Lisboa |
Igreja dos Prazeres comemora 50 anos da dedicação
Uma igreja familiar
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Dedicada em 1964, a igreja de Nossa Senhora Auxiliadora dos Prazeres, em Lisboa, pertence aos salesianos e é ponto de encontro de muitas famílias, em especial antigos alunos das Oficinas de São José.

 

A presença dos Salesianos em Lisboa acontece desde 1896. No entanto, apenas em 1906 são inauguradas, na Rua Saraiva de Carvalho, lugar onde atualmente se encontram com novas estruturas, as Oficinas de São José. A paróquia dos Prazeres, porém, nasce mais tarde, a partir de uma "reformulação de paróquias que anexou territórios das paróquias de Santo Condestável, Estrela e Alcântara", refere ao Jornal VOZ DA VERDADE o atual pároco, padre Manuel Pinhal, sublinhando o facto de esta paróquia “ser sui generis porque a igreja matriz localiza-se mesmo no topo da área da paróquia".

Atualmente, além da igreja dos Prazeres, a paróquia tem mais dois lugares de culto: a capelinha do Senhor Jesus do Triunfo e a capela do Palácio de Nossa Senhora das Necessidades. Esta última, segundo o padre Pinhal, está mais ligada à paróquia de são Francisco de Paula. "Há cerca de 30 anos a igreja de São Francisco de Paula esteve em obras e nessa altura o seu pároco fez um acordo com o padre Amador, pároco nos Prazeres daquela época, de cedência da capela do palácio que não estava aberta ao culto. Ainda hoje essa capela se mantém ligada à paróquia de São Francisco de Paula", observa o sacerdote religioso.

 

Desafios

A igreja dos Prazeres, em Lisboa, foi dedicada em 1964 e é o centro de toda a vida paróquia. “Nos 50 anos decorridos, houve cerca de cinco mil batizados e dois mil casamentos”, destaca o pároco Manuel Pinhal. Caracterizando-se como "uma paróquia bastante pobre e com gente muito envelhecida", a paróquia dos Prazeres defronta-se, neste momento, com o desafio de acolher imigrantes de várias origens. "Na Rua Possidónio da Silva havia muita gente praticante que foi morrendo. Agora tem pessoas do Bangladesh e de outros países. Estamos a tentar perceber como vamos dialogar com estas pessoas", salienta o pároco salesiano, apontando este facto como “um desafio para a pastoral da paróquia".

Considerando que na pastoral da cidade o conceito de paróquia define-se pelo lugar "onde as pessoas se sentem bem", o padre Pinhal salienta que a paróquia dos Prazeres e a igreja de Nossa Senhora Auxiliadora é frequentada por "muitos antigos alunos" das Oficinas de São José. "Temos uma média de cem batizados por ano", destaca o sacerdote, referindo, ainda, que "muitos antigos alunos vêm cá casar e depois batizar os filhos".

Numa contagem genérica, "a frequência da paróquia, entre sábado e Domingo, anda à volta de mil e duzentas pessoas". Pelo que, "vem muita gente de fora para aqui", comenta salientando que na frequência das celebrações encontram-se "muitos pais que vêm acompanhar os filhos".

 

Vida pastoral

Em termos civis, Prazeres é uma antiga freguesia de Lisboa, extinta com a reorganização administrativa de 2012 e anexada à nova freguesia da Estrela. Segundo números dos Censos de 2011, tem uma população de cerca de 8 mil habitantes, e para ir ao encontro das necessidades desta população a paróquia desenvolve uma pastoral que procura englobar o apoio desde os mais novos aos mais velhos. Embora seja uma paróquia confiada à comunidade religiosa salesiana, na sua orgânica, a paróquia dos Prazeres tem um conselho económico. Tem um grupo de leitores, Ministros Extraordinários da Comunhão, visitadores de doentes, em que "alguns são da paróquia e outros de fora", observa o pároco.

No que se refere à pastoral catequética, nos Prazeres há um grupo de cerca vinte catequistas e dez jovens animadores, com a particularidade de que "à medida que os jovens vão sendo crismados vão-se inserindo no grupo de animadores" que dão apoio aos catequistas, explica o padre Manuel Pinhal. Cerca de 100 crianças frequentam, atualmente, a catequese da paróquia, que "é independente da catequese da escola salesiana, frequentada por cerca de oitocentos alunos", ressalva. No entanto, também muitas destas crianças que frequentam a catequese na paróquia não são provenientes da área paroquial, "talvez por causa do horário", justifica o sacerdote.

