Lisboa |
Movimento dos Focolares
Viver segundo a lei do amor recíproco
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Vivem num lugar onde impera a lei do amor recíproco, proposto pelo Evangelho. O pai António, a mãe Idalina e os cinco filhos pertencem ao Movimento dos Focolares e constituem a família Nogueira, que mora desde há cinco anos na Cidadela Arco-Íris, na Abrigada, Alenquer.

 

As Cidadelas procuram ser um esboço de sociedade nova. “A lei desta pequena ‘cidade’ é a lei do amor. A Cidadela Arco-Íris procura ser uma cidade modelo, como poderia ser qualquer cidade se a lei fundamental fosse a lei do amor, fosse a lei do Evangelho!”. António Nogueira e Idalina Cruz estão casados há 27 anos e vivem, desde 2009, com os cinco filhos – o Tiago, de 26 anos, a Violeta, de 24, a Célia, com 22 anos, o Simão, com 21, e o José com 20 anos de idade – na Cidadela Arco-Íris, que está situada na Abrigada, a pouco mais de mais de 50 quilómetros do centro de Lisboa. O desafio de ir morar para esta nova ‘cidade’ aconteceu em 2008, ano do falecimento da fundadora do Movimento dos Focolares, Chiara Lubich. “Na época, os responsáveis pelo movimento propuseram-nos vir fazer esta experiência na Cidadela. E nós, claro, dissemos logo que ‘sim’ e, no ano seguinte, viemos todos para a Abrigada, mesmos os dois filhos mais velhos que já estavam a estudar na faculdade”, recorda, ao Jornal VOZ DA VERDADE, o pai desta família. “Viemos para fazer a experiência de ser este contributo de viver numa pequena ‘cidade’, onde se procurar viver o Evangelho 24 horas por dia, em comunidade. Porque a lei desta pequena ‘cidade’ é a lei do amor! É a este desafio que nós procuramos dizer ‘sim’ e procuramos estar aqui neste ‘sim’ contínuo a esta lei!”, garantem.

 

‘Estrada’ de santidade

Idalina é transmontana, António é de Braga e conheceram o Movimento dos Focolares durante a adolescência, por volta de 1976-77. “Nós fazíamos parte do movimento, tínhamos os nossos empenhos com o grupo juvenil dos Focolares, os Gen, e após uma atividade no Porto começámos a contactar um pouco mais e nasceu assim esta paixão entre nós, que nos fez escolher esta ‘estrada’ do matrimónio”, revela António, sublinhando um valor fundamental que o recém casal queria viver: “Queríamos que o nosso Matrimónio fosse, desde logo, também o realizar do carisma do movimento, da unidade, no seio da família. É um grande desafio porque como tínhamos a experiência de que esta era uma ‘estrada’ de santidade, queríamos que esta ‘estrada’ de santidade também fosse vivida como família”. Idalina destaca a experiência que tem início na família e que depois se reflete na vida comunitária. “A santidade é uma experiência que fazemos como família, mas que depois também se faz em comunidade. Sentíamos em nós o desejo de poder fazer com que esta experiência de família fosse feita, também, em comunidade. Por isso estivemos sempre à disposição do movimento para o que fosse preciso”, assegura esta mãe.

 

Vida comunitária e familiar

Após casarem em Braga, e já com dois filhos, o Movimento dos Focolares desafiou a família Nogueira a ir para Faro, “para dar apoio a um Focolar feminino”, refere António. Ficaram pelo sul do país durante 19 anos, até à chegada à Cidadela Arco-Íris. Idalina é médica dentista e António professor mas atualmente não está a dar aulas uma vez que trabalha no Ministério da Educação, na Rede de Bibliotecas Escolares. Dizem que levam, juntamente com os filhos, uma vida perfeitamente normal. “Vivemos os sete aqui numa casa na Cidadela. Eu, diariamente, vou para Lisboa trabalhar e os nossos filhos vão para a escola. Como qualquer outra família!”, frisa António. O caso de Idalina é um pouco diferente uma vez que ainda tem consultório em Faro e por isso passa três dias por semana no Algarve. “Temporariamente exerço também direção clínica numa clínica em Sintra, mas semanalmente vivo uns dias por semana em Faro devido à minha vida profissional”, aponta.

