Roma |
A uma janela de Roma
O desafio da conversão do coração
<<
1/
>>
Imagem
A Igreja iniciou o tempo litúrgico de preparação para a Páscoa. Na semana em que falou do primeiro ano de pontificado, o Papa Francisco lembrou a Ucrânia, recebeu no Vaticano um grupo inter-religioso e defendeu o acompanhamento de casais separados e divorciados.

 

1. Na Missa de Quarta-Feira de Cinzas, o Papa Francisco lembrou que “a conversão do coração é a característica deste tempo de graça” que é a Quaresma, sublinhando que “é um desafio para todos”. “É que a conversão não se reduz a formas exteriores nem a vagos propósitos, mas envolve e transforma a existência inteira, a partir de dentro da pessoa, da consciência. Somos convidados a realizar um caminho no qual, desafiando a rotina, esforçamo-nos em abrir os olhos e os ouvidos, mas sobretudo o coração, para ir além do nosso ‘quintalinho’”, observou, frisando: “Vivemos num mundo cada vez mais artificial, numa cultura do ‘fazer’, do ‘útil’, onde sem nos darmos conta excluímos Deus do nosso horizonte. A Quaresma chama-nos a ‘deixar-se abanar’, recorda-nos que somos criaturas, que somos de Deus”. Nesta celebração na Basílica de Santa Sabina, em Roma, o Papa assinalou a importância da esmola, que implica gratuidade. “Hoje, a gratuidade não faz parte da vida quotidiana, onde tudo se vende e se compra. Tudo é cálculo e medida. A esmola ajuda-nos a viver a gratuidade do dom, que é liberdade da obsessão da posse, do medo de perder o que se tem, da tristeza de quem não quer partilhar com os outros o próprio bem-estar”, salientou, advertindo que “com os seus convites à conversão, a Quaresma vem providencialmente despertar-nos, sacudirmos do entorpecimento, do risco de avançar só por inércia”.

Da parte da manhã, na audiência-geral de quarta-feira, o Papa Francisco lembrou que “no tempo da Quaresma”, a Igreja faz “dois importantes convites”: “Tomar consciência mais viva da obra redentora de Cristo e viver com mais empenho o nosso Batismo”. Em Quarta-Feira de Cinzas, o Papa sublinhou a importância da conversão. “A consideração por tudo quanto Jesus fez pela nossa salvação cria em nós a gratidão, e a forma de agradecer o imenso amor de Jesus, que se deixou crucificar por nós, é a nossa conversão: é darmo-nos a Ele, amando os nossos irmãos. Contudo, para nos convertermos e amarmos os irmãos não nos podemos habituar à violência, aos irmãos que dormem na rua, aos refugiados à procura de liberdade e dignidade, a uma sociedade onde os pais já não ensinam os filhos a rezar e a fazer o sinal da cruz”, referiu o Papa Francisco.

 

2. Um ano após a sua eleição, o Papa Francisco não gosta de fazer balanços – diz que isso é com o seu confessor todos os 15 dias. Também não gosta da onda de entusiasmo à sua volta, nem de uma certa exaltação como se fosse um mito. Numa entrevista ao jornal italiano ‘Corriere della Sera’, publicada esta quarta-feira, Francisco diz que pintar o Papa como um super-homem é ofensivo. O Papa é um homem que ri, que chora, que dorme tranquilo, que tem amigos como todos. É uma pessoa normal.

A entrevista sublinha a coragem de Bento XVI na questão dos abusos de menores. Francisco considera que, neste campo, a Igreja fez mais do que qualquer outra instituição pública, sendo a única a agir com transparência e responsabilidade. Ninguém fez tanto pelo assunto, apesar de ser a única a ser atacada...

Diz que os valores não se negoceiam e que, no seu tempo, Paulo VI teve a coragem de defender a disciplina moral ao publicar a Humanae Vitae e que a questão hoje não é mudar a doutrina, mas aprofundá-la. Sobre a situação dos divorciados, Francisco garante que haverá uma reflexão profunda, tal como o papel da mulher na Igreja.

