‘Evangelii Gaudium’ |
‘Evangelii Gaudium’ (nº 186 a 192) – Capítulo IV
A inclusão social dos pobres
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Retomando a síntese que temos vindo a apresentar sobre a Exortação apostólica ‘A Alegria do Evangelho’ detemo-nos, agora, num aspecto que tem sido muito querido do Papa Francisco, desde o início do seu pontificado: a atenção aos pobres e marginalizados. Neste sentido, o Pontífice começa por garantir que “deriva da nossa fé em Cristo a preocupação pelo desenvolvimento integral dos mais abandonados da sociedade”. Por isso, frisa, “cada cristão e cada comunidade são chamados a ser instrumentos de Deus ao serviço da libertação e promoção dos pobres”. Para que essa missão se concretize é necessário estar “docilmente atento” para “ouvir o clamor do pobre”. “Ficar surdo a este clamor, quando somos os instrumentos de Deus para ouvir o pobre, coloca-nos fora da vontade do Pai e do seu projeto”, observa Francisco, sublinhando que “a falta de solidariedade” nas necessidades do pobre, “influi diretamente sobre a nossa relação com Deus”. Diante desta missão de atenção aos pobres, Francisco lembra que esta não é uma missão “reservada apenas a alguns” pelo que “a Igreja, guiada pelo Evangelho da Misericórdia e pelo amor ao homem, escuta o clamor pela justiça e deseja responder com todas as suas forças”.

 

Solidariedade

Segundo o Papa Francisco, a palavra solidariedade está “um pouco desgastada” e é “por vezes mal interpretada”. Nesse sentido esclarece que solidariedade “significa muito mais do que alguns atos esporádicos de generosidade; supõe a criação de uma nova mentalidade que pense em termos de comunidade, de prioridade da vida de todos sobre a apropriação dos bens por parte de alguns”. “A solidariedade deve ser vivida como a decisão de devolver ao pobre o que lhe corresponde”, sublinha acentuando que “estas convicções e práticas de solidariedade, quando encarnam, abrem caminho a outras transformações estruturais e tornam-nas possíveis. Uma mudança nas estruturas, sem se gerar novas convicções e atitudes, fará com que essas mesmas estruturas, mais cedo ou mais tarde, se tornem corruptas, pesadas e ineficazes”.

Considerando que é preciso recordar que “o planeta é de toda a humanidade e para toda a humanidade”, Francisco, recorrendo a palavras do Papa Paulo VI, advoga que “é preciso repetir que ‘os mais favorecidos devem renunciar a alguns dos seus direitos, para poderem colocar, com mais liberalidade, os seus bens ao serviço dos outros’”. “Precisamos de crescer numa solidariedade que ‘permita a todos os povos tornarem-se artífices do seu destino’, tal como ‘cada homem é chamado a desenvolver-se’”, acrescenta deixando, ainda um apelo: “Animados pelos seus Pastores, os cristãos são chamados em todo o lugar e circunstância, a ouvir o clamor dos pobres”. “Escandaliza-nos o facto de saber que existe alimento suficiente para todos e que a fome se deve à má repartição dos bens e do lucro. O problema agrava-se com a prática generalizada do desperdício”.

No entanto, diante do que é a realidade o sonho do Papa Francisco “voa mais alto”. “Não se fala apenas de garantir comida ou um digno ‘sustento’ para todos, mas ‘prosperidade e civilização nos seus múltiplos aspetos’”, refere.  “Isto engloba educação, acesso aos cuidados de saúde e especialmente trabalho, porque no trabalho livre, criativo, participativo e solidário, o ser humano exprime e engrandece a dignidade da sua vida. O salário justo permite o acesso adequado aos outros bens que estão destinados ao uso comum”, explica.

texto por Nuno Rosário Fernandes
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