Lisboa |
Encontro dos autarcas e das coletividades de Vila Franca de Xira com o Patriarca de Lisboa
“As instituições existem para servir a sociedade”
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O Patriarca de Lisboa desafiou os autarcas e as coletividades do município de Vila Franca de Xira a “apoiarem-se e estimularem-se uns aos outros”, juntamente com as “instituições da Igreja”, para conseguirem “descobrir ‘novas terras’ onde sobreviver”. A paróquia de Vila Franca, que recebeu a Visita Pastoral, reconhece-se “convocada pelo Bispo”.

 

Num encontro no Ateneu Artístico Vilafranquense, na noite de sexta-feira, dia 7 de fevereiro, realizado no âmbito da Visita Pastoral à Vigararia de Vila Franca de Xira-Azambuja, D. Manuel Clemente lembrou que “as instituições de solidariedade social, e as instituições que têm uma grande base de voluntarismo e de voluntariado, têm uma cor local muito forte e continuam – e até recuperam – o espírito do local para o local, do ‘amor à camisola’”. Neste sentido, completou, “estas instituições capitalizam, hoje, a boa vontade social e o expediente na resolução próxima das coisas”.

Para o Patriarca de Lisboa, “a crise financeira, que depois redundou numa crise económica e que acaba por ser uma crise social”, tem “uma enorme pendência sobre a viabilidade” das instituições que trabalham localmente. No entender de D. Manuel Clemente, a economia social, que está ligada à generalidade das instituições, é “um campo que se vai abrindo” e que vai sendo “cada vez mais apurado”. “A economia social rege-se por outras ‘leis’, embora tenha muita gente profissionalizada ainda tem uma fortíssima dose de voluntariado, persiste nos seus objetivos, mesmo quando os problemas financeiros poderiam levar ao encerramento, e estão a criar novas respostas para necessidades reais”.

Neste encontro com os autarcas e coletividades presentes no concelho de Vila Franca de Xira, o Patriarca de Lisboa lembrou que “as instituições existem para servir a sociedade”, sublinhando a importância do princípio da subsidiariedade. “Há um princípio muito querido à tradição cristã, e que hoje se vai ampliando, já figurando inclusive na legislação europeia, que é o princípio da subsidiariedade. Este princípio diz que as instituições de topo, como seja um Estado ou uma organização interestatal como a União Europeia, não devem fazer diretamente e imediatamente aquilo que podem fazer os corpos intermédios da sociedade, mas devem, pelo contrário, ir em apoio e em estímulo”.

D. Manuel Clemente considerou igualmente que “as nossas instituições, acompanhadas da rede local das autarquias, podem e devem desempenhar um papel de primeiríssima ordem, porque elas são criativas”. “O conjunto das nossas instituições responde a um conjunto de necessidades humanas que localmente se sentem melhor, porque é ‘pessoa a pessoa’. Essa criatividade – e isso é algo que tem sido constatado, não por mim mas por analistas e especialistas – vai abrir um leque muito maior de possibilidades!”, garantiu.

 

Uma face que muda

O padre José Ezequiel Inácio é o pároco de Vila Franca de Xira desde há mais de cinco anos e explica ao Jornal VOZ DA VERDADE que “é importante a Igreja ir ao encontro dos autarcas e das coletividades” presentes nesta terra, cujo espaço geográfico da paróquia compreende, sobretudo, a cidade. “Há uma parte da paróquia que tem mais paisagem do que propriamente vida das pessoas, mas o que carateriza a paróquia é um tipo de vida urbano. Geograficamente, Vila Franca de Xira é uma ‘tira’ entre o Rio Tejo e o chamado monte Gordo, prolongando-se um pouco até ao Santuário do Senhor da Boa Morte. Vila Franca cresceu depois ao longo desta faixa”.

