Família |
Familiarmente
A alegria do dom de si
<<
1/
>>
Imagem

Ao entrar na Quaresma e no seguimento do tema do ano “A fé atua pela caridade”, propomos com este Familiarmente olhar para a família como o lugar da doação pessoal, na qual se vive a alegria da fé. Como tal, recuperamos as palavras do papa Francisco na homilia da santa missa celebrada na Peregrinação Internacional da Família de Outubro último, precisamente sobre o tema “família, vive a alegria da fé”.

 

Dizia o Santo Padre que “a alegria verdadeira vem da harmonia profunda entre as pessoas, que todos sentem no coração, e que nos faz sentir a beleza de estarmos juntos, de nos apoiarmos uns aos outros no caminho da vida. Mas, na base deste sentimento de alegria profunda está a presença de Deus, a presença de Deus na família, está o seu amor acolhedor, misericordioso, cheio de respeito por todos.”

São duas as ideias principais que aqui se expressam: que a alegria verdadeira resulta da harmonia entre as pessoas; e que ela brota da presença de Deus. A família, enquanto célula base da sociedade, deve ser lugar de encontro de diferentes gerações que, através da comunhão de vida, se vão desenvolvendo como pessoas. Isto só é possível através da doação de cada um pelo outro, com a graça de Deus.

A doação de si na família encontra na união entre homem e mulher o modelo paradigmático. Deus criou o Homem por amor, e por amor criou-o à Sua imagem; “Ele os criou homem e mulher” (Gn 1, 27). Ao ser criada à imagem de Deus, que é amor, a humanidade foi criada para o amor, pelo que o amor mútuo do homem e da mulher se torna imagem do amor absoluto com que Deus nos ama. Assim, o Homem realiza-se quando se dá pelo outro, o homem pela mulher e a mulher pelo homem, realizando assim a sua vocação à fecundidade e cuidado da criação. Este é o modelo para todas as relações familiares, pois como nos diz o número 37 da Familiaris Consotio, “o dom de si, que inspira o amor mútuo dos cônjuges, deve pôr-se como modelo e norma daquele que deve ser actuado nas relações entre irmãos e irmãs e entre as diversas gerações que convivem na família”.

Para aprofundarmos um pouco mais esta alegria do dom de si, neste mês deixamo-vos com uma história que ilustra a alegria de ser família, naquilo que é um exemplo de um encontro entre gerações que pode com facilidade ser transposto para a catequese intergeracional, em que os mais velhos ensinam as orações aos mais jovens e estes oferecem a sua pureza que converte os corações mais empedernidos. Também a catequese doméstica deste mês aborda precisamente a alegria de dar, que encontra na participação nos sentimentos de Cristo – que se doou plenamente por cada um de nós - um sinal da revelação de Deus.

 