Sobre o Papa Emérito, Francisco diz que Bento XVI não é uma estátua de museu, mas sim uma instituição e que certamente, no futuro, haverá mais Papas Eméritos. Diz que a sabedoria de Bento XVI é um dom de Deus e é bom que ele viva no Vaticano.

A entrevista fala ainda da próxima viagem à Terra Santa, do povo

Chinês e do seu estilo pessoal de ser Papa. Francisco diz que gosta de ser padre e que gosta de acompanhar certos casos, como o de uma viúva de 80 anos, a quem lhe morreu o filho e o Papa telefona todos os meses.

 

3. O Papa Francisco lançou um apelo à comunidade internacional no sentido de encontrar uma solução pacífica para o conflito entre a Ucrânia e a Rússia, por causa da Crimeia. “Peço-vos que rezem agora pela Ucrânia, que está a viver uma situação delicada. Espero também que todos os países se esforcem para ultrapassar as incompreensões e para construir em conjunto o futuro da nação e peço à comunidade internacional um apelo para apoiarem todas as iniciativas a favor do diálogo e da concórdia”, apelou Francisco, durante a oração do Angelus na Praça de São Pedro, em Roma.

No final da audiência, o Papa falou também do início da Quaresma. “É o caminho do povo de Deus em direção à Páscoa, um caminho de conversão, de luta contra o mal com as armas da oração, do jejum e da misericórdia. A humanidade tem sede de justiça, de reconciliação, de paz e só as encontrará quando se voltar para o coração de Deus. Entramos na Quaresma num espírito de solidariedade fraterna com quantos, neste tempo, atravessam as provações da pobreza e dos conflitos violentos”, referiu Francisco.

 

4. Francisco recebeu, no final do mês de fevereiro, a visita de um grupo inter-religioso de 45 argentinos. O grupo, composto por 15 judeus, 15 católicos e 15 muçulmanos, acabou de realizar uma peregrinação à Terra Santa, percorrendo lugares santos na Jordânia, Israel e Palestina, os mesmos lugares que o Papa percorrerá no próximo mês de Maio. Muitos membros do grupo – alguns deles rabinos, imãs e sacerdotes – são conhecidos de Bergoglio desde o tempo em que o atual Papa era Arcebispo de Buenos Aires e realizaram juntos algumas iniciativas de tipo social, caritativo e inter-religioso. O grupo manifestou ao Papa a sua proximidade espiritual, desejando que a próxima viagem de Francisco à Terra Santa seja portadora de paz e de diálogo.

 

5. O Papa sublinhou a importância de “acompanhar” e “não condenar” os casais separados ou divorciados. “Quando um homem e uma mulher se unem num só corpo em matrimónio e o amor falha – e isso acontece tão frequentemente – há que saber estar ao lado dessas pessoas, caminhar com elas na sua dor”, disse Francisco, na homilia da Missa que celebrou na Casa de Santa Marta, onde reside. De acordo com o serviço informativo da Santa Sé, o Papa alertou para a tendência de “apontar o dedo” a quem não conseguiu manter o seu matrimónio.

O Papa destacou ainda a “beleza do casamento”, desse caminho conjunto de “amor” com que “Deus abençoou” a mulher e o homem, “obras-primas da sua Criação”.

Aura Miguel, à conversa com Diogo Paiva Brandão
Na Tua Palavra
Não nos separemos d’Ele!
por D. Nuno Brás
A OPINIÃO DE
Guilherme d'Oliveira Martins
A canonização de Frei Bartolomeu dos Mártires, da Ordem dos Pregadores (1514-1590), constitui um motivo...
ver [+]

P. Gonçalo Portocarrero de Almada
Nestes últimos tempos, duas notícias chocaram particularmente os portugueses: o nascimento do Rodrigo,...
ver [+]

Visite a página online
do Patriarcado de Lisboa
Galeria de Vídeos
Voz da Verdade
EDIÇÕES ANTERIORES