Vila Franca de Xira é uma cidade portuguesa do Distrito de Lisboa, com 18197 habitantes, segundo dados de 2011. “Tem uma população vinda de muitos sítios, que entretanto se foi estabelecendo aqui. É gente que chegou nos anos 40, 50 à procura de trabalho”, refere o pároco. Nos últimos anos, o panorama tem mudado a face desta terra. “No final do século XX, a zona de Vila Franca de Xira deixou praticamente de ter fábricas e indústria. Por outro lado, foi desmantelada, já no meu tempo aqui, a Base Naval da Marinha e a verdade é que hoje as pessoas dizem que Vila Franca é uma terra um bocadinho morta, sem grande vida, sem grande atividade…”, descreve o padre Ezequiel. A “população envelhecida” tem reflexos na vida da paróquia de São Vicente Mártir de Vila Franca de Xira. “Nas assembleias, vemos que predominam as pessoas com mais de 50 anos. É um pouco o geral, fruto também desta situação de envelhecimento e da falta de renovação das famílias”, aponta este sacerdote.

Esta é uma paróquia com quatro comunidades: a da igreja matriz, a do Bairro do Paraíso, a do Bairro do Bom Retiro e a dos Povos, “a mais antiga da paróquia”, situada à entrada de Vila Franca para quem vem da Castanheira e do Carregado, e que tem um projeto para a construção de uma igreja. Quando chegou a esta paróquia, em outubro de 2008, a aposta do padre Ezequiel foi a de levar a paróquia a “desempenhar a sua missão”. “A ideia era, e é, sempre, renovar a vida das pessoas, aproveitando a muita coisa boa que há nesta terra, porque há dinamismos que se mantêm vivos! Procurar que a vida das pessoas se renove e que os cristãos que não estão se possam aproximar”, salienta este sacerdote, de 53 anos.

 

Integrar a juventude

O número de crianças e adolescentes na catequese em Vila Franca de Xira, “fruto também do envelhecimento da população”, tem vindo “a decrescer um pouco nestes últimos anos”. “Para os 10 volumes, temos cerca de 200 catequizandos”, observa o pároco, sublinhando o principal desafio da catequese nesta paróquia: “O nosso principal desafio é que os meninos fiquem na paróquia! Não só após o Crisma, como também durante o percurso de catequese, porque há alguns que vão saindo”.

No final do mês de janeiro, a paróquia de Vila Franca de Xira recebeu a Visita Pastoral que, segundo o pároco, poderá ter dado algum impulso ao grupo de jovens paroquial. “Tem havido várias tentativas de integrar nos serviços da paróquia, como os acólitos ou os leitores, o grupo que durante a visita pastoral foi crismado, o chamado grupo mais velho da catequese, que compreende os dois últimos anos. Tem sido uma experiência interessante”, manifesta o padre Ezequiel. “Aproveitámos o facto de terem sido crismados agora, e não no final do ano pastoral, para tentar que o ritmo deles se mantenha”, refere, assumindo o desejo de que “este grupo do crisma se ‘transforme’ em grupo de jovens”. O pároco de Vila Franca destaca igualmente “um pequeno grupo que foi crismado há uns anos”, cujos elementos pertencem “quase todos aos acólitos” e que “está a tentar singrar”.

Ainda na área da juventude, o padre Ezequiel salienta o agrupamento de escuteiros, “que não é muito numeroso”, e que viveu recentemente uma renovação dos seus dirigentes. “Os escuteiros estão presentes na vida da paróquia quando nós combinamos, mas não temos uma ligação, digamos, estreita. É também um desafio estreitar laços”, assume o pároco.

 

A missão de uma Cáritas Paroquial

Nos últimos anos, têm aumentado as carências da população de Vila Franca. A paróquia tem procurado assistir quem lhe ‘bate à porta’ porque, como destaca o padre Ezequiel, “a caridade é evangelizadora”. “A paróquia tem, desde há muitos anos, a Cáritas Paroquial, que foi constituída como IPSS (Instituição Particular de Solidariedade Social), e é este serviço, minimamente organizado, que procura apoiar as valências de centro de dia e apoio domiciliário e que faz também a distribuição de bens alimentares a cerca de 40 famílias carenciadas”. Referindo que o pároco é o assistente deste grupo sociocaritativo, o padre Ezequiel salienta que este grupo tem “uma direção de católicos praticantes”, que estão “em sintonia com a paróquia”.

