Família |
Familiarmente
A família e as relações de vizinhança
<<
1/
>>
Imagem

Este mês abordamos o tema da Família e as relações de vizinhança. Este é um tema muito atual e que nos ajuda a concretizar de que forma a fé atua pela caridade.   Na reflexão mensal partilhamos uma estória de família na qual muitos se reverão e que procura recordar o quão importante é estar atento às necessidades do outro e disponível para ajudar no que for necessário. Isto mesmo aprofundamos na rubrica catequese doméstica, que nos ajuda a refletir sobre o desafio que Cristo nos deixou de nos fazermos próximos uns dos outros. Damos ainda a conhecer o Movimento para um Lar Cristão. Esta é uma proposta de caminho em Igreja que procura fortalecer a espiritualidade conjugal para, a partir dela, a família se abrir aos dons do Espírito e praticar a Caridade. Este Movimento pode responder aos anseios de muitas famílias e contribuir para a sua integração eclesial.


__________________


Conta-me uma estória

− Conta, avô! − O quê, filha? − Uma história de quando eras pequenino e vivias em Santa Cristina. − Deixa cá ver… Aqui vai: Um dia a minha mãe… ... − Ó Madrinha Jaquina, madrinha! A nha mãe manda pedir uma chícara de açúcar, se faz favor… − Atão, ó Alberto, vai haver festa em casa? Conta lá! − Nã senhora. Vem o mê ti João, por mor da venda duns pinheros… − Tá alguém doente lá na cidade? − É pó enxoval da nha prima Luísa, que casa cá na terra, nas festas da Senhora do Monte. − Boa nova essa, rapaz! Já era tempo. Anda cá. Abre essa tulha e tira o açúcar que precisares. − É só uma chícara. A nha mãe esqueceu-se, quando foi à loja do ti Manel aviar-se pá vinda do mê tio. − Olha, vem mais eu à horta. Leva aqui umas couvinhas tronchudas p’ ajudar ao caldo. − A nha mãe manda dizer pa passar lá por casa amanhã, depois da missa. Venha comer mais a gente, co mê tio há de gostar de a ver. A sua bênção, madrinha! − Vai com Deus, rapaz. E diz à tu mãe c’ amanhã lá estarei. − Ó avô, não havia supermercado na aldeia? − Não, Clarinha. Cada um tinha a sua horta, os seus animais que davam os ovos, a carne, o leite; do leite fazia-se o queijo, a manteiga; nalgumas ocasiões especiais matava-se uma galinha, um coelho, conforme. − E iam a casa uns dos outros buscar o que faltava? − Era assim mesmo. “Hoje por uns, amanhã pelos outros”, nunca me ouviste dizer isto, filha? − E aqui no prédio, também fazes isso? − Não filha. Na cidade grande perdeu-se o hábito dessa ajuda. Até parece mal. − Mas vocês conhecem os vizinhos. O prédio nem é muito grande. − Pois não, filha, mas cinco andares é muita gente. Damo-nos bem, conversamos; agora jogo com alguns vizinhos ali, nos bancos do jardim. Se há algum problema de saúde, também nos apoiamos, quando sabemos. Mas há pessoas que não gostam de conviver, nem de conversar. Tenho saudades dos meus tempos antigos, na terra. − Mas isto aqui é uma aldeia, é o que diz a mamã. Lá no nosso prédio somos tantos que nem nos conhecemos. Nunca posso ir para a rua, porque é perigoso. Só tenho os meus amigos da escola. E há meninos que, mesmo no elevador, quando estão a ir para casa, me tiram a língua de fora, dão beliscões e os pais não dizem nada. − E a tua mãe, filha? − Cumprimenta toda a gente, mesmo os que não respondem. Diz que é para os ensinar. E obriga-me a ser bem-educada, até com esses embirrentos… − É assim mesmo, filha. A tua mãe ainda aprendeu muito nas férias, lá na aldeia, e aqui no bairro também. − Era bom que todos nos conhecêssemos, ajudássemos e nos déssemos bem, como na tua terra, não era avô? − Pois era filha! Talvez um dia, quem sabe…


