazer o contrário do que devia fazer”, salientou.

 

Evangelização é resposta amorosa

Apontando “o risco de se perder a prioridade absoluta das pessoas” às quais a Igreja é enviada, D. José Policarpo sublinhou que “as pessoas desejam muito uma presença amorosa que possa ser a presença de Deus” e aí também está um desafio. “O desafio é a prioridade absoluta da caridade e do amor de sermos testemunhas e irmos ao encontro das pessoas no seu momento de busca”.

Atualmente há uma corrente na sociedade que tende para uma atitude de crente sem religião e esse dado manifestou-se, recentemente, num estudo pedido pela própria Igreja Católica em Portugal. Segundo o Patriarca Emérito, “os crentes sem religião caracterizam-se por uma afirmação absoluta de individualismo” o que, refere, “está a crescer em determinados sectores, de modo especial na juventude”.

Outro desafio apontado aos catequistas prende-se com o “saber ler as circunstâncias e as aberturas à mensagem”, ou seja, o “ser sensível à procura das pessoas”. Reforçando que “a evangelização não é um programa estereotipado”, porque “falta a ideia do testemunho, mas uma “resposta amorosa às pessoas”, D. José Policarpo apelou para uma resposta com base no amor. “Quando me dou conta dos anseios, das procuras, das angústias e dos sofrimentos que as pessoas têm na sua vida, eu devo aparecer-lhes com a minha presença anunciadora do amor de Deus, como uma resposta à sua procura”, assinalou. Para manifestar essa presença é preciso “perceber qual a inquietação da pessoa”, e então aí, “‘ler o Evangelho’ na página que naquele dia eles precisam de ouvir”. “Não lhes vamos contar a história toda desde o início”, observou.

Como último desafio para a evangelização, D. José Policarpo apontou a santidade. “Isto só dá se estivermos numa atitude de busca da santidade, de fidelidade ao Senhor”, advertiu. “Por isso, é preciso contar muito mais com a graça de Deus e a força do Senhor”.

 

Catequese Familiar

Outro desafio apresentado na manhã de Domingo, no dia em que se celebrava o Domingo da Santíssima Trindade e o Dia da Igreja Diocesana, prende-se com uma nova metodologia de catequese. A Catequese Familiar, pensada para os três primeiros anos no processo catequético, tem como ideia central “valorizar a família no processo de iniciação cristã”. Segundo o diretor do Departamento da Catequese do Patriarcado de Lisboa, padre Paulo Malícia, que já adotou esta metodologia educativa na diocese, “hoje mais do que nunca” é preciso “recuperar a família como espaço privilegiado para a iniciação cristã acontecer”. “Não podemos desistir da família”, apelou, sublinhando a necessidade de “privilegiar a família como lugar educativo”.

Esta metodologia que é um “projeto familiar” tem como intenção “responsabilizar mais a família, ajudando-a a tomar consciência do seu papel no processo educativo”. Segundo o padre Paulo Malícia, “tem-se cometido o erro de muitas vezes falar na família, mas não é possível envolver a família no processo educativo cristão se não os motivarmos também”, sublinhou.

Em Lisboa, este projeto está ser experimentado na paróquia de São João de Brito, como paróquia piloto, desde há dois anos, e da partilha apresentada em Manique pelos envolvidos já é possível fazer um balanço. Assim, o projeto que, segundo o padre Paulo Malícia “tem como intenção, também, acompanhar a família”, é apresentado em alternativa à catequese tradicional, e vem colocar a responsabilidade da formação do lado dos pais. De acordo com a experiência de Miguel Peixoto, pai que tem acompanhado este projeto, “a responsabilidade de educar os filhos na fé começa pelo envolvimento dos pais. É um projeto positivo, pela proximidade e envolvimento dos pais, com o pároco, catequistas e paróquia, e obriga a um maior empenhamento na preparação das sessões. Gera, também, cumplicidade entre pais e filhos e aumenta a motivação de quem participa”, apontou Miguel Peixoto.  

Segundo explicou a catequista Andreia, “propõe-se às famílias que encontrem em suas casas um espaço próprio para fazer um momento de encontro e de partilha com as crianças, o que acontece uma vez por semana” para que tenham em casa “uma experiência mais contínua do que é a sua fé”. Depois, na catequese, o catequista “complementa e aprofunda os temas de catequeses vistos pelos pais em casa”.

Esta metodologia de catequese familiar pressupõe, assim, uma reunião com os pais, uma reunião dos pais com os filhos, e dos filhos entre si, e novamente um encontro com os pais”, explicou o pároco, padre João Valente.

 

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Catequistas homenageados

Cerca de seiscentos catequistas da Diocese de Lisboa que exercem a sua missão há mais de 25 anos foram homenageados pelo Patriarcado. Estes catequistas receberam das mãos de D. José Policarpo, D. Joaquim Mendes e D. Nuno Brás, um diploma comemorativo para assinalar a missão na diocese. Aos catequistas, o Patriarca Emérito deixou uma palavra de elogio à disponibilidade e apelando para que haja “cada vez mais jovens, homens e mulheres que se preparem e se disponibilizem para a missão”.

 

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“Amai os nossos sacerdotes”

O Patriarca Emérito, Cardeal José Policarpo, garantiu no passado Domingo, no Dia da Igreja Diocesana, diante de cerca de duas mil pessoas, que vai “descobrir novas formas de servir” a diocese. Recordando que a diocese “muda de bispo mas continua com o mesmo Pastor”, Jesus Cristo, D. José Policarpo convidou os presentes a agradecer a missão que realizou ao longo de 15 anos no Patriarcado de Lisboa. “Agradecei comigo ao Senhor o ter-me escolhido como pastor desta Igreja. Servi esta Igreja, onde nasci, fui batizado, ordenado sacerdote e bispo, sempre com muito amor. Amo muito a Igreja de lisboa, sinto-me muito amado pela Igreja de Lisboa”, disse, na missa que encerrou a celebração do Dia da Igreja Diocesana.

Na sua homilia, onde destacou a importância da comunhão entre o bispo e os padres da diocese, D. José Policarpo recordou o caminho que fez com grande parte do clero diocesano.“A minha comunhão com este presbitério de Lisboa acompanhou a caminhada da minha vida e a minha busca de fidelidade: ensinei-os, formei-os, ordenei-os, partilhei com eles, quase sempre na alegria, mas por vezes também na preocupação e na dor, esta aventura de amor pela Igreja de Lisboa”.

Desde a data da nomeação de D. Manuel Clemente como novo Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo assumiu as funções de Administrador Apostólico da diocese e nessa posição deixa um pedido aos diocesanos: “Amai os nossos sacerdotes como me amastes a mim, perdoai aos nossos sacerdotes as suas fragilidades, como espero que me perdoeis a mim”. Ao terminar a homilia, irrompeu da assembleia uma salva de palmas por quase dois minutos.

No fim da missa, catequistas e professores de Educação Moral e Religiosa Católica da Diocese de Lisboa fizeram uma homenagem a D. José Policarpo, oferecendo um quadro representando a Última Ceia de Jesus.

texto e fotos por Nuno Rosário Fernandes
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