Domingo |
À procura da Palavra
Acreditar no futuro
DOMINGO XXIV COMUM Ano C

"Este homem acolhe os pecadores

e come com eles."

Lc 15, 2

 

Milhares, ou melhor, milhões de cristãos em todo o mundo vão escutar neste domingo a frase do evangelho que é como um “cartão de visita” de Jesus: “Este homem acolhe os pecadores e come com eles.” E pode ser mais uma frase entre tantas, muitas vezes escutada, mas nem sempre aprofundada. A anteceder as três parábolas da misericórdia que Jesus conta, esta frase revela o escândalo das atitudes de Jesus com os “religiosamente” excluídos do judaísmo. Recordemos que as regras judaicas, esquecidas do essencial, com extensas listas de pecados e infracções, geravam multidões de pecadores e enalteciam minorias de puros. Uns e outros não se podiam tocar, qualquer mistura punha em causa a santidade da Lei.

Acolher os pecadores, ainda vá lá, são uns coitados que talvez mudem de vida”, imagino alguns fariseus pensar, “mas, comer com eles, é confiança a mais!” De pecadores a perdidos vai um pequeno passo e a grande tentação de julgar associa-se a sentenças irrevogáveis. Não reconhecemos como é difícil, mesmo no nosso tempo evoluído, a reabilitação de quem falha e erra? Que tempo demoram os rótulos e os preconceitos a desaparecer para que uma pessoa possa viver sem estigmas? Muito mais importante que as normas, tantas delas claramente criadas para domínio e opressão dos outros mesmo que atribuídas a Deus, Jesus aponta o valor fundamental da vida. Ele não vê pecadores: vê irmãos, vê pessoas na sua totalidade com uma grandeza maior que as misérias, vê o futuro, que não pode ficar prisioneiro do passado!

Comer com alguém é sempre apostar no futuro. Precisamos do alimento que nos dá energia para o que vem a seguir. E se a refeição celebra também um passado, ela é porta para o futuro e afirmação de esperança. Talvez por isso, no ritmo que a eucaristia tem para os cristãos, começamos logo por pedir perdão e depois continuamos a refeição da palavra e do pão e do vinho. Ali se reproduz o encontro festivo e renovador que Jesus quer fazer com todos. Curiosamente, desse encontro se auto-excluem os fariseísmos e instituições que privilegiam a condenação. Ao produzir normas sem apontar valores, e congelando o passado para justificar o seu poder, não conhecem a alegria de acolher e de acreditar na vida com futuro.    

Mas o escândalo maior que Jesus faz é revelar um Deus em movimento, que procura incansávelmente uma ovelha ou uma moeda perdidas, que corre para abraçar o filho mais novo e sai de casa para ouvir e falar ao coração do filho mais velho. O Pai de Jesus Cristo rejeita a imobilidade, o trono alto, e a distância como atributos de poder. Perdoar e amar é acreditar no futuro. Não será também isto que nós, milhões de cristãos ouvintes desta palavra de domingo, precisamos pôr mais em prática?

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