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Síria: extremistas islâmicos impõem severas condições aos cristãos
Entre a espada e a parede
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Não há meias palavras. Os cristãos que ainda vivem na cidade de Raqqa têm de pagar um imposto, em ouro, aos radicais islâmicos que controlam a cidade, não podem exibir quaisquer símbolos religiosos ou rezar em público. Nem os sinos se podem voltar a fazer ouvir. Quem não se submeter às novas regras é considerado um “alvo legítimo”.

 

Em Raqqa, os Cristãos são já cidadãos de segunda. Num comunicado, divulgado na passada semana, o grupo jihadista que controla a cidade de Raqqa, no nordeste da Síria, ameaça os Cristãos com a morte se não se submeterem às suas regras. Nunca uma advertência deste género havia sido proferida de forma tão clara. Entre estas medidas, que colocam os Cristãos efectivamente “entre a espada e a parede”, está o pagamento de um imposto de cerca de 17 gramas de ouro puro por adulto, assim como a proibição de exibição em público de qualquer símbolo religioso. Destituídos de quaisquer direitos, os Cristãos passam a estar proibidos, até, de fazerem soar os sinos das suas igrejas ou de realizarem quaisquer obras de recuperação dos templos.

 

Alvos legítimos

O comunicado do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS) – assim se denomina o grupo radical que controla esta cidade síria – afirma que os Cristãos têm a possibilidade de se converter ao Islamismo ou de aceitar estas novas regras. Caso contrário, tornam-se “alvos legítimos” e correm, obviamente, risco de vida.
Não se sabe ao certo quantos cristãos ainda continuam a viver em Raqqa, seguramente que não serão muitos, mas imagina-se o terror em que se transformou o seu quotidiano, e o de todos os que vivem na Síria e que arriscam as mesmas regras, o mesmo despotismo, a mesma violência.
E o pior é que todos sabem do que estes jihadistas são capazes.

 

Bíblias para a fogueira

Decididos a implantar um “califado islâmico” nas regiões “libertadas”, os combatentes do ISIS organizaram uma fogueira, em Outubro do ano passado, onde queimaram, diante da igreja greco-católica de Nossa Senhora da Anunciação de Raqqa, todos os exemplares da Bíblia e outros livros cristãos que conseguiram encontrar. Além disso, as populações têm vindo a ser sujeitas a campanhas de “doutrinação” e é cada vez mais claro que os Cristãos se tornaram num dos alvos preferenciais dos ataques destes radicais islâmicos.

 

Reino de terror

No final de Julho, precisamente em Raqqa, foi sequestrado o Padre jesuíta Paolo Dall’Oglio e, até agora, desconhece-se o seu paradeiro.
Em Setembro, duas igrejas da cidade sofrerem actos enormes de vandalismo com a destruição de crucifixos e imagens sacras, perante a impotência da comunidade cristã. Claro que, impedidos de realizar quaisquer obras de recuperação nas igrejas, vão desaparecer todos os símbolos religiosos nesta cidade síria. É apenas uma questão de tempo. Sem ninguém que os defenda, os Cristãos estão agora sujeitos à pura arbitrariedade. Em Raqqa reina o medo. Sob a força das armas, foi imposta a “sharia”, a lei islâmica. Raqqa é só o começo. O objectivo é fazê-lo em todo o país. Depois seguir-se-á o Iraque, Líbia, Egipto, Sudão, Mali, Tanzânia, Nigéria…

 

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texto Paulo Aido, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre
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