Ainda nesta dinâmica juvenil, que é carisma salesiano, existe um agrupamento de escuteiros do CNE com cerca de cem elementos, e vinte dirigentes, numa aposta que, segundo o pároco, tem resultado. "Estou contente porque conseguimos fazer a união entre a catequese e o grupo de escuteiros", observa o sacerdote que há cerca de trinta anos fundou o Agrupamento 79 dos Prazeres.

No que diz respeito ao apoio aos mais idosos já existiu na paróquia um convívio de terceira idade, e atualmente há um trabalho que se desenvolve com o Banco Alimentar. Numa coordenação conjunta com um organismo de solidariedade da escola Salesiana (Solidariedade Salesiana), a paróquia contribui na distribuição de alimentos a cerca de 40 pessoas. “Pelo Natal foram distribuídos, também, 68 cabazes a famílias carenciadas que estão referenciadas pela paróquia”, destaca.

 

De volta aos Prazeres

Ordenado sacerdote em 1975, o padre Pinhal chegou nesse ano à Paróquia dos Prazeres como coadjutor do padre Amador, "ainda vivo", onde permaneceu durante sete anos. Foi depois enviado para Roma para se formar na área da catequese e dos mass media e, no regresso é enviado para Poiares da Régua como diretor da Escola Salesiana. Foi responsável nacional da Pastoral Juvenil Salesiana, pároco em Poiares da Régua, e regressa a Lisboa como Administrador Provincial e depois como pároco, na igreja de Nossa Senhora Auxiliadora, em Lisboa. Para este sacerdote, celebrar estes 50 anos de dedicação da igreja “é um momento de festa” mas significa também “o desafio de continuar todo o trabalho desenvolvido e melhorá-lo”.

No passado dia 30 de janeiro, véspera da celebração de São João Bosco, fundador da família salesiana, a igreja de Nossa Senhora Auxiliadora, na paróquia dos Prazeres, em Lisboa, comemorou 50 anos de dedicação. Dois dias mais tarde, a 1 de fevereiro, o Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, lembrou as muitas orações já realizadas naquele templo e convidou os cristãos a colocarem a vida nas mãos de Deus.

Durante as celebrações dos 50 anos de dedicação da Igreja de Nossa Senhora Auxiliadora foi benzida uma imagem de Nossa Senhora Auxiliadora, colocada na fachada da igreja, e que era um sonho ainda não concretizado. Com cerca de dois metros de altura, esta imagem foi realizada em mármore por um escultor croata de uma empresa de Fátima. 

 

Um pouco de história

Quando em 1962 nasce a paróquia dos Prazeres, a sua sede permanece em Alcântara. Um ano antes, em 8 de dezembro de 1961, junto ao cemitério dos Prazeres, é benzida a primeira pedra da igreja de Nossa Senhora Auxiliadora, uma obra projetada pelo arquiteto João Simões que surge como "uma necessidade de primeira ordem". "Apesar das tremendas dificuldades financeiras com que nos debatemos e, - porque não dizê-lo - das dívidas que pesam sobre os nossos ombros, e apesar dos tempos calamitosos em que vivemos, não desanimaremos", refere um texto publicado no Boletim Salesiano de março de 1962, citado pelo atual pároco, padre Manuel Pinhal, num opúsculo que elaborou para assinalar a efeméride. "O Senhor Cardeal Cerejeira deixou construir esta igreja com a condição dela ser depois a matriz de Nossa Senhora dos Prazeres, enquanto não se arranjasse terreno e se fizesse uma igreja para a própria paróquia", conta ao jornal VOZ DA VERDADE o pároco, sacerdote salesiano.

A sagração da igreja acontece em 30 de janeiro de 1964, numa celebração presidida pelo Núncio Apostólico em Portugal, na época, monsenhor Maximiliano de Fürstemberg. "Foi demorado o ato consecratório", relatam as crónicas da época, sobre a celebração que contou, ainda, com a presença das relíquias de São João Bosco, São Domingos de Sávio e dos mártires São Timóteo e Santa Daria.

No dia 31 de janeiro de 1964, o arcebispo de Évora, D. Manuel Trindade Salgueiro, preside a um solene pontifical com a presença, também, do Presidente da República, Américo Tomás.

texto por Nuno Rosário Fernandes; fotos por NRF e João Ramalho
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