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A uma janela de Roma
“É necessário alimentar a fé”
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O Papa apontou o exemplo dos Reis Magos. Na semana em que retomou as audiências-gerais, Francisco anunciou que vai visitar a Terra Santa, encontrou-se com jesuítas e foi revelada uma conferência do Papa sobre a formação de sacerdotes. Foi ainda conhecido o número de missionários assassinados em 2013.

 

1. O Papa Francisco apontou o exemplo dos Reis Magos e sublinhou a santa astúcia com que foram capazes de não se deixar enganar pelas aparências nem se contentar com uma vida medíocre. “Ensinam-nos a não nos contentarmos com uma vida sem ‘grandes voos’, mas a deixarmo-nos sempre fascinar pelo que é bom, verdadeiro e belo. Por Deus, que é tudo isso elevado ao máximo”, afirmou, durante a homilia da Missa da Epifania do Senhor, celebrada na Basílica de São Pedro, no passado dia 6 de janeiro. Os Reis Magos “ensinam-nos a não nos deixarmos enganar pelas aparências, por aquilo que, aos olhos do mundo, é grande, sábio, poderoso. É preciso não se deter aí. É necessário alimentar a fé. Neste tempo, isto é muito importante: alimentar a fé. É preciso ir mais além”, sublinhou Francisco, que nessa tarde visitou um presépio vivo em Roma e permitiu que uma figurante lhe colocasse um cordeiro sobre os ombros. A situação aconteceu durante a visita à igreja de Santo Afonso Maria de Ligório, para assistir a uma encenação do nascimento de Jesus.

 

2. Após a pausa natalícia, o Papa Francisco retomou esta semana as audiências gerais na Praça de São Pedro, tendo falado sobre o Batismo: “O Batismo, juntamente com a Eucaristia e a Confirmação, forma a chamada «iniciação cristã», que nos configura com o Senhor Jesus e faz de nós um sinal vivo da sua presença e do seu amor”. Lembrando que o Batismo não é “uma mera formalidade”, o Papa sublinhou: “No Batismo, somos imersos naquela fonte inexaurível de vida que é a morte de Jesus, o maior ato de amor de toda a história; e, em virtude deste amor, podemos viver uma vida nova de comunhão com Deus e com os irmãos”.

Durante a audiência, na passada quarta-feira, dia 8 de janeiro, o Papa Francisco lançou um desafio a todos os fiéis: “Quem de vocês sabe o dia do seu Batismo? Levante a mão? São poucos, mas olhai que é importante. Permiti-me dar-vos um conselho: quando regressarem a casa procurem e perguntai a data do vosso Batismo, para saberdes quando foi esse dia belo do Batismo”.

No final da audiência, o Papa Francisco fez uma saudação em português: “Dirijo uma cordial saudação aos peregrinos de língua portuguesa, encorajando-vos a todos a viver o vosso Batismo como realidade atual da vossa existência. Não deixeis que vos roubem a vossa identidade cristã!”.

 

3. O Papa Francisco vai visitar a Terra Santa em finais de maio. O anúncio foi feito no Domingo de manhã, depois da oração do Angelus. "Desejo anunciar que, de 24 a 26 de maio próximo, se Deus quiser, farei uma peregrinação à Terra Santa. O seu objetivo principal é comemorar o histórico encontro entre o Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras, que aconteceu precisamente a 5 de janeiro, como hoje, há 50 anos”, afirmou o Santo Padre, em Roma. “As etapas vão ser três: Amã [capital da Jordânia], Belém [na Palestina] e Jerusalém [Israel]", acrescentou.

Nesta visita, revelou ainda, o Papa vai encontrar-se com “todos os representantes das Igrejas cristãs de Jerusalém” na Basílica do Santo Sepulcro, juntamente com o Patriarca Bartolomeu, de Constantinopla.

 

4. O Papa celebrou Missa na igreja histórica dos jesuítas em Roma, a ‘Chiesa del Gesù’ – um local simbólico para os membros da Companhia de Jesus, uma vez que guarda o corpo de Santo Inácio de Loiola, fundador dos jesuítas –, apelando à renovação da Igreja e do mundo. “Uma fé autêntica implica um desejo profundo de mudar o mundo. Eis a pergunta que devemos colocar-nos: também nós temos grandes visões e iniciativa? Também somos audazes? O nosso sonho voa alto? O zelo devora-nos? Ou somos medíocres e contentamo-nos com as nossas programações apostólicas de laboratório? Recordemo-nos sempre: a força da Igreja não habita em si mesma, nem na sua capacidade organizativa, mas esconde-se nas águas profundas de Deus”, questionou, na homilia da Missa a que presidiu na sexta-feira, dia 3.

Francisco apontou o exemplo do Santo Fabro, que não hesitou em andar pela Europa a anunciar, lembrando que “o Evangelho anuncia-se com doçura, com fraternidade, com amor”.

 

5. O Papa até fica com “pele de galinha” só de pensar na formação deficiente dos futuros padres e religiosos. Francisco confessou este facto durante uma audiência aos superiores de ordens religiosas masculinas, no passado mês de novembro, em Roma, que foi agora publicada na íntegra pela revista ‘La Civiltá Cattolica’, dos jesuítas. Falando da necessidade de uma formação completa, o Papa manifesta o seu medo de se estarem a criar “pequenos monstros”. A educação para a vida religiosa é “uma arte e não uma operação policial. Temos de incluir a formação do coração, caso contrário estamos a criar pequenos monstros. E depois estes pequenos monstros moldam o povo de Deus. Isto faz-me pele de galinha”.

A ideia de que a formação termina com o fim dos anos de seminário é, considera o Papa, “hipocrisia e fruto do clericalismo” e quem trabalha neste ramo, formando futuros religiosos e sacerdotes, tem obrigação de pensar nos fiéis que serão afetados: “Recordo-me daqueles religiosos que têm um coração azedo com o vinagre: não são feitos para estarem em contacto com outros. Não devemos criar administradores, gestores, mas sim pais, irmãos e irmãs, companheiros de viagem”.

Todo o discurso do Papa, que durou cerca de três horas, está recheado de apelos à ação por parte dos religiosos: “A Igreja deve ser atraente. Despertem o mundo! Sejam testemunhas de uma forma nova de fazer as coisas, de agir, de viver. Mostrem que é possível viver de forma diferente neste mundo.”

 

6. Durante o ano de 2013, 22 pessoas foram assassinadas ao serviço da Igreja Católica. Entre elas havia 19 padres, uma religiosa e dois leigos. Os dados foram avançados pela Agência Fides, do Vaticano, que refere que este número é superior ao do ano anterior, 2012, em que foram mortas 13 pessoas, mas inferior ao de 2011, em que se registaram 26 mortes. Esta agência sublinha que a maioria das mortes aconteceu depois de tentativas de assaltos violentos.

Entre 1980 e 2013, refira-se, foram mortas mais de mil pessoas ao serviço da Igreja Católica, entre padres, missionários, religiosos e leigos.

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