‘Evangelii Gaudium’ |
‘Evangelii gaudium’ (nº 101 a 109) – Capítulo II
Evangelização das categorias profissionais e intelectuais
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A terminar o segundo capítulo da Exortação Apostólica, o Papa Francisco enumera outros desafios eclesiais que se colocam tendo em conta que “a maioria do povo de Deus é constituída por leigos”. Reconhecendo que os ministros ordenados, “que são uma minoria”, estão ao serviço desta maioria, Francisco observa que “cresceu a consciência da identidade e da missão dos leigos na Igreja”. “Embora não suficiente, pode-se contar com um numeroso laicado, dotado de um arreigado sentido de comunidade e uma grande e uma grande fidelidade ao compromisso da caridade, da catequese, da celebração da fé”, sublinha o Papa lembrando que esta consciência da responsabilidade laical “nasce do batismo e da confirmação”. Porém, repara Francisco, esta mesma consciência “não se manifesta de igual modo em toda a parte”, ou por falta de formação dos próprios leigos “para assumir responsabilidade importantes”, ou por não haver espaço nas Igreja particulares devido “a um excessivo clericalismo”. Nesta linha, ainda, o Sumo Pontífice refere que o empenhamento dos leigos na Igreja, “não se reflete na penetração dos valores cristãos no mundo social, político económico”. Por isso, Francisco aponta a formação dos leigos e a evangelização das categorias profissionais e intelectuais como “um importante desafio pastoral”.

 

A presença da mulher na Igreja

Outro desafio eclesial apontado pelo Papa Francisco prende-se com a presença da mulher nas decisões da Igreja. Lembrando a “indispensável contribuição” da mulher na sociedade, pela sua “sensibilidade, intuição e certas capacidades peculiares”, o Papa argentino manifesta o seu agrado por ver que há “muitas mulheres que partilham responsabilidades pastorais juntamente com os sacerdotes”, mas considera que “é preciso ampliar espaços para uma presença feminina mais incisiva na Igreja”. Por isso afirma, citando também o Pontifício Conselho Justiça e Paz: “‘Deve ser garantida a presença das mulheres também no âmbito do trabalho’, e nos vários lugares onde se tomam as decisões importantes, tanto na Igreja como nas estruturas sociais”.

 

Sacerdócio ordenado é reservado aos homens

Diante deste desafio coloca-se uma questão que vem sendo reivindicada por determinados movimentos acenando para uma “mesma dignidade” de homens e mulheres. Para o Papa Francisco, o tema da ordenação sacerdotal reservada aos homens é um assunto encerrado, embora não tenha encontrado ecos na comunicação social. No entanto, alerta o Papa, o sacramento não pode ser associado a uma dimensão de poder. “O sacerdócio reservado aos homens, como sinal de Cristo-Esposo que se entrega na Eucaristia, é uma questão que não se põe em discussão, mas pode tornar-se particularmente controversa se se identifica demasiado a potestade sacramental com o poder”. “Na Igreja, as funções ‘não dão justificação à superioridade de uns sobre os outros’”, acrescenta.

 

Pastoral juvenil

As mudanças sociais que se foram verificando vieram transformar, também, o modo de estar da juventude e a sua forma de estar na Igreja, o que traz também desafios ao modo de fazer pastoral juvenil. “Nas estruturas ordinárias, os jovens habitualmente não encontram respostas para as suas preocupações, necessidades, problemas e feridas”. Por isso, muitas vezes as associações e outros movimentos juvenis, que “podem ser interpretados como uma ação do Espírito”, são uma resposta, que “abre caminhos novos em sintonia com as suas expectativas e a busca de espiritualidade profunda e dum sentido mais concreto de pertença”. No entanto, alerta o Papa Francisco, “é necessário tornar mais estável a participação destas agregações no âmbito da pastoral de conjunto da Igreja”.

Por outro lado, o Papa que vem do ‘fim do mundo’, como o próprio se apelidou no início do seu Pontificado, reconhece que hoje em dia, apesar da “crise de compromisso e dos laços comunitários”, os jovens estão atentos e solidarizam-se “contra os males do mundo, aderindo a várias formas de militância e voluntariado” e participando na vida da Igreja.

 

Comunidades são responsáveis pelas vocações

Perante o desafio que se coloca à Igreja pela escassez de vocações, o Papa Francisco observa que “frequentemente isso fica-se a dever à falta de ardor apostólico contagioso nas comunidades, pelo que estas não entusiasmam nem fascinam”. “Onde há vida, fervor, paixão de levar Cristo aos outros, surgem vocações genuínas”, garante sublinhando, no entanto, que “é a vida fraterna e fervorosa da comunidade que desperta o desejo de se consagrar inteiramente a Deus e à evangelização”.

Porém, e apesar da escassez de vocações o Papa Francisco alerta para uma necessidade de “melhor seleção dos candidatos ao sacerdócio”. “Não se podem encher os seminários com qualquer tipo de motivações, e menos ainda se estas estão relacionadas com insegurança afetiva, busca de formas de poder, glória humana, ou bem estar económico”.

Em jeito de conclusão deste segundo capítulo da Exortação Apostólica ‘A Alegria do Evangelho’, o Papa Francisco deixa um apelo: “Os desafios existem para ser superados. Sejamos realistas, mas sem perder a alegria, a audácia e a dedicação cheia de esperança. Não deixemos que nos roubem a força missionária!”.

texto por Nuno Rosário Fernandes
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