Missão |
Irmã Quintinha Dinis
Para nós missionários, o mundo é a nossa casa
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A Irmã Quintinha é Serva Missionária do Espírito Santo. Tem 46 anos. É angolana. Depois de seis anos ao serviço no Patriarcado de Lisboa, prepara-se para regressar a Angola e aí continuar a missão que Deus lhe confia.

 

De Caculama às Servas do Espírito Santo

A Irmã Quintinha João Dinis é angolana, nascida a 3 de novembro de 1966, em Caculama, Província de Malange. Aí fez a educação primária e secundária. Em 1984, com 18 anos, parte para Malange para aí fazer o Curso de Enfermagem. Quatro anos depois, e após terminar o curso, parte para Luanda para iniciar a formação para a vida religiosa-missionária, juntamente com mais sete jovens provenientes de diversas províncias do país. Em 1991 ingressa no Noviciado e, dois anos depois, a 8 de dezembro de 1993 faz a sua primeira Profissão Religiosa, integrando o grupo das primeiras angolanas Servas do Espírito Santo.

 

Dar graças, dançando o Magnificat

Angola vivia anos de guerra civil, que ia destruindo o país e o povo. Em 1994 regressou à sua terra natal, juntamente com uma outra colega, pois havia necessidade de substituir as duas irmãs enfermeiras que lá estavam há vários anos. Aí formou comunidade com três irmãs, uma argentina, uma brasileira e uma angolana, e um padre português, missionário do Verbo Divino, o Pe. Carlos Aires Matos. A guerra adensou-se, deixando a comunidade religiosa isolada e sem comunicação com os Missionários que viviam a 56 Km de distância. A Ir. Quintinha recorda que “foram dias, semanas, meses… de escutar e ver o sofrimento e morte do povo…” O Pe. Carlos Aires Matos, inconformado com a situação que o povo vivia, não ficou indiferente e começou a questionar os líderes do partido que ocupara aquela zona, o que incomodou os chefes políticos. “Claro, que, perante tamanhas injustiças, um ‘representante’ de Deus não pode estar indiferente. Como no tempo de Jesus, a verdade incomoda”, afirma. A 8 de dezembro de 1994, a comunidade é violentamente atacada por um grupo de rebeldes. A Ir. Quintinha estava em retiro para renovação dos votos religiosos que iria celebrar na eucaristia às 10h00. Recorda que às 7h20, enquanto rezava as laudes com uma colega na capela, o grupo de rebeldes invadiu a missão e, com gritos e insultos, pediram que o Pe. Carlos saísse de casa. Logo que o viram sair, começaram a espancá-lo. A Ir. Quintinha e a colega acorreram em defesa do sacerdote e acabaram, também elas, brutalmente agredidas. “Olhando para o Padre era como o cordeiro levado ao matadouro… Não dizia absolutamente nada!!! Só me lembro que este cenário durou cerca de 3 horas. O objetivo deste grupo era fazer calar o Padre para sempre, mas, graças a Deus, ele está vivo e reside na comunidade de Guimarães, depois de muitos anos como missionário em Angola.” A Ir. Quintinha recorda ainda que, depois deste violento episódio, às 11h00 desse mesmo dia, celebraram eucaristia com a comunidade, presidida pelo Pe. Carlos, onde ela e a sua colega renovaram os seus votos e no momento da ação de graças dançaram o ‘Magnificat’, como é costume nas celebrações festivas.

 

Missão: fonte de vida

Após o ataque, e em consequência das pancadas, a Ir. Quintinha ficou muito doente e esteve acamada oito meses. Foi evacuada para Luanda e de lá veio para Portugal onde esteve um ano em tratamento. Depois de recuperada a saúde, regressou a Angola para trabalhar em Luanda na área da saúde e na Pastoral Juvenil/Vocacional e Catequética. Entretanto, em 1998, partiu para as Filipinas para aí fazer a preparação para os Votos Perpétuos. Os primeiros meses foram dedicados à aprendizagem da língua inglesa e a alguns cursos de curta duração, antes de começar a preparação intensiva. A 8 de dezembro de 2000 faz a sua Profissão Perpétua e recebe Portugal como destino missionário. No entanto, antes de partir para o seu país de missão, ainda vive mais sete anos nas Filipinas, dedicados à pastoral vocacional e à licenciatura em Psicologia.

 

Missão em Odivelas

Chega a Portugal em 2007. Integra a comunidade de Odivelas, onde continua a trabalhar na pastoral vocacional, num trabalho conjunto com os Missionários do Verbo Divino e com os leigos do grupo Diálogos, ligados à Congregação. Em Lisboa, conclui ainda o Mestrado em Psicologia Clínica Dinâmica. “Os seis anos passados em Portugal e o trabalho em equipa contribuíram para o meu crescimento como missionária.”

A Ir. Quintinha assume que para os missionários o mundo é a sua casa e, depois de viver nesta casa que é Portugal, está de partida para uma outra – Angola. E aí a missão continua. “Como? Onde? Com quem? Não sei. Espero e confio nas surpresas d’Aquele que me Amou, Chamou e Enviou para continuar a Sua Missão. Encomendo-me às vossas orações para que Ele me encontre disponível”.

texto por Ana Patrícia Fonseca, FEC – Fundação Fé e Cooperação
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