Lisboa |
Damaia tem novo pároco após 42 anos
Continuar a juntar as famílias na missão
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Foi um sacerdote que imprimiu na Damaia a consciência da missão dos leigos na Igreja. O padre Manuel Lopes foi pároco da Damaia durante 42 anos e fez do perdão o seu maior auxílio. Esta paróquia nos arredores da Amadora, desde sempre confiada aos Padres Redentoristas, vive agora a chegada de um novo pastor, o padre Eugénio.

 

Depois de 42 anos como pároco, o padre Manuel Lopes deixou a paróquia da Damaia no passado mês de fevereiro. Hoje, o sentimento é de missão cumprida. “Sinto que fiz alguma coisa de bom. Por todos!”, manifesta este Padre Redentorista ao Jornal VOZ DA VERDADE. Ordenado em 1964, o padre Lopes chegou à paróquia da Damaia em 1972. Tinha então 33 anos. “A minha aposta, ao longo destes anos, foi sempre a mesma: trabalhar para a comunidade e lutar para ter uma igreja digna”.

Ao longo das mais de quatro décadas na Damaia, o padre Lopes batizou muita gente e casou muitos casais. Foram também muitos os projetos e iniciativas que implementou e que procurou prestar apoio. Questionado, por isso, sobre se há algo que gostaria de ter feito na Damaia e que não foi possível concretizar, o padre Lopes é pronto na resposta: “Nem tive tempo para pensar nisso… ao longo dos anos tive tanto que fazer!”. A procura da comunhão foi uma constante. Para isso, este sacerdote socorreu-se de uma ‘arma’ que considera essencial. “Na minha vida há algo que sempre teve muita importância: perdoar! Sempre! Nós, aos leigos, temos que perdoar, sempre! Isso é a base, o fundamento para se fazer alguma coisa”, garante.

 

O testemunho da catequese

A nível pastoral, a grande aposta do padre Lopes ao longo de mais de 40 anos foi a catequese. “Quase diria que aquilo em que mais me empenhei foi ter bons catequistas. Graças a Deus, aqui na Damaia há bons catequistas, que não falham. Cada um tem um grupo e a verdade é que as várias salas de catequese da paróquia estão todas cheias! Isso é algo que tem feito um bem imenso à comunidade”, destaca o agora antigo pároco.

José Salsa é um dos 80 catequistas da paróquia e é também um dos responsáveis da catequese. Nestes dias em que a paróquia da Damaia conhece um novo pastor, José observa que “a catequese sempre foi uma grande preocupação e aposta do padre Lopes”. “O nosso antigo pároco sempre apostou muito na evangelização através da catequese”, garante. Ao Jornal VOZ DA VERDADE, José Salsa frisa que “a Damaia é uma paróquia com mais de 500 crianças, adolescentes e jovens na catequese” e explica a aposta. “Aqui, a catequese não se fica pelo 10º volume. Temos mais do que os 10 anos, porque há grupos de jovens que, após fazerem o Crisma, são desafiados a darem continuidade à formação, que deve ser contínua sempre, na nossa vida. Atualmente, temos quatro grupos de catequese de jovens que já foram crismados”, refere este responsável, que nasceu na Damaia, há 52 anos. “A minha vida na Igreja vem desde cedo. A minha mãe era catequista e eu apenas continuei esse testemunho que ela me deu”, refere.

Da obra do antigo pároco, José Salsa destaca igualmente o empenho na música como forma de evangelização. “Esta comunidade sempre teve uma vertente musical muito forte, a nível de coros e de grupos de jovens. Desde o início da presença dos Padres Redentoristas na paróquia, sobretudo devido ao trabalho do padre Quinteiro que dinamizou a evangelização pela música”. José observa que a paróquia da Damaia “sempre teve uma forte participação nos festivais da canção da vigararia e da diocese”. “Era fácil ver que a Damaia ganhava muitos festivais, mas o importante nunca foi o ganhar, mas a participação, o estar lá”, garante este leigo. “Aos poucos foi-se perdendo um pouco essa força, mas creio que está a chegar uma nova fase na vida da paróquia que nos vai fazer revitalizar isso. É essa a esperança!”, aponta José Salsa.