_________________


Testemunho – A alegria brota da gratidão

No passado Domingo, a minha avó fez 80 anos. Ela está atualmente numa residência sénior, na qual recebe o apoio especializado que necessita em função das suas debilidades físicas e que infelizmente não lhe podemos oferecer permanentemente em nossa casa. Contudo ao Domingo, é costume termos um almoço em família após a missa, e vamos buscá-la para passar a tarde connosco. Ela, que sempre foi muito faladora, agora passa a maior parte do tempo em silêncio, absorta nos seus pensamentos, mas escutando o que dizemos. No entanto, faz muito boa companhia e gosta muito de “mudar de ares” e sair do lar para vir a casa. Como sofre de Alzheimer, nem sempre tem presente em que dia estamos e desta vez nem se lembrava ser o dia do seu aniversário. Mas lembramo-nos nós, e para o celebrar fizemos um bolo e resolvemos fazer um jogo em família, também com o propósito de estimular a sua memória. Utilizámos uns cartões com perguntas várias sobre geografia, provérbios, adivinhas, charadas, música ou gastronomia. Ela é mestra em provérbios, e nessa a categoria, fosse a sua vez de responder ou não, a resposta saltava-lhe pronta, para grande regozijo de todos: mal se dizia “Mais vale um vizinho perto”, respondia ela prontamente “do que um irmão longe”. Na gastronomia, à pergunta sobre o que não pode faltar na açorda, exclamou com um rasgado sorriso: “pão”, o seu alimento favorito. Algumas charadas eram mais difíceis, mas houve uma de que gostou particularmente: “Estavam 7 homens num barco. O barco afundou-se e caíram ao mar. Mas só seis molharam o cabelo. Porquê?” A esta charada ela não soube responder, mas quando lhe dissemos: “Porque 1 era careca”, deu uma gargalhada. E quando se perguntava “quem é que tem um lagarto pintado na saia”? respondia ela a cantar “A saia da Carolina tem um lagarto pintado. Sim Carolina ó-i-ó-ai, sim Carolina ó-ai meu bem”. E nós juntávamo-nos a ela cantando esta modinha portuguesa. Perante as respostas de que se ia lembrando, exclamou: “Epá, afinal esta velhinha ainda não está ultrapassada!”. A minha filha, de 4 anos, respondeu de pronto “ó avó, tu não estás nada ultrapassada, tu até sabes as canções que a Fernanda nos ensina no colégio”. Eu não respondi, mas não pude deixar de pensar como é importante este convívio e como a minha avó se sentiu bem por perceber que a sua cabeça ainda tem algo para dar. Para nós foi uma tarde de grande alegria, pelo convívio, pelo que aprendemos uns com os outros, pela gratidão que temos pelo bem-estar de quem amamos. Senti que quando regressou ao lar, a minha avó ia satisfeita. Senti também que para a minha filha foi muito importante ouvir aquela sabedoria popular, pois aprende de forma alegre algumas noções de bom senso que tão importantes são para a vida em comunidade. E quando terminou o dia e fizemos a oração da noite em familia, a nossa filha rezou assim “Obrigado Jesus pelas histórias divertidas que hoje aprendi com a minha bisavó”. Assim, também eu dou graças da Deus pela minha família e pelo dom da vida de cada um deles.

 

_________________


Catequese doméstica: A alegria de dar

 “Hoje muitas pessoas têm medo de fazer escolhas definitivas, para toda a vida, porque lhes parece impossível”, disse o Papa, Francisco recentemente falando a um alargado grupo de casais e de noivos. E, afinal, quando se está perante um ‘romance perfeito’, porquê ceder ao medo do compromisso, ao ponto de adiarem a sua entrega plena para que sejam um só em tudo?

De facto, a entrega de um ao outro na união matrimonial é a mais profunda e consequente dádiva de amor: no amor que recebemos de Deus e que por Ele é alimentado nos sacramentos.

A participação nos sentimentos de Cristo em relação aos outros é, em si mesma, um acontecimento de revelação de Deus. É que o homem, acostumado a dizer ’eu amo-te’, esvaziou de sentido a palavra Amor, na medida em que amar não é só querer bem, amar não é desejar para si. Amar é ir ao encontro do outro, é dar-lhe a oportunidade de ser diferente num caminho a dois, é dar a vida por ele.

Na alegria de dar está o compromisso de cada um em seguir verdadeiramente a Jesus. Ele, que veio à nossa pequenez, veio ao nosso encontro para nos dar a grandeza da divindade, num amor perfeito, que torna confiante quem assim se sente amado.

Se nos reportarmos à passagem das bodas de Caná, constatamos que há uma sucessão de factos que alteram profundamente a relação entre os presentes: Maria inquieta, mas no seu amor maternal, alerta para a falta de vinho; Jesus que sai de si mesmo para ir ao encontro dos noivos e do amor humano pelos convidados; o chefe de mesa que rejubila com o excecional vinho que pode servir. Enfim, uma sucessão de factos que alteram as circunstâncias pela alegria de dar, nesta capacidade de fazer feliz o outro.

O mundo de hoje tem dificuldade em fazer a paz, pois o diálogo é quase impossível, desde os que têm responsabilidades governativas dos povos, até aos próprios elementos da família - dos esposos entre si e entre pais e filhos. As discussões geram roturas, destruindo a harmonia e a paz essenciais à felicidade de todos.

O que marca os tempos modernos não é, afinal, mais do que a ideologia do progresso e do bem-estar, ficando a fé em Deus relegada para uma inutilidade residual, que só os fracos e os desprovidos de cultura continuam a aceitar e seguir. Ora o que é fraco e residual é a relação do homem com o seu semelhante, quando hoje se vive uma relação virtual com os que estão longe, ignorando os que estão perto.

