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Irmã Maria Guida fez primeiros votos nas Irmãs Discípulas do Divino Mestre
Da casa paroquial ao convento
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Trabalhava numa residência paroquial na Diocese de Vila Real e desde cedo ouviu falar de vocação religiosa. A irmã Maria Guida professou, no passado Domingo, 9 de fevereiro, pela primeira vez, os votos religiosos nas Irmãs Discípulas do Divino Mestre, que este ano celebram 90 anos de fundação.

 

O modo de vestir das religiosas, através do uso do hábito que as identifica, fez interpelar a jovem Margarida Rodrigues Fernandes, levando-a a questionar-se sobre "o porquê de vestirem de maneira diferente". Mais tarde, numa busca de respostas para o sentido da vida, esta jovem da paróquia de Adoufe, na Diocese de Vila Real, começa por frequentar encontros organizados pelas Irmãs Franciscanas Missionárias chegando, depois, às Discípulas do Divino Mestre. "Tinha uma amiga que frequentava a casa das Irmãs Discípulas do Divino Mestre e um certo dia convidou-me a vir com ela. Fiquei muito marcada com a simplicidade das irmãs. Foi o que mais me entusiasmou ao princípio”, conta ao Jornal VOZ DA VERDADE a irmã Maria Guida, que no passado dia 9 de fevereiro, em Camarate, fez os primeiros votos religiosos nesta congregação da Família Paulista. “Depois da simplicidade, marcou-me a dimensão da adoração Eucarística", sublinhou.

 

A influência o pároco

A iniciação cristã da irmã Maria Guida, como em muitas outras famílias, começou em criança. "Fui batizada quando era pequenina, a pedido dos meus pais. Depois fiz a Primeira Comunhão... enfim, fiz o percurso de formação cristã de forma normal", releva esta irmã de 36 anos. No despertar da vocação religiosa desta Irmã Discípula do Divino Mestre teve, também, influência o pároco, sobretudo pela sensibilidade e incentivo. "O meu pároco também suscitava em nós esta dimensão do chamamento à vida consagrada. De vez em quando convidava as irmãs a passar pela paróquia e ali faziam adoração eucarística", testemunha.

Na paróquia de Adoufe, onde cresceu também na fé, a irmã Maria Guida foi catequista e desenvolveu o seu trabalho profissional na residência paroquial durante oito anos. "Posso dizer que já fiz a missão sacerdotal que é carisma das Pias Discípulas", destaca.  "Fazia um bocadinho de tudo. Fazia de secretária, cozinheira, trabalho de limpeza... fazia de tudo", conta.

 

Dimensão maternal de Maria

No contacto com as Irmãs Discípulas do Divino Mestre, "a dimensão mariana" foi um outro aspeto que, de alguma forma, atraiu esta jovem à vida religiosa, nesta congregação. "O fundador da congregação [beato padre Tiago Alberione] dizia que cada Pia Discípula é chamada a ser uma outra Maria. E nesta atitude de ser 'mãe' dos sacerdotes, acompanhando-os, manifesta-se esta dimensão maternal de Maria", explica.

O tempo de formação foi dividido entre Portugal e Itália, onde a congregação tem a sua Casa Mãe. Em Itália, onde viveu por dois anos o tempo de noviciado, a irmã Maria Guida confrontou-se com iniciais dificuldades de adaptação, mas este foi um tempo "muito bom", assinala. "No princípio foi difícil porque mudamos de país, temos de aprender uma língua nova, mas foi muito bom porque tive oportunidade de conhecer a raiz da congregação". Porém, a possibilidade de realizar este tempo de formação em Roma permitiu à irmã Maria Guida estar mais perto do Estado do Vaticano e assim poder participar "em muitas celebrações presididas pelo Santo Padre", refere. Num outro aspeto, o viver o tempo de noviciado em Roma permitiu também a esta religiosa estar em contacto com "a missão" desenvolvida pela congregação onde entrega a sua vida ao serviço de Deus e da Igreja. "Aqui, em Portugal, há poucas irmãs e por isso a missão é mais reduzida mas, em Itália a missão está muito desenvolvida", observa esta jovem irmã salientando, ainda, que teve oportunidade de viver celebrações "liturgicamente muito bem preparadas, visitar o lugar onde são confeccionados paramentos, fabricadas imagens" entre outras experiências que viveu. Durante esse tempo em Roma, no que diz respeito ao contacto direto com este tipo de apostolado desenvolvido pela congregação das Irmãs Discípulas do Divino Mestre, a irmã Maria Guida esteve na área da cerâmica, onde aprendeu "a moldar o barro".

 

"Nervosismo e emoção"

Concluído o tempo de noviciado, no regresso a Portugal, esta jovem irmã fez no passado Domingo, 9 de fevereiro, a profissão religiosa, com votos temporários, renováveis por cerca de 6 anos. Um dia depois do compromisso, em declarações ao Jornal VOZ DA VERDADE, testemunhava: "O amor por Deus e por Jesus já o tinha e ia cultivando durante o noviciado, mas agora é o assumir diante das outras pessoas aquilo que antes vivíamos só para nós. Agora é mais exposto e temos mais responsabilidade", salienta.

Se aquando da celebração de um casamento os noivos ‘transpiram’ ansiedade, nervosismo ou emoção, também a irmã Maria Guida, no dia em que professou os votos de pobreza, castidade e obediência, sentiu algum "nervosismo e emoção", o que "é normal", sublinha. No entanto, por detrás destes sentimentos mais emotivos, havia também “serenidade” porque “sabia aquilo que estava fazer", testemunha, relevando que conheceu as Irmãs Discípulas do Divino Mestre quando tinha 17 anos. Por isso, havia já “um caminho feito” e "tinha a consciência daquilo que estava a fazer".

