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Egipto. Comunidade cristã vive dias de perseguição e medo
“Ninguém está a salvo”
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No Egipto, os Cristãos sentem-se abandonados. Ninguém está a salvo. Homens, mulheres, crianças, todos podem ser alvo de sequestro ou tortura. Nem as meninas escapam. Cada vez há mais histórias de raptos e conversões forçadas ao Islão.

 

Mortes, raptos, sequestros. A comunidade cristã no Egipto continua a viver dias de terror, meses após a deposição, em Agosto do ano passado, pelos militares, do presidente Mohammed Mursi, eleito pela Irmandade Muçulmana. Desde então, os seus partidários, inflamados com discursos radicais, têm procurado vingar-se nos Cristãos, acusando-os, muitas vezes, de terem incentivado a acção do exército.
Só desde Agosto do ano passado, 43 igrejas foram destruídas no país e mais de 200 propriedades de cristãos foram atacadas por muçulmanos. Normalmente, as forças da ordem pouco ou nada fazem para impedir estes actos de extrema violência.

 

O negócio dos resgates

Na cidade de Minya, por exemplo, todos já conhecem a história de alguém que tenha sido sequestrado e torturado. Quase sempre são cristãos. A táctica é também sempre a mesma. Raptam e exigem da família um avultado resgate. Normalmente, ninguém tem o dinheiro suficiente. De tal maneira se vive um clima de terror permanente, que os Cristãos até já criaram, nesta cidade, uma rede de apoio para cada novo caso de sequestro. Mais ninguém os pode ajudar. Estão isolados, ninguém os defende.
A comunidade cristã vive amedrontada, encurralada nas suas casas, com medo de sair à rua. Até crianças já foram sequestradas. Muitas vezes, os raptores usam uma violência arrepiante para conseguirem fazer valer os seus intentos. Raptar cristãos e exigir um resgate pelas suas vidas tornou-se um dos negócios mais rentáveis num país que continua a viver sem lei nem ordem.

Mas não são apenas estes os raptos que atemorizam os cristãos egípcios.

 

Conversões forçadas

Nos últimos anos, centenas de meninas e adolescentes cristãs têm desaparecido misteriosamente no Egipto. Quando as famílias conseguem voltar a localizá-las, já é tarde demais. As suas filhas foram forçadas a converter-se ao Islão e é quase impossível, então, voltar a recebê-las na família. Oficialmente tornaram-se muçulmanas.
Nos poucos casos em que conseguiram fugir dos seus raptores, estas meninas descrevem histórias terríveis, trágicas, que ocorrem cada vez com mais frequência e perante a impunidade das autoridades policiais. Quase sempre, as meninas cristãs são levadas para locais desconhecidos, onde são violadas repetidamente e drogadas. Após semanas de tortura, não resistem mais e acabam por declarar-se convertidas ao Islão.
A reversão ao Cristianismo, após uma conversão ao Islão é praticamente impossível no Egipto. O castigo mais grave por apostasia do Islamismo é a morte.

 

A história de Nadia

Nadia Said Makram tinha 14 anos quando foi raptada em plena igreja, no Cairo, em 2011. A família, desesperada, ainda não desistiu de a procurar. Em vão. Eles sabem que, o mais provável é nunca mais voltarem a ver a sua menina. E nem querem imaginar o tormento por que terá passado desde então. Uma jovem, que conseguiu fugir dos seus raptores, contou, à Fundação AIS, sob anonimato, o tormento por que passou. “Não podia comer, beber, nem dormir. Tudo o que eles queriam era drogar-me e violar-me. Outro grupo de homens veio e levou-me. Fiquei com eles durante dois dias. Não sei como sobrevivi. Eram cinco. Ficaram comigo num quarto. Não conseguia distinguir o dia da noite. Não conseguia dormir nada. Pelo menos cinquenta homens violaram-me durante esse mês. E pelo facto de eu ser cristã, não se fez nada”.

 

“Tenho muito medo”

Em Minya, a diocese criou um local para abrigo das raparigas que, de alguma forma, foram molestadas ou que estejam em risco de serem também raptadas. O Padre Boulos Nasif dirige A Casa da Virgem Mãe do Salvador. Uma das raparigas que vive nesta casa é Nura Suleiman Aryan. “Havia um grupo de muçulmanos que tencionava raptar-me. É por essa razão que estou aqui. Tenho muito medo deles. Olham-me fixamente. Quando estou em casa, fico sempre dentro e nunca saio. Ninguém está a salvo.”
Continua a haver um enorme manto de silêncio sobre os raptos e a violência que é exercida sobre os Cristãos no Egipto. É um assunto perturbador, até porque o mundo parece fingir que não sabe, que nunca ouviu falar de nada. Que desconhece. O sentimento de medo alastra cada vez mais entre a comunidade cristã. Ninguém se sente a salvo. Ninguém.

 

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texto por Paulo Aido, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre
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