Mas o mundo é cheio de contradições e aqui queremos sublinhar o enorme trabalho de voluntariado que é desenvolvido aos vários níveis, seja nos Bancos Alimentares contra a fome, seja numa ação sócio caritativa paroquial, seja ainda nos muitos grupos de assistência aos Sem-Abrigo, ou aos que aguardam a visita do Ministro Extraordinário da Comunhão.

O Senhor Jesus identificou-se particularmente com os necessitados, os quais exigem o amor concreto. Neste sentido do “dar-caridade”, experimenta-se uma realidade sensível concreta, que atinge a dignidade dos que estão nas fronteiras, permitindo a evangelização numa ação pessoal. Ou seja, o dar como expressão de uma tensão viva que se torna irreprimível, é evangelização, porque nasce de dentro para fora, para ir ao encontro do outro, apontando para Jesus.

“O pai, porém, disse aos servos: Trazei-me depressa a melhor roupa e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; trazei também o novilho gordo, matai-o, comamos e alegremo-nos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e encontrou-se.” (Lc 15, 22-24)

 

_________________


Vai acontecer

Festa da Família

O setor da Pastoral da Família, em conjunto com a Vigararia de Mafra, está a organizar a Jornada Diocesana da Família - Festa da Família.

Esta Festa realizar-se-á no Domingo, dia 25 de Maio de 2014, em Mafra (Jardim do Cerco) com o seguinte programa:

·         10h30 - Acolhimento,

·         11h00 - Oração da manhã,

·         11h30 - Feira Familiar - Espaço de atividades intergeracionais organizado por Paróquias, Movimentos e pelo setor da Pastoral Familiar.

·         13h00 - Piquenique

·         14h00 - Concerto com os "Anima Christi", intercalado com testemunhos,

·         16h00 - Eucaristia presidida pelo Sr. Patriarca, onde celebraremos as Bodas Matrimoniais (10º, 25º e 50º aniversários Matrimoniais)

O objectivo desta Jornada é ser um momento de festa, de encontro entre as famílias da nossa grande família que é a Diocese. Pretende também ser uma oportunidade de dar a conhecer a pastoral familiar que se vai realizando na nossa Diocese e para isso contamos com a presença de todos os movimentos ligados à Pastoral Familiar. Será, de certo, uma boa forma de irmos caminhando nesta preparação para o Sínodo dos Bispos sobre a Família.

Nesta Jornada celebraremos as Bodas Matrimoniais (10º, 25º e 50º aniversários do Matrimónio) dos casais que celebram estes aniversários de matrimónio durante o ano 2014. As inscrições para a celebração das bodas matrimoniais são feitas através do nosso site: http://familia.patriarcado-lisboa.pt/festa-da-família ou através do Email família@patriarcado-lisboa.pt, até ao dia 7 de Abril de 2014.

 

Retiro para casais

De 5 a 6 de Abril decorrerá um retiro para casais na casa de retiros de Santo Inácio organizada pela Escola de Oração de São José. Começará no Sábado, dia 5 de Abril às 10:00 e terminará no Domingo depois de almoço, por volta das 15:30. O orientador será o P. José Manuel Pereira de Almeida. As adesões a este retiro superaram as nossas expectativas e já completámos o número de inscrições. No entanto, se pretender apresentar o seu interesse em participar num retiro para casais, poderá fazê-lo enviando o nome do casal e apresentando os respectivos dados de contacto para o mail familia@patriarcado-lisboa.pt.

textos pelo Sector da Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa
Na Tua Palavra
Não nos separemos d’Ele!
por D. Nuno Brás
A OPINIÃO DE
P. Nuno Amador
Joker, de Todd Phillips, é um filme sublime e perturbador. Sublime na lentidão certa com que nos dá...
ver [+]

Isilda Pegado
1. Na Universidade diziam-nos que quando entra a Justiça, já não há Família. E por isso, o chamado...
ver [+]

Visite a página online
do Patriarcado de Lisboa
Galeria de Vídeos
Voz da Verdade
EDIÇÕES ANTERIORES