A vida comunitária na Cidadela Arco-Íris distingue-se também da chamada vida ‘cá fora’, nos bairros. “Nós temos os nossos trabalhos, mas ao final do dia temos um momento que consideramos ser especial, aqui na Cidadela, que é a Missa diária celebrada às 19h30, para as mais de 40 pessoas que aqui vivem. Encontramo-nos todos na Eucaristia, que é sempre um momento de comunhão por excelência”, observa António, sublinhando ainda outras características que marcam a vida nesta pequena ‘cidade’. “A vida na Cidadela é diferente porque todos nós procuramos estar nesta atitude de viver o Evangelho! Se vivemos no amor, asseguramos a presença de Jesus entre nós! Isto é uma experiência que é possível fazer-se quando estamos todos com este objetivo, de poder viver para o outro, de poder viver no amor e de poder ter Jesus no meio! Quer em encontros, quer na nossa vida normal, quer na vida prática de todos os dias nós procuramos de facto ter esta atitude interior de estar no amor para assegurar esta presença contínua de Jesus. Neste sentido, podemos dizer que a nossa vida é diferente; no sentido de que tanto na Cidadela como fora procuramos amar o próximo que passa ao nosso lado, nisso a nossa vida é igual”, garante António Nogueira.

Para a mãe, Idalina, o testemunho tem de partir de casa. “Como família, a nossa experiência centra-se também numa atitude interior de atuar no amor recíproco. E será esta experiência que fazemos como família que depois deve ser a luz de testemunho. Não é fácil – só se nos distrairmos é que é fácil… –, exige esta atitude diária e contínua de recomeçar, de pedir desculpa”. Questionada sobre a forma como os filhos vivem esta vida ‘diferente’, Idalina destaca: “Vivem como nós, também, assim com os ‘atropelos’ dos dias normais, com todas estas questões do confronto de gerações… tudo passa pela nossa casa, igual, no dia-a-dia. Apesar de tudo, sentimos esta atitude interna deste radicalismo do Evangelho, de viver pelo outro”.

 

O testemunho

As Cidadelas são uma das mais típicas realizações do Movimento dos Focolares. Estão presentes em todo o mundo, nos cinco continentes, existindo 33 no total, entre as quais a portuguesa. Margarida Freitas, que pertence ao centro nacional deste movimento, conheceu os Focolares em 1974, vive também na Cidadela Arco-Íris e sublinha ao Jornal VOZ DA VERDADE a importância do testemunho destas famílias ligadas ao Focolares. “O facto de haver famílias numa Cidadela é importantíssimo! A família é a célula fundamental da sociedade. Numa sociedade em que a família está tão desestruturada, está a perder o seu valor e até a sua própria identidade, mostrar ao mundo o que é uma família, o relacionamento entre o casal, o relacionamento com os filhos, é uma luz para o mundo!”. Além da família Nogueira, a Cidadela Arco-Íris acolhe também, e desde há mais anos, a família Maia, que foi a primeira a chegar a esta Cidadela. “Para já, temos duas famílias na Cidadela, mas existem outras em perspetiva de virem para cá. Temos o problema da logística, de arranjar casas para as famílias, mas é um testemunho para a sociedade poder vir cá e ver como é que as famílias vivem!”, refere esta responsável.

Na semana anterior a esta reportagem, a Cidadela Arco-Íris acolheu um encontro de namorados e estes dois casais foram chamados a partilhar a sua experiência. Algo que, no entender de Margarida, é uma mais-valia para esta pequena ‘cidade’. “Eles contam como é que vivem, como é o relacionamento entre eles. É um testemunho poder mostrar como se usam aquelas palavras que o Papa Francisco tanto diz que temos de usar: desculpa, por favor, obrigado… são palavras que nós pomos em prática! Nós queremos ser como a luz sobre o alqueire, a luz sobre o monte, que quer brilhar e dizer ao mundo que é possível, é possível haver famílias que testemunham o amor recíproco”.

 

‘Que todos sejam um’

Em 1996, o Movimento dos Focolares adquire o terreno na Abrigada onde hoje está situada a Cidadela Arco-Íris, que nasceu pelo “grande desejo do movimento de ter um local e uma casa onde pudesse realizar os seus encontros”. Margarida Freitas lembra palavras do pároco de então, padre Mário, já falecido, que pedia ao movimento para cristianizar esta zona da Abrigada, e recorda “a enorme generosidade de todos os membros do Movimento dos Focolares” para iniciar o projeto da Cidadela.

