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Papa escreve carta às famílias
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O Papa Francisco escreveu às famílias sobre o próximo Sínodo dos Bispos. Na semana em que deixou uma mensagem aos novos cardeais, o Papa falou da Unção dos Doentes e da guerra, e fez uma nomeação.

 

1. “Queridas famílias, apresento-me à porta da vossa casa para vos falar de um acontecimento…”. É assim que Francisco começa esta carta pedindo às famílias cristãs que rezem pelo próximo sínodo extraordinário de outubro. Dedicado ao tema da família, trata-se de um encontro que envolve todo o povo de Deus, diz o Papa, por isso, “o apoio da oração é necessário e significativo, para que o Espírito Santo ilumine os padres sinodais e os guie na sua exigente tarefa”. Além deste sínodo, ainda haverá outro em 2015 e um encontro mundial das famílias de 2016. É neste contexto que Francisco pede a todos que se unam em oração para que a Igreja realize um verdadeiro caminho de discernimento e adote os meios pastorais adequados para ajudarem as famílias a enfrentar os desafios atuais à luz do Evangelho. Francisco recorda ainda a todas as famílias que o amor autêntico brota de Jesus e aproveita para pedir e agradecer as orações de todos pelos bispos e também pelo próprio Papa, para que possa servir o povo de Deus na verdade e na caridade.

Também esta semana o Vaticano revelou que já foi feita uma versão preliminar do documento que resume as respostas às questões do inquérito sobre a evangelização no contexto das famílias. No comunicado publicado pela Santa Sé não é revelada a tendência das respostas recebidas, mas é dito que a taxa de inquéritos preenchidos pelos fiéis é “altíssima” e que estas comprovam a urgência de anunciar com novo vigor e de uma nova forma o Evangelho da família.

Recorde-se que família foi o tema do Consistório Extraordinário que decorreu quinta e sexta-feira no Vaticano, dias 20 e 21 de fevereiro, com o Papa a pedir aos cardeais para o ajudarem a defender a família. “Hoje, a família é desprezada, é maltratada, pelo que nos é pedido para reconhecermos como é belo, verdadeiro e bom formar uma família, ser família hoje; reconhecermos como isso é indispensável para a vida do mundo, para o futuro da humanidade”, salientou o Papa, no arranque dos trabalhos, aos 185 cardeais presentes. Francisco sublinhou ainda que a família é “a célula fundamental da sociedade humana”, convidando os participantes nesta reunião a ter “sempre presente a beleza da família e do matrimónio, a grandeza desta realidade humana, tão simples e ao mesmo tempo tão rica, feita de alegrias e esperanças, de fadigas e sofrimentos, como o é toda a vida”.

 

2. O Papa Francisco deixou uma mensagem aos 19 cardeais criados no sábado, dia 22. “Os que receberam o ministério de guia, de pregação, de administrar os sacramentos, não devem considerar-se proprietários de poderes especiais, patrões, mas pôr-se ao serviço da comunidade, ajudando-a a percorrer com alegria o caminho da santidade. A Igreja hoje confia o testemunho deste estilo de vida pastoral aos novos cardeais e que o Senhor nos dê a graça de trabalhar pela unidade da Igreja, de construir esta unidade, porque a unidade é mais importante do que os conflitos”, referiu o Papa, durante a oração do Angelus.

Na celebração de criação de novos cardeais, o Papa Francisco sublinhou o que a Igreja espera dos novos membros do colégio cardinalício. “A Igreja precisa de vós, da vossa colaboração e, antes disso, da vossa comunhão. Comunhão comigo e entre vós. A Igreja precisa da vossa coragem para anunciar o Evangelho, a tempo e fora de tempo, e para dar testemunho da verdade. A Igreja precisa da vossa oração pelo bom caminho do rebanho de Cristo. A Igreja precisa da vossa compaixão, sobretudo neste momento de tribulação e sofrimento em tantos países do mundo”.

Na primeira fila da celebração esteve o Papa Emérito Bento XVI, que pela primeira vez participou numa celebração presidida pelo Papa Francisco.

 

3. Na audiência-geral de quarta-feira, o Papa lamentou que o Sacramento da Unção dos Doentes seja cada vez menos pedido pelos fiéis. “A Carta de São Tiago recomenda que os doentes chamem os presbíteros, para que rezem por eles ungindo-os com o óleo. De fato, Jesus ensinou aos seus discípulos a mesma predileção que Ele tinha pelos doentes e atribulados, difundindo alívio e paz. O problema é que cada vez menos se pede para celebrar este sacramento. Há um pouco a ideia que depois da visita do sacerdote a um doente chega o caixão da funerária”, observou, lamentando: “Em muitas famílias cristãs chegou-se a uma situação em que, debaixo do influxo da cultura e da sensibilidade moderna, considera-se o sofrimento e a própria morte como um tabu, como algo que se deve esconder e falar o menos possível. É preciso lembrar a todos aqueles que consideram o sofrimento e a morte como um tabu, que, na unção dos enfermos, Jesus nos mostra que pertencemos a Ele e que nem a doença, nem a morte, poderão separar-nos d’Ele”.

Durante a audiência-geral, o Papa apelou ainda à paz na Venezuela, convidando o Governo e a oposição a um diálogo “sincero”.

 

4. Há crianças a morrer de fome em campos de refugiados, enquanto fabricantes de armas organizam festas em salões. Palavras fortes usadas pelo Papa, na manhã de terça-feira, durante a missa na Casa Santa Marta. “Parece que o espírito da guerra tomou conta de nós. Fazem-se atos comemorativos para o centenário da Grande Guerra, tantos milhões de mortos… E todos se escandalizam! Mas hoje é o mesmo! Em vez de uma grande guerra, há pequenas guerras por todo o lado, povos divididos e, para conservarem o seu interesse, destroem-se e matam-se uns aos outros. E a consequência? Pensem nas crianças esfomeadas nos campos de refugiados. E, se quiserem, pensem nos grandes salões, nas festas que organizam os patrões das indústrias de armamento, que fabricam armas…!”, alertou Francisco, que terminou a homilia com um veemente “Deus nos livre de nos habituarmos às notícias de guerra!”.

 

5. O Papa criou esta semana um novo departamento – o Secretariado para a Economia – que fica encarregue de supervisionar toda a atividade económica e administrativa do Vaticano e, para o chefiar, nomeou o atual Arcebispo de Sidney, cardeal George Pell, que é um dos oito cardeais nomeados pelo Papa Francisco para o aconselhar sobre a reforma da Cúria Romana. Para apoiar o novo prefeito do Secretariado da Economia será criada ainda uma comissão de 15 pessoas - oito cardeais ou bispos e sete peritos leigos - e, por fim, o Papa nomeará ainda um novo auditor-geral, que terá o poder de fazer auditorias a qualquer agência do Vaticano, em qualquer altura.

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