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Cristianismo ameaçado no Médio Oriente
Dias de medo
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Nunca, como agora, a comunidade cristã esteve tão ameaçada no Médio Oriente. Nunca, como agora, são importantes as nossas orações.

 

A queda do regime de Bashar al-Assad pode significar uma ameaça terrível para o mundo cristão. O aviso tem sido reproduzido nos últimos dias por especialistas nos assuntos do Médio Oriente assim como por estudiosos das questões religiosas. O frágil equilíbrio entre comunidades religiosas pode romper-se a qualquer momento e os cristãos poderão ser os que mais têm a perder.

Se “a guerra é sempre uma derrota para a humanidade, como sublinhou nos últimos dias o Papa Francisco, a guerra civil que está a destruir a Síria pode significar uma viragem dramática para a sobrevivência dos cristãos na região. Uma intervenção armada internacional na Síria pode revelar-se catastrófica.

O mufti – um importante líder religioso islâmico – Farid Salman, citado por agências de notícias, sublinha o risco de os rebeldes sírios, em grande parte controlados por movimentos terroristas como a Al-Qaeda, virem a ter o caminho  aberto para expressarem livremente a sua verdadeira ideologia. E há um ponto comum nessa ideologia: o ódio ao Cristianismo.

 

Erradicar o Cristianismo

Segundo o mufti Farid Salman, “a Al-Qaeda é um dos movimentos islâmicos que acha que os Cristãos não são gente”, e isso viu-se no Egipto com a chegada ao poder da Irmandade Muçulmana. “Assim que obtiveram uma parcela de poder com o presidente Morsi – diz -, começaram logo os conflitos inter-religiosos. Em resultado disso, a maioria dos Cristãos Coptas foi obrigada a fugir do país. No entanto os coptas são não apenas população nativa do país. Foram eles que, outrora, abriram as portas do Islão aos árabes no Egipto. O mesmo acontece hoje na Síria". A questão é, pois, muito delicada. Também o Padre Nawras Sammour, responsável pelo Serviço Jesuíta para os Refugiados no Médio Oriente e Norte de África, sublinha o risco de uma intervenção militar que generalize o conflito. Em declarações à Fundação AIS, este jesuíta disse que poderemos pensar num "aumento da violência, numa onda horrível que se estenderia aos países vizinhos, contagiando toda a região do Médio Oriente".

Para o jesuíta a crise é muito complexa para ser resolvida por uma operação militar da qual ninguém pode prever os resultados a longo prazo.

 

Ameaça real

Os jesuítas ajudam mais de 17 mil famílias sírias, das quais cerca de 80% são muçulmanos.  O imperativo é impedir as forças radicais de ganharem terreno, de promoverem a sua violência sectária. Farid Salman está convicto de que se os islamitas chegarem ao poder na Síria, o plano de liquidação do Cristianismo será muito mais duro do que foi, por exemplo, no vizinho Iraque.

Também Roman Silantiev, um estudioso da religião islâmica afirma o mesmo. “Hoje temos muitos exemplos de extermínio da população cristã com a vitória dos islamitas. Muito poucos cristãos restaram no Iraque, quase não restam cristãos no Afeganistão, há muito tempo já não há cristãos nativos na Arábia Saudita, apesar de eles terem surgido lá muito antes dos Muçulmanos. Em todos os países onde os islamitas chegam ao poder, os Cristãos ficam numa situação discriminada, são liquidados ou expulsos do país. Este é um problema mundial. O mesmo observamos na Nigéria, Paquistão e em outros países".

 

O poder da oração

Sendo esta uma questão complexa, que não pode ser traduzida em linguagem simplista, o Padre Sammour pede à comunidade internacional, através da Fundação AIS, para olhar para o seu país com menos superficialidade.  "A Síria não é um mapa no Google Earth. Não é um território para ser invadido ou para ser libertado. Não é meramente um lugar, mas um mosaico maravilhoso. A Síria é antes de mais nada todo um conjunto de pessoas: os Sírios. E espero que isso seja finalmente tomado em consideração”.

Perante a guerra, nunca é tarde de mais. Mesmo após os primeiros combates, nunca é tarde de mais. A paz é sempre o objectivo. Mas, quando tudo falha, sobra sempre o poder da oração. Esse pertence-nos.

 

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