 

“Uma graça de Deus”

Quando em 10 de fevereiro de 2009 a irmã Maria Guida decidiu entrar na congregação, a sua família "não aceitou a decisão". "Houve muitas lágrimas, foi uma luta muito grande que levou inclusive a um afastamento conflituoso", recorda. "Quando ia a casa era bem acolhida mas o problema era quando tinha de partir de novo". Para a celebração da sua profissão religiosa, a irmã Maria Guida fez questão de convidar a sua família a estar presente, e a resposta fez-se sentir. "Estiveram presentes 19 pessoas. Foi uma surpresa!", garante, manifestando um brilho de felicidade nos olhos.  "Foi quase um milagre. A graça de Deus trabalhou no meu coração e também no deles", observa, referindo que viu também a felicidade no rosto dos seus familiares. "Deixa-me feliz porque isto é mesmo uma graça de Deus".

A primeira profissão da irmã Maria Guida aconteceu na véspera do dia em que esta congregação de origem italiana celebrava os 90 anos de fundação. "Não escolhi esta data, mas é para mim e penso que também o é para a congregação, uma prenda grande fazer a minha primeira profissão nesta data. Para além disso, também a Família Paulista celebra este ano 100 anos de fundação", acrescenta.

 

Confiar

Apesar de ter feito a profissão religiosa, porque são votos ainda temporários, o tempo de formação desta irmã vai continuar até chegar à profissão perpétua. No entanto, questionada sobre as expectativas para o futuro, sobre como vai ser este caminho, a irmã Maria Guida coloca tudo nas mãos de Deus e das superioras. "Não tenho expectativas nem plano humanos e nem quero pensar no que vai ser o futuro. A minha superiora também ainda não me revelou a missão que irei desenvolver na congregação, e em que comunidade o irei fazer. Mas no noviciado aprendi que temos de confiar na graça de Deus e abandonarmo-nos. Porque 'Deus não escolhe os fortes mas os fracos, mas torna-os fortes'. Por isso, confio na graça de Deus e caminho com ela". 

 

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“Não vejo nada, mas estou aqui!”

A permanência da irmã Maria Guida em Roma coincidiu, também, com o momento de mudança para a Igreja pela renúncia de Bento XVI e a eleição do Papa Francisco. No dia em que se viu sair fumo branco da chaminé da Capela Sistina, na Praça de São Pedro, a irmã Maria Guida esteve presente no local, mas com algumas dificuldades. "Ouvimos que tinha havido fumo branco e então corremos até à Praça de São Pedro, mas não conseguimos entrar na praça porque estava cheia. Mesmo de longe, conseguimos saber que tinha sido eleito o Papa Francisco, um Papa da Argentina. Quando o Papa tomou posse também tive a graça de estar na Praça de São Pedro mas não vi nada porque as outras pessoas eram todas mais altas do que eu", conta, lembrando ainda o seu pensamento no momento: "Não vejo nada, mas estou aqui!".

No Verão passado, a irmã Maria Guida teve, então, a oportunidade de estar mais próximo do Papa Francisco, ao participar numa celebração com consagrados e jovens em formação, na Basílica de São Pedro. "Nesta celebração fui convidada a ler uma leitura em português", recorda, com alegria. Este momento foi "também de graça": “O Papa quando desceu passou a cumprimentar todas as pessoas e eu também estava lá na fila. Cumprimentei o Papa mas não tive palavras para lhe dizer".  

 

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Mensagem aos jovens

"Quando sentimos o chamamento de Deus, Ele não nos faz perceber imediatamente aquilo que quer mas nós devemos abrir o coração e deixar trabalhar o Espírito Santo. Porque Deus oferece-nos as pistas, abre-nos o caminho e faz-nos chegar onde Ele quer.”

 

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90 anos de fundação

No passado dia 10 de fevereiro, a Congregação das Irmãs Discípulas do Divino Mestre celebrou 90 anos de fundação. Fundadas em 1924, pelo padre Tiago Alberione, sacerdote italiano beatificado por João Paulo II em 2003, esta congregação está presente em 31 nações, nos cinco continentes. Esta é, segundo a superiora delegada da congregação em Portugal, irmã Maria Sónia Tereso, uma manifestação de que a congregação "está a crescer". "Ainda não temos 100 anos de existência e estamos nos cinco continentes. Isto é uma graça muito grande", comenta ao Jornal VOZ DA VERDADE. Por outro lado, associado à alegria do aniversário, a congregação vive o entusiasmo do "reconhecimento como Venerável, no passado dia 9 de dezembro de 2013, da primeira irmã Discípula do Divino Mestre que colaborou com o fundador, a Madre Escolástica". "Para nós, o reconhecimento da parte da Igreja é também um reconhecimento da validade do nosso carisma e da nossa missão na Igreja. O que torna os nossos 90 anos ainda mais vivos", acentua a irmã Maria Sónia Tereso.

Presente em Portugal desde 1947, esta congregação da Família Paulista tem no nosso país 17 irmãs, divididas por três comunidades (Porto, Fátima e Lisboa - Camarate). Na missão desenvolvida, “por carisma próprio”, realizam a adoração eucarística perpétua, trabalham nos seus centros de apostolado litúrgico e colaboram em paróquias e com serviços diocesanos.

texto e fotos por Nuno Rosário Fernandes
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