Em 2002, o então Cardeal-Patriarca de Lisboa D. José Policarpo inaugurou, na Cidadela Arco-Íris, o Centro Mariápolis, uma infraestrutura com um auditório com capacidade para 200 pessoas, quartos para cerca de 70 pessoas e um refeitório. Além deste centro e das casas das famílias Maia e Nogueira, a Cidadela tem ainda mais uma casa dos caseiros, “que foi restruturada e que atualmente tem dois apartamentos”, uma esplanada, “onde se fazem churrascos e convívios”, o “Focolar masculino e feminino pertencentes aos consagrados do movimento”, o escritório, “onde funciona a Editora Cidade Nova”, um “centro de recursos, com um centro de fisioterapia”, “um polo empresarial, que faz parte do projeto ‘Economia de Comunhão’” e está em processo de construção “uma nova casa das voluntárias”, que “testemunham Deus no meio do mundo”. É também na Cidadela que funciona o centro do movimento, “a chamada sede”.

O Movimento dos Focolares, que surgiu em Itália durante a II Guerra Mundial e que chegou ao nosso país em 1966, tem 27 ramificações, “desde as crianças, adolescentes, jovens, famílias, etc.”, existindo “também em Portugal todas as ramificações desta grande árvore que é o movimento”. “Membros do movimento, somos quase 2 mil a nível nacional. Pessoas que participam nos encontros, são talvez 40 mil”, aponta esta responsável.

Margarida Freitas destaca “o desejo” da fundadora do movimento, Chiara Lubich, de “procurar a verdade”, em especial “no estudo da Filosofia”. “Devido ao contexto de guerra, Chiara não pôde cumprir esse objetivo e, questionando-se, fez de Deus o ideal da sua vida”, conta. “Chiara percebeu que o Evangelho contém o código da vida dos cristãos. Foi lá que ela encontrou frases que eram como uma luz: amai-vos uns aos outros como eu vos amei; não há maior amor do que dar a vida pelos seus amigos; tudo aquilo que fizerdes ao mais pequenino é a mim que o fazeis”.

Tendo como lema ‘Que todos sejam um’, o Movimento dos Focolares sente-se desafiado. “Sermos todos comunidade, num relacionamento intergeracional, fazendo algo pelos outros e pela cidade onde estamos. Viver o Evangelho é a espiritualidade que queremos colocar em prática”.

 

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Focolares desafiam os jovens: ‘Agarra o Mundo’

A Cidadela Arco-Íris acolhe, no próximo dia 1 de maio, uma jornada nacional para jovens maiores de 15 anos, intitulada ‘Agarra o Mundo’. João Xavier, de 24 anos, pertence ao Gen, um dos ramos juvenis dos Focolares, e explica ao Jornal VOZ DA VERDADE que nesta atividade “são abordados temas diversos, com workshops, fóruns e momentos de testemunho”, visando “que os jovens percebam que são responsáveis pelo mundo que os rodeia, em especial nas pequenas coisas”. Este jovem veterinário, que afirma procurar viver “um estilo de vida cristão”, com “o carisma que Chiara Lubich deu, de viver para ‘que todos sejam um’”, observa que esta jornada do 1 de maio pretende precisamente mostrar “como levar a fraternidade e o ideal da unidade”, caminhando “segundo um mundo diferente”.

Promovida pelos Jovens para o Mundo Unido, outro ramo do Movimento dos Focolares, esta atividade que se realiza desde 2002 na Cidadela da Abrigada tem tido a participação de cerca de um milhar de jovens de todo o país.

Informações: 967488784, 91558688 e www.focolares.org.pt/jovens/1demaio

 

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Patriarca quer revitalizar associações profissionais católicas

O Patriarca de Lisboa quer “revitalizar as associações profissionais católicas” na diocese, considerando que essas presenças “são a resposta da Igreja no que diz respeito à intervenção pública”. Num encontro com membros do Movimento dos Focolares, no passado dia 26 de março, na paróquia do Campo Grande, D. Manuel Clemente apontava, assim, “a animação cristã das realidades temporais” como “a missão do laicado”, considerando as associações profissionais católicas como “algo que hoje é muito premente”.

Neste encontro, onde participaram cerca de três centenas de membros do movimento fundado por Chiara Lubich, o Patriarca valorizou ainda o papel exercido, hoje, por muitos católicos. “Em posições concretas das várias frentes vejo católicos nada tímidos a pronunciarem-se. Essa é a resposta da Igreja”, frisou.

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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