Lisboa |
Dedicada nova igreja da Arroja, em Odivelas
“Nasceu uma nova presença de Cristo”
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Foi um ‘Advento’ que durou 24 anos. A comunidade de São José Operário, na Arroja, pertence à paróquia de Odivelas e esperou todos esses anos para concluir o projeto da sua igreja, que ‘nasceu’ no I Domingo do Advento.

 

“No passado Domingo, dia 1 de dezembro, nós iniciámos, na Liturgia, o Advento, mas a comunidade da Arroja ‘terminou’ o Advento na celebração de dedicação da sua igreja, com o Senhor Patriarca! Porque o Advento é o tempo da espera e a Arroja esperou 24 anos por este dia! ‘Antecipámos’ o Natal, com o ‘nascimento’ desta igreja! Nasceu, realmente, uma nova presença de Cristo na Arroja!”. O pároco de Odivelas, paróquia a que pertence a comunidade de São José Operário da Arroja, enaltece, ao Jornal VOZ DA VERDADE, a caminhada feita ao longo destes anos. “Foi um esforço total da nossa paróquia, a construção desta igreja na Arroja! Fico grato e agradeço a toda a comunidade, a todas as pessoas que de uma ou outra forma ajudaram e vão continuar a ajudar”, frisa o padre João Francisco Pietrus.

 

Admiração pela comunidade

Durante anos, a Missa na comunidade da Arroja foi celebrada numa escola pública. “Todas as semanas, montando e desmontando o altar e tudo o que era necessário para a Santa Missa, celebrámos a Eucaristia no Colégio Santa Isabel de Portugal. Todos os Domingos, durante tantos e tantos anos!”, conta o padre Pietrus. “Quando cheguei à paróquia, há quatro anos, a escola já estava desativada, e nestes últimos tempos já nem tinha luz, nem água”, acrescenta.

Este sacerdote originário da Polónia revela, nesta entrevista, a admiração que sente por esta comunidade da paróquia de Odivelas. “Eu admiro muito a comunidade da Arroja, porque realmente teve que ter espírito de perseverança! Agora, no final, em que já não havia sequer salas de aula, chegámos a celebrar debaixo de um telhado, com tudo o resto aberto… num dia bonito, estava tudo bem, mas com chuva, frio e vento era complicado. Houve dias em que tinha de estar sempre a segurar o cálice para ele não voar…”, recorda.

 

Corresponder às necessidades da comunidade

A história da nova igreja da Arroja começou há 24 anos. Em finais dos anos 80, foi feito um primeiro projeto. “Havia um projeto, no papel, mas que custava quase quatro milhões de euros! Era uma coisa grande e quando cheguei disse, desde logo, que era impossível, nos nossos tempos, construir uma igreja assim… Caminhámos, caminhámos juntos, procurámos soluções e tomámos a decisão de construir uma igreja. Não é aquela outra ‘mega’ igreja, mas esta com certeza vai corresponder às necessidades da comunidade”. O novo projeto, que agora foi concluído, teve, então, um custo 18 vezes inferior. “A nova igreja de São José Operário da Arroja tem capacidade para 200 pessoas sentadas e tem ainda cinco salas anexas, para a catequese. As pessoas estão tão felizes, e emocionadas, com esta igreja! É um sonho de muitos, mas há muitos que já não conseguem ver a realização deste sonho porque já faleceram. É um momento muito marcante para a comunidade! Repito: não tem o tamanho daquela igreja que estava no projeto inicial, mas com certeza durante muitos e muitos anos vamos ficar felizes com esta igreja dedicada pelo nosso Patriarca, D. Manuel Clemente”.

 

Sinal de Advento

A celebração de dedicação da igreja da Arroja, presidida pelo Patriarca de Lisboa, decorreu então no passado dia 1 de dezembro, com D. Manuel Clemente a sublinhar que a nova igreja da Arroja é um sinal de Advento. “Esta igreja, que vós construístes com tanto esforço, com tanta dedicação, com a feliz colaboração de autoridades e das pessoas de boa vontade, é um sinal de Advento. Porque no meio das outras casas todas, no meio da vida de todos os dias, quando passamos por aqui, vê-se a igreja e lembrais que há outra casa, que significa outra coisa: a Casa de Deus, que é para nós todos, onde a Palavra de Cristo é proclamada, onde os seus sacramentos são celebrados, onde a vida fraterna é incentivada, para que nós olhemos uns para os outros como de Cristo para Cristo”, acentuou o Patriarca, na sua homilia, destacando o papel que a nova igreja vai ter na evangelização. “Tudo quanto aqui aconteceu foi para que este Advento aconteça na vida das pessoas, que precisam de se sentir acompanhadas, aproximadas, reabilitadas, encorajadas”.