Questionado sobre se a Cáritas Paroquial vive também dos donativos dos cristãos, o pároco de Vila Franca lamenta que mais pessoas não possam ajudar a instituição. “A paróquia não vê muito bem a Cáritas Paroquial como sendo uma parte sua. As pessoas sabem que é uma instituição que está ligada à paróquia, mas…”, lamenta este sacerdote, apontando, contudo, para um sinal que considera “positivo”: “Ultimamente, tem aumentado o número de pessoas da paróquia que estão como voluntários na Cáritas. Tem sido um sinal positivo, que me deixa contente”. Além do serviço da Cáritas Paroquial, o padre Ezequiel aponta a importância da paróquia prestar “aquele tipo de apoio, da caridade que está atenta aos outros”.

 

Laicado e evangelização

Em Vila Franca de Xira “há uma certa tradição” no sentido da formação dos leigos. “No tempo do padre Afonso, entre os anos 70 e 90, e depois também no tempo do padre Vítor, Vila Franca acolheu muitas iniciativas de catequese de adultos. Na altura falava-se muito na formação dos leigos e tinha-se isso como uma prioridade na diocese”.

Os Cursilhos de Cristandade estão também presentes nesta paróquia, com a realização mensal da ultreia. A LIAM (Liga Intensificadora da Ação Missionária), dos Padres Espiritanos, também desenvolve a sua missão em Vila Franca, tal como uma comunidade do Caminho Neocatecumenal.

Na visão do pároco, a paróquia de São Vicente Mártir de Vila Franca de Xira tem vários desafios ao nível da evangelização. “A nível interno, o desafio é fortalecer a vida da comunidade. Depois, a nível externo, o desafio que o Papa Francisco tem lançado, às periferias, é uma das realidades que nós vemos que é importante. Até mesmo geograficamente, porque estas zonas mais afastadas do centro também têm pessoas afastadas da vida da comunidade”, frisa o padre José Ezequiel, acentuando o desejo de “poder anunciar e tornar presente a vida da paróquia” e “o convite e anúncio do Evangelho de Jesus Cristo”. “Isso é algo muito importante”, garante.

 

Comunidade sentiu-se convocada pelo Bispo

Entre 21 e 26 de janeiro, esta paróquia da Vigararia de Vila Franca de Xira-Azambuja recebeu a Visita Pastoral. Um acontecimento inédito, pelo menos nas últimas duas décadas, segundo refere o pároco. “Foi uma semana intensa! Por aquilo que conseguimos apurar, tinha havido uma visita pastoral há 20 anos, com D. José Policarpo, na altura Bispo Auxiliar de Lisboa. As pessoas não tinham uma memória assim muito esclarecida dessa visita pastoral, mas depois encontrámos inclusivamente um recorte de um jornal com essa informação”. A presença, agora em 2014, de D. Nuno Brás, Bispo Auxiliar do Patriarcado, foi “muito positiva para a paróquia de Vila Franca”, de acordo com o padre Ezequiel. “Por um lado, julgo que o senhor Bispo foi muito bem recebido por todas as diversas instituições que visitou e acho que foi muito importante a presença do Bispo, no encontro com as pessoas e as crianças; por outro lado, foi uma oportunidade para a comunidade se juntar, o que é difícil, pela dispersão”. Neste sentido, salienta o padre Ezequiel, a presença de D. Nuno entre os cristãos de Vila Franca de Xira foi uma forma de perceber “que a comunidade não está morta e sentiu-se convocada pela presença do Bispo”.

texto por Diogo Paiva Brandão; fotos por DPB, NRF e Ana Serra
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