 

Uma paróquia Redentorista

Até à década de 50 do século passado, a Damaia apresentava uma típica paisagem rústica. O maior crescimento da população ocorreu na década de 70. Antes, nos anos 60, esta terra recebeu alguns jovens casais pertencentes à Juventude Operária Católica que começaram a pedir ao pároco da Amadora, e também ao Patriarcado de Lisboa, um lugar para celebrar a Eucaristia na Damaia. É então construída uma pequena capela provisória, situada junto ao local onde hoje se ergue a igreja paroquial. A primeira Missa na capela, ainda em construção, é celebrada a 8 de dezembro de 1964. A comunidade cristã na Damaia foi crescendo e em decreto assinado pelo Cardeal Cerejeira, a 10 de setembro de 1966, a Damaia, juntamente com a Buraca e a Venda Nova, destacava-se da paróquia da Amadora, constituindo o Vicariato Paroquial da Damaia. A chegada dos Padres Redentoristas acontece nesse ano, a 1 de outubro, com os padres João Vaz e José Bernardo a assumirem a direção da nova comunidade. A paróquia do Santíssimo Redentor da Damaia foi então constituída a 1 de maio de 1969. Nessa época, e com o crescimento populacional, a pequena capela já não dava resposta à comunidade cristã. Desta forma, em 1971 é benzida a primeira pedra da futura igreja paroquial da Damaia, que viria a ser consagrada em 28 de junho de 1981. “Eu estive presente nos momentos do começo da paróquia”, recorda o padre Lopes, sublinhando que, “ao longo destes quase 50 anos”, a paróquia da Damaia tem estado “sempre confiada aos Padres Redentoristas”.

 

Corresponsabilizar

Francisco João Figueiras foi morar para a Damaia precisamente no ano em que o padre Lopes chegou a esta paróquia. Casou no Alentejo há 42 anos e estabeleceu-se, desde logo, nesta zona da Amadora. “Recordo-me de ir à Missa na capela, que estava sempre cheia! Não conhecia ninguém mas com o passar do tempo fui-me envolvendo na vida da paróquia”, recorda este leigo ao Jornal VOZ DA VERDADE. Há mais de 30 anos os filhos de Figueiras fizeram a catequese nesta paróquia e este leigo ainda hoje se mantém pela Damaia, onde colabora ativamente. A paróquia, através dos vicentinos, apoia atualmente 118 famílias e Figueiras destaca “a colaboração da catequese na recolha de alimentos”, a que se junta o apoio do Banco Alimentar.

Vítor Ferreira chegou à Damaia em 1962-63. Como na época não estava constituída a paróquia, Vítor foi colaborar nos escuteiros da paróquia de Benfica, com o padre Álvaro Proença. “Uns anos mais tarde, quando foi criada a paróquia da Damaia, o padre Álvaro aconselhou-nos a virmos para cá para fazermos o nosso trabalho e criarmos aqui o agrupamento do CNE – Corpo Nacional de Escutas”, conta ao Jornal VOZ DA VERDADE este leigo, que foi chefe de agrupamento durante cerca de dez anos. Nos dias de hoje, a Damaia tem “um bom agrupamento de escuteiros”, mas que “pouco tem a ver” com o tempo em que Vítor foi escuteiro. “Na altura, os escuteiros participavam mais na vida da paróquia. Hoje em dia estão um pouco afastados. Devia haver uma comunhão maior”, aponta.

Vítor Ferreira casou na Damaia, em 1967, e refere que a sua família sempre foi muito ligada à paróquia. “Os meus sogros faziam da paróquia a sua casa. Vinham para aqui de manhã e saíam à noite. Foram uns bons obreiros e transmitiram-me muito daquilo que eu hoje sou. Recordo-me de andar com eles, de porta em porta, a pedir para a construção da capela e depois da igreja”. Ao longo dos anos, Vítor foi sendo desafiado pelo pároco. “Nestes anos todos, o padre Lopes foi-me convidando para fazer muitos serviços aqui na paróquia, incluindo o ministério de Ministro Extraordinário da Comunhão e também das exéquias, que eu pensei não ser capaz mas com o qual tenho aprendido muito”, observa este leigo, que tem agora um novo desafio pela frente: “O senhor Sousa, de 84 anos, esteve mais de 20 anos na secretaria paroquial mas deixou recentemente esse serviço e o padre Lopes convidou-me para eu o substituir… e aqui estou!”.

 

Todos na missão

Depois de 42 anos com o mesmo pároco, Vítor Ferreira assume que a paróquia da Damaia “sentiu muito” a saída do padre Lopes. “A paróquia, nesta altura, sente muito a saída do padre Lopes, porque foi um homem que fez um trabalho extraordinário. Na minha óptica, o padre Lopes conseguiu juntar o que poucas paróquias conseguem, que é ter pais, filhos, netos e avós a trabalharem para a missão!”. O envolvimento dos leigos na vida da comunidade cristã é uma das obras deixada pelo padre Lopes. “A nível da catequese, os pais foram sendo convidados para serem catequistas, outros a participar noutras atividades e hoje são muitos os pais que estão empenhados na paróquia: uns nos grupos corais, outros na catequese, outros como elementos do conselho paroquial… O desejo do padre Lopes foi sempre esse: juntar as famílias na missão”.

