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Tanzânia: será este o novo alvo dos radicais islâmicos?
Dias de medo em Zanzibar
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Ataques com motivação religiosa começam a ser cada vez mais frequentes na Tanzânia, muito especialmente no arquipélago de Zanzibar, onde um grupo terrorista quer implantar um Estado islâmico. Alvo principal das ameaças: a comunidade cristã.

 

Já são vários os ataques contra cristãos nestas duas ilhas (Zanzibar e Pemba) que compõem um estado semiautónomo da Tanzânia e que fazem temer um crescendo de violência instigada por diversos grupos radicais islâmicos.

O Bispo D. Augustine Shao fala mesmo de uma “onda de intolerância” religiosa a que ninguém parece estar a salvo. “Alguns radicais muçulmanos defendem que a maioria islâmica não deve tolerar quaisquer outras religiões”, afirma o prelado, recordando ameaças que foram sendo proferidas contra “sacerdotes e bispos”. E que se cumpriram.

 

“Até eu tenho medo”

 No Natal de 2012, um sacerdote foi alvejado, tal como em Fevereiro de 2013. Em Setembro do ano passado, outro padre foi atacado, desta vez com ácido, ficando gravemente ferido no rosto, braços e peito. O Bispo de Zanzibar, D. Augustine Shao, diz que este último incidente - o quarto do género ocorrido no arquipélago – veio criar uma onda de medo na comunidade cristã. “Todos têm receio: sacerdotes, religiosas, paroquianos… Até eu tenho medo. Vivemos como se fossemos delinquentes que querem capturar. É triste que nenhum dos atacantes tenha sido ainda detido pela polícia, tanto mais que este acto criminoso (o ataque com ácido) ocorreu em plena luz do dia e no mercado”, acrescenta o prelado à Fundação AIS.

 

Passividade das autoridades

A comunidade cristã na Diocese de Zanzibar é pequena. Não são mais do que cerca de 10 mil fiéis, inseridos numa população de quase 1 milhão de habitantes, de maioria muçulmana.

O bispo acusa a passividade das autoridades que não fizeram nada quando se começou a semear uma campanha de ódio e propaganda contras as outras crenças religiosas, nomeadamente os Cristãos. Agora, as autoridades parecem impotentes e incapazes de “garantir a segurança das pessoas e, especialmente, das minorias”.

 

Mais ataques

Não fica por aqui o registo de ódio e perseguição. Durante os últimos tempos, houve também ataques a igrejas, tendo muitas delas sido incendiadas. Uma data ninguém esquece: 28 de Maio de 2012. Decorria uma Missa em Zanzibar quando um grupo de jovens extremistas islâmicos entrou no templo, armados de paus e barras de ferro, e, sem que alguém tivesse sequer tempo para reagir, deitaram fogo aos bancos da igreja, partiram portas, destruíram cálices, vandalizaram a sacristia.

Imagine-se o pânico que se instalou entre os Cristãos. Agora, diz o bispo, a comunidade está empenhada ainda na recuperação da igreja e quer construir uma vala de protecção em seu redor. Pode não valer de muito, mas o sentimento de insegurança é enorme.

Em Agosto de ano passado, duas jovens inglesas, de 19 anos, que se encontravam em Zanzibar em trabalho voluntário, foram atacadas também com ácido no rosto e nos braços em plena zona histórica da cidade.

 

Despertar para a violência

O Bispo Barnardin Mfumbusa, que se encontra há três anos à frente da Diocese de Kondou, no coração da Tanzânia, teme uma radicalização da violência religiosa. Diz ele à Fundação AIS: “A Tanzânia tem uma população maioritariamente muçulmana, estimada em cerca de 35 %. Um grupo, conhecido como Uamsho, que quer dizer 'despertar', tem vindo a incitar à violência, especialmente em Zamzibar. Têm aparecido panfletos com mensagens específicas contra os Cristãos ou contra instituições cristãs. Até já foi encerrada uma emissora de rádio por incitamentos à violência religiosa”.

O medo está também associado a notícias de que elementos das milícias Al Shabaab foram identificados na cidade costeira de Tanga, junto da ilha de Pemba, do arquipélago de Zanzibar. “O maior perigo, actualmente, é a infiltração de jihadistas estrangeiros e o regresso ao país de radicais tanzanianos, que têm vindo a ser treinados fora do país”, acrescenta Mfumbusa.

Separar Zanzibar da Tanzânia e instaurar aí um Estado islâmico, parece ser o propósito destes grupos radicais. Por causa disso, em mais um país de África, os Cristãos são ameaçados pelo extremismo islâmico. Uma tendência que tem vindo a ganhar contornos alarmantes nos últimos anos.

 

www.fundacao-ais.pt | 217 544 000

texto Paulo Aido, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre
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