Lisboa |
Encerramento da Visita Pastoral à Vigararia de Vila Franca de Xira-Azambuja
Cumprir a vontade de Deus no mundo
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O Patriarca de Lisboa lembrou aos cristãos da Vigararia de Vila Franca de Xira-Azambuja que toda a obra realizada nas paróquias da vigararia e em instituições da Igreja ou outras geridas por católicos existe “para que haja vida de Deus no mundo e para que a santidade de Deus passe para a vida das pessoas”.

 

No passado Domingo, 23 de fevereiro, D. Manuel Clemente presidiu à Eucaristia de encerramento da Visita Pastoral, no pavilhão polivalente da Fundação CEBI, e na homilia que proferiu advertiu para a necessidade de os cristãos se questionarem sobre o porquê da missão que se desenvolve na Igreja. “No culminar de uma visita pastoral como esta podemos perguntar: ‘Tudo isto que se faz para que serve?’ É bom que nos perguntemos, de vez em quando, sobre a finalidade das coisas”, sugeriu. Diante de uma assembleia de cerca de mil pessoas D. Manuel Clemente lembrou que os cristãos são “criaturas de Deus”, chamados a viver “a santidade de Deus”, e por isso mesmo “interpelados a ser santos, a ser perfeitos”. “Tudo isto serve para que a vontade de Deus se cumpra no mundo e ninguém fique fora do seu amor criador e recriador de tudo e de todos”, frisou.

Referindo-se a uma terminologia administrativa [fábrica da Igreja] relativa às paróquias, o Patriarca de Lisboa observou que “as fábricas da Igreja produzem cristãos, e se o não fizerem vão à falência e fecham”. Por isso, acrescenta concluindo: “Tudo o que fazemos existe com essa finalidade de revelar no mundo o amor do Pai”. “Temos de dar a graças a Deus porque em cada uma das paróquias visitadas Deus mostra-se”, garante.

 

Comunidade e comunhão

Na véspera do encerramento da Visita Pastoral à Vigararia de Vila Franca de Xira-Azambuja, o Patriarca de Lisboa encontrou-se, num salão da igreja dos Pastorinhos, em Alverca, com os jovens das 17 paróquias que compõem a vigararia, convidando-os a “construírem a comunidade”. Essa é, observou, “a grande tarefa” da juventude católica: “Refazer, em termos novos, a comunidade! Sem comunidade não temos missão, porque a comunidade é a missão e a missão é a comunidade”.

Questionado sobre o maior desafio que sente como Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente colocou o acento também na construção comunitária: “A nossa grande dificuldade, hoje, é aquilo que o Papa Francisco nos diz: ‘Transformarmo-nos em comunidades de missão’. Mas para isso é preciso sermos comunidades”. Falando sobre “a crise da comunidade”, o Patriarca recordou palavras do Papa Francisco na recente exortação apostólica ‘A alegria do Evangelho’: “O grande problema hoje é que nós não somos comunidade. Quando se fala em comunidade, está-se a falar numa vida em comum. O que Jesus quer é que aqueles que se juntaram a Ele, e que se juntam a Ele, século após século, sejam isto mesmo, sejam comunidade e se preocupem uns com os outros”.

Sobre a presença dos cristãos na sociedade, D. Manuel Clemente espera que sejam “um sinal e um instrumento de unidade”. “Eu não imagino o que seria do nosso país se não existissem estas mais de três mil paróquias que temos. Apesar de tudo, com as dificuldades que há, com poucos padres, às vezes com poucos leigos empenhados, as paróquias ainda são o único sítio onde grande parte da população portuguesa se encontra, todos os Domingos, independentemente de idades, das proveniências, de estatutos socais, ouve a Palavra de Cristo e é chamada a colaborar em coisas que dizem respeito a todos. Eu não imagino aquilo que seria a sociedade portuguesa se isto não existisse! Portanto, a Igreja é uma ocasião de encontro e de criação de comunidade. E isso, hoje, é fundamental! É tão fundamental, que até os não-católicos dão por isso”, observou, pedindo aos jovens: “Há tanta coisa que afasta, que desune, que separa, tanta gente que não se interessa… vocês façam a comunhão, porque é para isso que existe a Igreja: para fazer comunhão”.

 

Colocar as lentes de Deus

Antes da intervenção de D. Manuel Clemente, a jovem Joana, da Equipa d’África, deu testemunho da missão que viveu em Moçambique durante dois meses. Neste contexto, o Patriarca sublinhou, de forma especial, o momento em que Joana contou que durante a missão, juntamente com os colegas, “ficou pasmada e admirada com tudo o que lá acontecia”. Para D. Manuel, Joana ‘adquiriu’ uma lente especial durante a sua missão. “Nós começamos a ficar pasmados quando começamos a ver Deus em tudo, porque pusemos as lentes para ver Deus. Há uma única lente para nós conseguirmos ver Deus, que é amar!”. O Patriarca lembrou, a propósito, um texto de um dos primeiros discípulos de Jesus. “Na primeira Carta de São João, o evangelista diz-nos: ‘Quem diz que ama a Deus, mas realmente não ama os outros, não sabe o que está a dizer e está a mentir. Porque Deus é amor, e só quem ama conhece a Deus’. Portanto, nós para vermos Deus precisamos de pôr as lentes de Deus, que são o amor”. Joana referiu que a missão de ver Deus continua em Portugal, mais concretamente em Lisboa. “É tão importante isto que esta jovem disse”, salientou o Patriarca. “Hoje em dia a missão é aqui e agora”, garantiu.