Com a mudança de pároco, Vítor Ferreira manifesta também a esperança que a comunidade cristã deposita no novo Padre Redentorista que agora assume a paróquia da Damaia. “O padre Eugénio foi muito bem recebido pela paróquia! As pessoas gostam dele e têm muita esperança que ele venha dar uma lufada de ar fresco”.

 

Um pároco do mundo

O padre Eugeniusz Augustyn Fasuga, mais conhecido por padre Eugénio, assumiu a direção pastoral da paróquia da Damaia no passado dia 22 de fevereiro, numa celebração presidida por D. Joaquim Mendes, Bispo Auxiliar de Lisboa. Natural da Polónia, este sacerdote nascido em 1971 foi ordenado em 1997 e começou desde logo a trabalhar no Santuário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Cracóvia, e numa escola, como catequista de jovens entre os 15 e os 20 anos, uma vez que neste país de leste “a catequese é dada nas escolas”. Antes da chegada a Portugal, o padre Eugénio adquiriu “experiência missionária em vários lugares do mundo”, como o Brasil – onde esteve entre o ano 2000 e 2006, primeiro numa paróquia da Bahia, depois no seminário e finalmente nas missões populares –, a Irlanda – de 2006 a 2009, onde acompanhou os imigrantes polacos –, e os Estados Unidos da América – entre 2009 e 2011, para trabalhar num hospital e numa paróquia de emigrantes portugueses. Em fevereiro de 2012 acontece a chegada ao nosso país, “para dar apoio à missão dos Redentoristas em Portugal”. Após conhecer todas as comunidades do país onde os Redentoristas estão presentes, o padre Eugénio passou depois um ano em Fátima, “como capelão, a acompanhar as peregrinações de polacos”.

Neste novo ano, uma nova missão: a paróquia da Damaia, que tem cerca de 20 mil habitantes. “Estou a ver, até por esta reportagem com os nossos leigos, que as expectativas são grandes! Da minha parte, podem sempre contar com a dedicação da minha pessoa, mas claro que é Deus quem conduz o nosso caminho. Ele vai mostrar!”, assegura ao Jornal VOZ DA VERDADE. Para este sacerdote, “a Igreja tem de despertar a consciência maior da participação dos leigos na missão”. “O que realmente também me fez abraçar este trabalho pastoral com a Damaia foi a dimensão dos leigos, que têm uma grande participação nesta paróquia. Na Damaia, por toda a participação e abertura do padre Lopes, essa consciência já foi iniciada há anos e não é nenhuma novidade”, observa. O grande desejo do novo pároco da Damaia é “fazer comunidade com as pessoas que têm a alegria de participar e caminhar na Igreja”, indo também “ao encontro daqueles que estão fora e têm sede de Deus”.

Com a chegada do padre Eugénio à paróquia da Damaia, o padre Manuel Lopes, que durante 42 anos assumiu a comunidade cristã, deixa uma certeza: “A paróquia da Damaia está bem entregue!”.

 

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A missão Redentorista

Fundada por Santo Afonso de Ligório, em Scala (Itália), em 1732, a Congregação do Santíssimo Redentor (Redentoristas), tem como carisma “a proximidade junto do povo, junto dos pobres”, refere o provincial, padre António Marinho. Em Lisboa, além da Damaia, os Padres Redentoristas estão presentes também nas paróquias da Buraca e da Venda Nova. “São lugares privilegiados para enraizar o carisma e a missão redentorista, em comunhão com os leigos”, destaca.

Provincial há três anos, num mandato de quatro, o padre Marinho deixa, através do Jornal VOZ DA VERDADE, uma “palavra de agradecimento ao padre Lopes”. “A paróquia da Damaia, a Igreja de Lisboa e nós, Redentoristas, devemos-lhe gratidão pelo trabalho extraordinário”, sublinha. Ao novo pároco, também Redentorista, o provincial manifesta: “Temos de abrir as portas a esta esperança, que é o padre Eugénio, nesta sua chegada à Damaia, que é uma zona paroquial muito boa, muito rica”.

texto por Diogo Paiva Brandão; fotos por DPB e paróquia da Damaia
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