Missão |
Irmã Cecília Ribeiro
40 anos ao serviço do povo angolano
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A Ir. Cecília Ribeiro está de visita a Lisboa e, em breve, seguirá para Espanha para uma intervenção cirúrgica. Aproveitámos a oportunidade para falar com esta missionária de 81 anos, que, em 1973, foi enviada para Angola e cuja missão no país se prolonga até hoje.

 

Descobrir a vocação

Há 40 anos em Angola, Ir. Cecília Ribeiro assumiu no país diferentes serviços. Quem a conhece, descreve-a como uma missionária profundamente alegre, dedicada e generosa. A completar 82 anos em abril próximo, mantém-se ativa e com entusiasmo para continuar a cumprir com a sua vida o plano de Deus. Oriunda da diocese de Lamego é a terceira filha de 10 irmãos. Os seus pais, crentes e sempre preocupados com a educação dos filhos, empenharam-se na sua formação, sobretudo na vivência de valores humanos, espirituais e morais. Foi pela mão do seu irmão mais velho que a Ir. Cecília encontrou as Irmãs Escravas da Santíssima Eucaristia e aí descobriu a sua vocação. “Ao entrar na Capela, deparei-me com o Santíssimo Sacramento exposto na Tribuna e senti-me a beber, na fonte Eucarística. Foi a partir daí que a minha vocação religiosa despertou e se foi manifestando e amadurecendo mais fortemente”, recorda. No ano seguinte entrou na Congregação e três anos depois fez a sua profissão perpétua. Durante 21 anos, trabalhou em Portugal, dedicando-se a trabalhos domésticos e, em especial, à catequese das crianças, nas paróquias onde a Congregação está inserida.

 

Encontrar Deus no sofrimento

Em 1973, então com 41 anos, foi enviada para Angola. “Esta notícia, deixou-me muito feliz, pois era um sonho que eu vinha acalentando há muito tempo e que, deste modo, podia ver realizado”, afirma. Dois anos depois de ter chegado a Angola rebentou a guerra civil. Entre 1975 e 1992 “vivemos um período bastante duro e muito preocupante, marcado, pelo sofrimento de muita gente, onde tudo faltava”, conta-nos. A Ir. Cecília trabalhava com uma população numerosa, indefesa, desprotegida, carente de tudo, especialmente de alimentos. “Aqui tivemos de pôr mãos à obra e ajudar estas pessoas a procurar alimentos para sobreviverem humanamente. Era grande a nossa preocupação devido ao elevado número de crianças, que nos chegavam, das províncias, muito desnutridas, às quais procurávamos dar assistência, em primeiro lugar. Tenho bem gravado, na minha mente, o olhar daquelas crianças indefesas, como que a pedir socorro!...” No meio de tanto sofrimento, espelhado no rosto das pessoas que acolhia, a Ir. Cecília sentia a profunda presença de Deus, que lhe dava força e a encorajava a continuar o seu trabalho, por vezes tão difícil. “Perante toda esta situação de sofrimento que estas pessoas viviam, e que tão profundo me marcou, senti-me impulsionada a tomar a forte decisão de jamais abandonar este povo.”

A partir de 1992, a situação tornou-se ainda mais complicada. Neste período de guerra, intitulado de “caça ao homem”, a descriminação era grande e a insegurança era total. Nesta altura, a Ir. Cecília assistiu a uma deslocação em massa da população que vinha das províncias para a cidade, tomando a seu cargo 400 órfãos de guerra. Tornou-se colaboradora do Programa Alimentar Mundial e a sua principal missão era garantir uma alimentação condigna às crianças que tinha a seu cargo.

 

Fazer tudo com os olhos n’Ele

Com o fim da guerra e com uma maior estabilidade política, tudo foi melhorando. Hoje, a Ir. Cecília dedica-se apenas à pastoral juvenil e à catequese das crianças. Sente-se realizada com esta sua nova missão e procura dar testemunho de Jesus Cristo em qualquer lugar, “fazendo tudo com os olhos n’Ele, ciente de que, só com Ele seremos capazes de fazer algo a favor dos outros.”Com 81 anos, sente que fisicamente as forças lhe começam a falar, “mas ainda me sinto com bastante energia espiritual, o que me leva a dizer que vale a pena apostar no projeto que Deus traçou para mim.”

Diz-nos quem a conhece bem, que a Ir. Cecília é admirada e estimada por todos. Tem grande influência junto dos grandes para apoiar os pobres. É uma mulher de Deus, dedicada ao anúncio do Evangelho e ao serviço do bem. Está em Portugal de passagem e deseja regressar a Angola, para continuar a entregar-se à Missão. No seu rosto vemos espelhada a alegria do Evangelho.

texto por Ana Patrícia Fonseca, FEC – Fundação Fé e Cooperação
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