__________________


Apresentação do Movimento por um Lar Cristão

“As Famílias devem ser Apóstolas das Famílias [ensinava Mons Joaquim Alves Brás] com o seu exemplo, com a sua oração e com a sua ação. Estas famílias apóstolas devem começar por si mesmas, isto é, exercer o apostolado dentro da própria família”. A Família como comunidade de vida e de amor, na individualidade de cada uma das suas diferentes pessoas em ato doação mútua na unidade da sua relação em permanente complementaridade, é reflexo e imagem da Santíssima Trindade. A Sagrada Família encarna, vive e transmite o projeto de Deus para a família humana e revela-nos a sua dimensão transcendente. Esta dimensão invisível tanto em Nazaré, como hoje nas nossas próprias famílias, torna-se visível aos olhos da Fé. O Movimento por um Lar Cristão (MLC) é um Movimento de espiritualidade conjugal e familiar, cujo carisma se inspira nos exemplos da Sagrada Família de Nazaré, reflexo da Família Trinitária e modelo perfeito de todas as famílias cristãs. Monsenhor Joaquim Alves Brás, hoje Venerável Servo de Deus foi, na Igreja em Portugal, um pioneiro do apostolado familiar, um apóstolo incansável da família, muito antes do Concílio Vaticano II. Mons. Alves Brás, já nos anos 50 defendia a doutrina sobre a dignidade do matrimónio e da família e sobre a missão da família na Igreja e no mundo, como nos ensina depois a Constituição Gaudium et Spes e a Exortação Familiaris Consortio, de João Paulo II. Por isso depois de ter fundado a Obra de Santa Zita e o Instituto Secular das Cooperadoras da Família, nos anos 30, para trabalharem a bem da família, Monsenhor Joaquim Alves Brás, sentiu a necessidade de fundar o Movimento por um Lar Cristão, em 1962, com a missão de promover a vocação cristã da Família, cimentando no amor os laços naturais que unem as Famílias, para viverem e irradiarem com o seu testemunho de vida, o amor de Cristo pela Igreja, constituindo-se assim em verdadeiras igrejas domésticas. Implantado nas diversas Dioceses ou Localidades, Aveiro, Braga, Guarda e Casegas (terra natal do fundador), Coimbra/Figueira da Foz, Funchal, Lisboa, Portalegre/Castelo Branco/Abrantes, Porto e Viseu, e fora de Portugal o Movimento está também implantado em Madrid, e Cabinda/Angola. Os seus membros procuram atualizar na vida das famílias o espírito e carisma legado pelo seu Fundador: “desenvolver e aprofundar os valores cristãos, na imitação das virtudes da Sagrada Família de Nazaré. É no sacramento do matrimónio e na intimidade de Jesus Cristo e com Jesus Cristo, que nasce e vive uma família cristã que as famílias aprendem a ser e a viver o Mistério da Vida e do Amor. Uma vez que cada Família queira livremente assumir a proposta de viver ao ritmo da Sagrada Família, viveremos a alegria do seu ingresso no Movimento, com o cerimonial da entronização e consagração da sua família à Sagrada Família de Nazaré. O MLC está estruturado por Dioceses em Núcleos que se reúnem mensalmente para convívio, partilha de vida, reflexão e estudo sobre temas doutrinais, pastorais e de oração. Além das atividades normais do Movimento, realiza-se, em cada localidade um Retiro Espiritual anual e uma Peregrinação a Fátima, de dois em dois anos, com toda a Família Blasiana (constituída pelas obras fundadas por Monsenhor Alves Brás), para reforço da unidade de espírito eclesial e missão específica. Os membros de cada Núcleo procuram criar, entre si, laços de sã amizade e confiança mútua, na fé e na caridade cristã, de modo a proporcionar um crescimento humano e espiritual requerendo da parte de todos o respeito profundo pelo modo de ser de cada uma das famílias pertencentes ao Movimento. O Movimento por um Lar Cristão para além de integrar, na maior parte das Dioceses, o Conselho Pastoral Diocesano participa nas atividades da CNAL e é membro da Confederação Internacional de Movimentos de Famílias Cristãs. Esta Confederação, é por sua vez membro consultivo da ONU e do Concelho Pontifício para a Família.