 

Estado permanente de missão

Lembrando que no seu tempo de catequese, no início da segunda metade do século XX, os missionários “eram aqueles e aquelas que partiam para muito longe”, D. Manuel Clemente frisou que a missão, hoje, é em todo o lado. “A pouco e pouco, foi-se descobrindo – e agora, então, com o Papa Francisco não se fala de outra coisa! – que a missão é em todo o lado e para todo o lado. Pode ser longe, pode ser perto… Tanto se pode ir para milhares de quilómetros de distância, como se pode ir para o andar de cima do prédio onde se vive e onde é preciso testemunhar Jesus Cristo e o amor de Deus. Esta é uma novidade relativa, porque noutros séculos não se tinha chegado a esta compreensão tão certa, de que a missão não é um compartimento na vida da Igreja, nem é só para alguns. É para nós todos! O Papa Francisco escreveu-nos agora esta exortação apostólica e diz que a finalidade é fazer com que toda a Igreja entre ‘num estado permanente de missão’. Que todos nós sejamos missionários”, advertiu D. Manuel Clemente.

Neste encontro vicarial de jovens, que decorreu no sábado, dia 22 de fevereiro, o Patriarca de Lisboa pediu ainda aos jovens para darem atenção ao outro. “Aquilo que Jesus Cristo nos proporciona – que com Ele aconteceu e que pode e deve acontecer connosco porque Ele nos dá o seu Espírito – é não nos fecharmos em nós próprios, mas partirmos constantemente para além de nós, mesmo que seja na atenção que damos a quem está ao nosso lado. Nós todos os dias nos cruzamos com gente – e vocês, concretamente, nas ruas, nas escolas, nas paróquias, nas casas, nos prédios, numa fila de autocarro, em todo o lado e a toda a altura – que está à nossa espera! À espera de uma atenção, à espera de uma palavra, à espera de um gesto. Estar em missão, disse o Papa Francisco, é estar constantemente em saída! Sair de nós próprios e ir ao encontro dos outros! Porque quando nós fazemos isto, tocamos o mundo de Deus, temos as lentes de Deus e vê-mo-l’O em toda a parte”, assegurou D. Manuel Clemente aos jovens católicos, reunidos em Alverca.

 

Balanço

O vigário da Vigararia de Vila Franca de Xira-Azambuja considera que a Visita Pastoral que terminou no passado Domingo, dia 23 de fevereiro, "foi um momento de Pentecostes". Em declarações ao Jornal VOZ DA VERDADE, o padre António Cardoso sublinhou que cada encontro realizado pelo Patriarca D. Manuel Clemente e os Bispos Auxiliares, D. Joaquim Mendes e D. Nuno Brás, aos vários setores da vida eclesial da vigararia "foi um cenáculo". "As pessoas tomaram a consciência daquilo que são", observa o sacerdote, que é também pároco de Aveiras de Cima e Aveiras de Baixo. "Mais do aquilo que o Bispo veio dizer, o Bispo fez sentir às pessoas aquilo que estão a ser e o que estão a fazer", salientou. Para o padre António Cardoso a oportunidade da Visita Pastoral serviu para um "aprofundar da fé, o reavivar da esperança e um reanimar da caridade", o que, acentua, "foi uma nota muito positiva" nesta visita pastoral.

Com o terminar da Visita Pastoral, ficam agora alguns desafios, e os setores da pastoral social, da evangelização, pela catequese e a pastoral juvenil, e a pastoral familiar são, segundo o vigário, algumas das áreas onde é preciso "estabelecer sinergias". Relevando que "todas as paróquias" da vigararia têm atenção à dimensão da caridade, o padre António Cardoso destaca: "Graças a Deus que a caridade é o rosto da Igreja e as nossas comunidades transmitem esta predileção pelos mais sofredores e os mais pobres".

 

Boa notícia

Durante a Visita Pastoral a esta Vigararia de Vila Franca de Xira-Azambuja o Patriarca de Lisboa anunciou a realização de um Sínodo em 2016, e por isso esta possibilidade de encontro da vigararia com o seu Pastor pode ser entendida também como "uma rampa de lançamento" a apontar para o Sínodo. "Quando uma vigararia vive uma Visita Pastoral vive num dinamismo e numa predisposição para muito mais", garante. Observando que "o mais importante é agora", o padre António Cardoso deixa um último apelo que é também um objetivo: "Que a Igreja seja uma boa notícia. Graças a Deus que o é, mas que seja cada vez mais!".

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão e Nuno Rosário Fernandes
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