 

Mobilizar toda a paróquia

O padre João Francisco Pietrus, que pertence à congregação dos Padres Palotinos (ver caixa), está há quatro anos como pároco em Odivelas e conta com a colaboração de dois sacerdotes, também Palotinos: o padre ‘Zeca’, brasileiro, e o padre Artur, polaco. “A nossa paróquia é muito grande. Os números dizem que tem entre 70 a 80 mil habitantes, temos 32 grupos pastorais, 920 crianças na catequese para 120 catequistas e 15 Eucaristias dominicais”. Devido à sua extensão, é uma paróquia com cinco comunidades e outros tantos templos: “Temos a igreja matriz, situada na parte antiga de Odivelas, em frente ao Instituto de Odivelas; a igreja da Divina Misericórdia, na comunidade das Patameiras; a nova igreja de São José Operário, na Arroja; a capela da Sagrada Família, no Codivel; e a capela do Espírito Santo, no Vale do Forno”, explica.

Questionado sobre como se constrói uma nova igreja sem recorrer a crédito bancário, o padre João Francisco Pietrus sublinha que procurou mobilizar toda a paróquia de Odivelas e não apenas a comunidade da Arroja. “Eu digo sempre que somos uma família grande, a família paroquial! A única diferença entre nós é o sítio em que moramos. Somos a mesma paróquia, por isso mobilizei toda a paróquia e foi muito bonito ver, especialmente nesta fase final, em que organizámos almoços, festas e concertos, o grupo juvenil gravou um CD para fazer dinheiro para a construção da igreja e fez também uns ‘tijolinhos’ pequenos para vender, as senhoras fizeram bolos e outros produtos caseiros para vender à porta da igreja matriz. Outras pessoas preferiram fazer os seus donativos, individualmente: uns deram 5 euros, outros 10, mas é muito bonito ver todo este empenho”. Apesar de a igreja já ter sido dedicada, há ainda algum dinheiro em falta, pelo que nos próximos dias 13, 14 e 15 de dezembro, na igreja matriz de Odivelas, a paróquia promove a Feira da Providência, em que “todo o lucro será destinado à construção da igreja da Arroja”.

Para pagar tudo o que compõe uma nova igreja, como o altar, o ambão, o sacrário, o crucifixo, as cadeiras ou as imagens, a paróquia encontrou uma forma de angariar o dinheiro necessário. “Foi um exemplo muito bonito que a comunidade deu. Fizemos um orçamento todo detalhado, com o custo de cada ‘peça’, e as pessoas depois doaram o dinheiro para um fim específico: houve quem oferecesse a cadeira, outras quiseram doar a via-sacra, outras ofereceram as imagens…”, conta o pároco, observando. “Eu vejo alegria no rosto desta comunidade, cansada de tantos anos a montar tudo no colégio, duas horas antes de cada celebração”.

 

Fazer Igreja

A comunidade da Arroja tem “crescido muito” nos últimos anos e, com a dedicação da nova igreja, toda a pastoral nesta comunidade vai ser beneficiada. “Sem dúvida que a pastoral vai mudar! Até agora foi tudo limitado, e reduzido à Eucaristia dominical e à catequese no colégio. A partir de agora vamos, por exemplo, ter o grupo de Taizé que se tem reunido na igreja matriz mas que é constituído por gente da Arroja. O grupo de jovens, chamado Juventude Nova da Arroja, vai começar a reunir também no novo espaço. Iremos, com certeza, organizar Adoração ao Santíssimo Sacramento, porque agora também já temos sacrário! É obvio que esta comunidade cristã da Arroja vai crescer muito!”, afirma, esperançado, o pároco de Odivelas. “Construímos uma igreja, é verdade, mas procurei, ao longo destes anos, com este projeto, construir a Igreja”. 

 

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Um precursor na Igreja

A paróquia de Odivelas está confiada aos padres da Sociedade do Apostolado Católico, conhecidos como Padres Palotinos. Fundada por São Vicente Pallotti, em 1835, esta congregação tem como carisma, segundo o padre Pietrus, “despertar a identidade de que na Igreja somos todos apóstolos de Cristo”. “No tempo de São Vicente Pallotti era impossível pensar assim, mas ele insistia que todos os batizados são a Igreja, são apóstolos de Cristo, são responsáveis pela Igreja, e cada um pode contribuir para a glorificação de Deus”, refere.

São Vicente Pallotti, que viveu em Roma entre 1795 e 1850, foi canonizado em 20 de janeiro de 1963. “O nosso fundador foi precursor de tudo o que hoje vemos da ação dos leigos na Igreja. Por isso - e porque nada é por acaso -, o padre Vicente Pallotti foi canonizado justamente no início do Concílio Vaticano II, que abriu as ‘portas’ e as ‘janelas’, como dizia João XXIII, para ‘ventilar’ bem a nossa Igreja”. Para o padre Pietrus, a canonização de Pallotti “foi como que um exemplo para toda a Igreja”, apontando “um caminho” a seguir. “O Papa é um só, há também os bispos e os sacerdotes, mas a maior parte da Igreja são os leigos. Cada um, conforme a vocação que recebeu de Deus, pode fazer muito, em termos da evangelização e de testemunho da própria fé”, garante.

No Patriarcado de Lisboa, a congregação dos Padres Palotinos tem confiada a paróquia do Santíssimo Nome de Jesus de Odivelas. Em Portugal, estão ainda presentes numa segunda paróquia, na Diocese de Coimbra, a paróquia de São Caetano.

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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