Roma |
A uma janela de Roma
“É a Igreja que nos leva a Cristo”
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Na semana em que iniciou catequeses sobre o mistério da Igreja, o Papa alertou para as consequências do fascínio pela “cultura do bem-estar” e do “provisório”, e realizou a sua primeira visita a uma comunidade da Diocese de Roma. Antes, falou em reinventar a solidariedade, condenou o tráfico de seres humanos e traçou o perfil do autêntico pastor.

 

1. O Papa considera que apenas a Igreja leva as pessoas a Cristo. “Foi da Cruz e do Amor de Deus que a Igreja nasceu e foi no dia de Pentecostes, recebendo o dom do Espírito Santo, que Ela se manifestou ao mundo, anunciando o Evangelho e difundindo o amor de Deus. Portanto, não tem sentido dizer que se aceita Cristo e não a Igreja, pois é somente por meio da Igreja que podemos entrar em comunhão com Cristo e com Deus. Ainda se ouve pessoas que dizem: ‘Cristo sim, Igreja não. Jesus sim, padres não’. Mas é precisamente a Igreja que nos faz conhecer Jesus e que nos leva a Deus”, garantiu Francisco, na habitual audiência-geral de quarta-feira, perante mais de 90 mil peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, no Vaticano.

 

2. O Papa alertou para as consequências do fascínio pela “cultura do bem-estar” e do “provisório”, que afastam os Homens de Deus. São “riquezas” do nosso tempo, disse Francisco na homilia da celebração na Casa Santa Marta, na manhã do dia 27, que podem ser contrariadas através de uma opção definitiva por Jesus. “Mais de um filho não, porque não podemos fazer férias, nem podemos comprar uma casa… Seguimos o Senhor, mas até um certo ponto… é isto o que faz o bem-estar! E todos bem sabemos o que é o bem-estar! Só que isto amolece, despoja-nos daquela coragem forte necessária para acompanhar Jesus. Esta é a primeira riqueza da nossa cultura de hoje: a cultura do bem-estar! Mas há mais: o provisório é outro dos males do nosso tempo – seguir o provisório não é seguir Jesus, é seguir-se a si próprio”.

Contra o bem-estar e o provisório, riquezas do nosso tempo, Francisco contrapôs a opção definitiva por Deus, visível, por exemplo, em tantos homens e mulheres que deram a vida como missionários ou que foram e são fiéis no matrimónio.

 

3. No Domingo, 26 de maio, o Papa Francisco, enquanto Bispo de Roma, realizou a sua primeira visita a uma comunidade da sua diocese: a paróquia dedicada aos Santos Isabel e Zacarias, em Prima Porta, na zona norte de Roma. Na homilia da Missa ao ar livre onde deu a Primeira Comunhão a 16 crianças, o Papa manteve uma conversa com os mais pequenos, explicando o que é a Santíssima Trindade. “O Pai cria, Jesus salva-nos, o Espírito Santo ama-nos. Esta é a vida cristã: falar com o Pai, com o Filho e com o Espírito Santo!”.

No Angelus, já na Praça de São Pedro, o Papa recordou os momentos com as crianças. “Esta manhã fiz a minha primeira visita a uma paróquia da Diocese de Roma. Agradeço ao Senhor e peço-vos para que rezeis pelo meu serviço pastoral nesta Igreja, que tem a missão de presidir à caridade universal”. Depois, falou da beatificação de D. Puglisi, na véspera: “Ontem, em Palermo, foi proclamado Beato D. Giuseppe Puglisi, sacerdote e mártir, assassinado pela máfia em 1993. Rezemos para que os mafiosos e as mafiosas se convertam”.

 

4. O Papa Francisco defendeu a necessidade de uma reinvenção da solidariedade, no atual momento de crise, afirmando que as dificuldades económicas mostram que “algo não funciona” no sistema financeiro. “Há uma exigência de repensar a solidariedade, já não como simples assistência na relação com os mais pobres, mas como uma reconsideração global de todo o sistema, como busca de caminhos para o reformar e corrigir de forma coerente com os direitos fundamentais do homem”, disse, no dia 25, numa audiência a cerca de 500 membros da Fundação ‘Centesium Annus Pro Pontifice’, que promoveu um congresso internacional sobre ‘Repensar a solidariedade para o emprego: Os desafios do século XXI’. Francisco observou que a palavra solidariedade não é “bem vista pelo mundo financeiro”, pelo que lhe é preciso “restituir a sua merecida cidadania social".

 

5. O Papa Francisco condenou o tráfico de seres humanos e lamentou que haja cada vez mais crianças traficadas, envolvidas nas "piores formas de exploração" e "recrutadas para conflitos armados". Foi durante a audiência que concedeu aos responsáveis do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, no dia 24 de maio. “Reafirmo que o tráfico de pessoas é uma atividade ignóbil, uma vergonha para as nossas sociedades que se dizem civilizadas! Abusadores e clientes a todos os níveis, deviam fazer um sério exame de consciência perante si próprios e perante Deus!”. Aos responsáveis mundiais, governantes, legisladores e associações internacionais, Francisco denuncia que a dignidade humana continua a ser espezinhada. “Num mundo em que se fala muito de direitos, quantas vezes se espezinha a dignidade humana. Num mundo em que se fala tanto de direitos, parece que o único que tem direitos é o dinheiro. Caros irmãos e irmãs, vivemos hoje num mundo onde o dinheiro é que manda. Vivemos numa cultura onde reina o fetichismo do dinheiro”.

 

6. Os bispos não são expressão de uma estrutura, nem de uma necessidade organizativa, alertou o Papa, no dia 23, num discurso ao episcopado italiano, que esteve reunido em Roma, em Assembleia Plenária. “A falta de vigilância torna o pastor morno, distraído, esquecido e até indiferente; seduz-se com a perspetiva da carreira, com a lisonja do dinheiro e os compromissos com o espírito deste mundo; fica preguiçoso, transforma-se num funcionário, num clérigo de Estado, mais preocupado consigo, com a organização e a estrutura do que com o verdadeiro bem do povo de Deus”. Francisco traçou depois para os bispos o perfil do autêntico pastor. “Ser pastor significa dispor-se a caminhar no meio e atrás do rebanho; ser capaz de ouvir a história silenciosa de quem sofre e de apoiar o passo de quem receia não ser capaz; é estar atento para ajudar a levantar, a serenar e incutir esperança, a pôr de lado toda a espécie de preconceito e inclinar-se sobre todos quantos o Senhor confiou à nossa solicitude”.

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