Para mais informação consulte o site: www.movimentoporumlarcristao.pt ou www.padrealvesbras.com

Casal Graça e Manuel Simões


__________________


Catequese doméstica: "E quem é o meu próximo?" (Lc 10, 29) 

Esta é a pergunta que um doutor da Lei faz a Jesus no relato de Lucas, após tê-lo desafiado a propósito do maior mandamento. Confrontado com esta questão, Jesus conta a parábola do bom samaritano na qual relata a passagem de três personagens da cultura judaica (levita, sacerdote e samaritano) por um homem que jaz na beira da estrada de Jericó, após ter sido assaltado - dos três apenas o samaritano se compadece do homem e cuida dele. Perante a pergunta inicial do doutor da Lei, Jesus termina o relato da parábola com a questão “Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?” Jesus dá novo sentido à questão daquele que o interpelava: o importante não é se o outro é o meu próximo, mas fazer-me próximo dele. Na pergunta de Jesus só cabe uma resposta “o que usou de misericórdia”, ou seja, o samaritano foi aquele que se tornou próximo porque se deu pelo outro. Esta é a renovação que o homem tem de viver para acolher Jesus – aprender a gastar-se pelo outro, por amor ao outro, mesmo aquele que não se conhece. A entrega generosa pelo próximo é amplamente recompensada pelo Senhor. É com este sentido de fazer-se próximo que o Papa Francisco nos deixou a mensagem de 2014 para o dia mundial da paz, afirmando que é em primeiro lugar na família que se encontra o modelo de fraternidade que realiza a humanidade. Segundo o Santo Padre, “a fraternidade é uma dimensão essencial do homem, sendo ele um ser relacional. A consciência viva desta dimensão relacional leva-nos a ver e tratar cada pessoa como uma verdadeira irmã e um verdadeiro irmão; sem tal consciência, torna-se impossível a construção duma sociedade justa, duma paz firme e duradoura. E convém desde já lembrar que a fraternidade se começa a aprender habitualmente no seio da família, graças sobretudo às funções responsáveis e complementares de todos os seus membros, mormente do pai e da mãe. A família é a fonte de toda a fraternidade, sendo por isso mesmo também o fundamento e o caminho primário para a paz, já que, por vocação, deveria contagiar o mundo com o seu amor.” Nesta passagem de ano deixamos a interpelação que o Papa Francisco nos deixou na celebração de vésperas do dia 31 de Dezembro.


__________________


Encontro anual de CPB

No próximo dia 12 de Janeiro realiza-se pelas 15h30, na Igreja de São João de Deus, o Encontro Anual de CPB (Centros de Preparação para o Batismo) dirigido aos agentes envolvidos no acolhimento e preparação de pais e padrinhos para o batismo de crianças.


Jornadas Vicariais de Alenquer sobre a Família

De 9 a 12 de janeiro de 2014 decorrem na vila do Carregado as Jornadas sobre a Família, subordinadas ao tema: «Família ao serviço da Caridade». Esta iniciativa, organizada pela Vigararia de Alenquer destina-se a promover uma reflexão sobre o lugar da Família no contexto atual, nomeadamente no que diz respeito ao namoro, ao matrimónio e à educação dos filhos. O programa consta de 3 noites de reflexão e debate, terminando com uma jornada festiva no domingo, dia 12.

textos por Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa
Na Tua Palavra
Não nos separemos d’Ele!
por D. Nuno Brás
A OPINIÃO DE
P. Gonçalo Portocarrero de Almada
Foi há alguns dias que, na espaçosa capela de um colégio, presenciei uma cena que me deu que pensar.
ver [+]

Guilherme d'Oliveira Martins
Celebram-se este ano cem anos do nascimento de Sophia de Mello Breyner, um sinal muito português e universal de talento, sensibilidade e sabedoria.
ver [+]

Visite a página online
do Patriarcado de Lisboa
Galeria de Vídeos
Voz da Verdade
EDIÇÕES ANTERIORES