Lisboa |
D. José Traquina, Bispo Auxiliar de Lisboa
Ser Bispo “à maneira de Cristo”
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Alegria. Paz. Liberdade. Em três palavras, são assim descritas as sensações que o novo Bispo Auxiliar de Lisboa, D. José Augusto Traquina Maria, transmite àqueles com quem se cruzou durante a sua vida, e sobretudo, no seu tempo de presbítero.

 

Foi numa igreja de Santa Maria de Belém a ‘abarrotar’ que o ainda padre José Traquina recebeu das mãos do Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, as insígnias episcopais, numa celebração no passado Domingo, dia 1 de junho. Alcobaça, a paróquia onde nasceu e cresceu, Bombarral e Benfica, as paróquias das quais foi pároco, estiveram em peso no Mosteiro dos Jerónimos para mostrar o seu agradecimento e orgulho pelo novo Bispo Auxiliar de Lisboa. As palavras iam passando de boca em boca durante toda a cerimónia, em que vários olhos se encheram de lágrimas de emoção. Nem a falta de lugares, o calor ou a multidão afastaram as dezenas de amigos, antigos paroquianos e familiares que fizeram questão de receber a primeira bênção episcopal de D. José e de o saudar, já ordenado.

No cortejo de entrada, o até então pároco de Nossa Senhora do Amparo de Benfica chegou ao altar ladeado pelos seus dois coadjutores, os padres Natanael Harasym e Nuno Rosário Fernandes. Foram também estes sacerdotes que o levaram à presença de D. Manuel Clemente, o apresentaram e pediram, em nome da Igreja, a sua ordenação episcopal.

Ordenado pelo Patriarca de Lisboa e tendo como bispos co-ordenantes D. António Francisco dos Santos e D. Manuel Felício, a D. José Traquina foi atribuído o título de Bispo de Lugura, uma antiga diocese do Norte de África. Foi também das mãos do seu amigo de longa data, D. Manuel Clemente, que D. José recebeu o Evangelho e as insígnias episcopais: a mitra, o báculo e o anel.

O Patriarca de Lisboa não deixou de relembrar ao novo bispo, durante a homilia, a árdua e sempre surpreendente tarefa que abraçou: “Não saberás tu, nem saberemos nós, o que só a Deus compete, princípio e fim de tudo e de todos... Mas saberás o quê e saberás com quem. Saberás do Reino, no acontecer eclesial de cada dia, que também por ti e tão centralmente sucederá. Saberás com quem, na intimidade de Cristo que tudo garante, aprofunda e alarga”. E continuou, em jeito de envio: “Como bispo da Igreja e a trabalhar no Patriarcado, inseres-te a novo título na caminhada sinodal que, até ao fim de 2016, todos empreenderemos para localizar também aqui o claríssimo desígnio do nosso Papa Francisco, tão sugestivamente enunciado como «o sonho missionário de chegar a todos» (Evangelii Gaudium, 31)”.

D. Manuel Clemente sublinhou igualmente o campo de ação e compromisso de cada comunidade cristã. “À maneira de Cristo e unicamente no seu Espírito, trata-se de reproduzir em cada comunidade cristã o seu caminho de imanência ascendente, como aquela semente lançada à terra, que daí mesmo florescerá por fim. Nos mais pequenos gestos, nas presenças mais concretas e tantas vezes mais sofridas do acontecer da vida de toda a gente, com especial atenção aos mais pobres de todas as pobrezas, aí mesmo encontrará cada discípulo de Cristo e cada comunidade o indispensável campo da sua ação e compromisso”, frisou.

 

Um Pastor que liberta e guia

Para André Santos, antigo paroquiano de D. José no Bombarral, foi precisamente o facto de Francisco ser o novo Papa que o fez pensar na possibilidade do seu antigo pároco, – “padre Traquina, como carinhosamente o continuamos a tratar” – se tornar bispo. Não acolheu, portanto, com surpresa a notícia da sua nomeação, porque “D. José Traquina é aquilo que o Papa espera dos bispos: um Pastor. O padre Traquina sempre foi um Pastor”. Por isso, garante que acolheu esta notícia “com muita, muita alegria”. “Sei que a Igreja pode esperar do novo Bispo Auxiliar de Lisboa um Pastor que ajuda o rebanho a encontrar Cristo”, assegura. Recuando cerca de quinze anos no tempo, André Santos, que foi um jovem sempre envolvido nas diversas atividades paroquiais do Bombarral, explica esta certeza: “Penso sempre no padre Traquina como alguém que sempre nos deu muita liberdade para atuar, mas sempre orientando-nos no bom caminho. D. José é um Pastor que gosta de ver os seus colaboradores a fazer o seu próprio caminho, a ter o seu próprio espaço. Foi alguém que me guiou ao longo da vida – conheci-o aos 15 anos, numa idade muito particular que marca a passagem da adolescência para a idade adulta – e o padre Traquina foi sempre essa figura que nos orientava ao longo do caminho. Mas o caminho, esse, éramos nós que o tínhamos que fazer”.

 

Paz e alegria

Maria Clotilde, da paróquia de Nossa Senhora do Amparo de Benfica, conhece D. José Traquina há cerca de sete anos e caracteriza de “excecional” a convivência com o recém-nomeado bispo. “Acho que ele é o padre por excelência, agora Bispo. E acho que vai trazer à Igreja tudo o que pode haver de melhor”, salienta Maria Clotilde. Micuxa, como é conhecida na paróquia, vai mesmo mais longe a acredita que a nomeação do padre Traquina “significa uma mudança em termos de postura dos sacerdotes e de todo o clero em relação aos leigos”. Porque de D. José as memórias que ficam são de um homem de “grande abertura, que sempre teve um relacionamento muito próximo com a comunidade, de grande amizade, e de um homem que transmite imensa paz e alegria”.

 

Aprender a ser bispo

Nas palavras que dirigiu à comunidade que participou na cerimónia da sua ordenação episcopal, D. José Traquina admitiu estar consciente das suas “limitações para o desempenho deste ministério”, tenho mesmo deixado a D. Manuel Clemente um pedido: “Ao Senhor Patriarca, D. Manuel Clemente, agradeço a sua amizade e peço a sua paciência para me corrigir e ensinar a ser bispo”. E recordou: “Feita a nomeação a 17 de Abril, quinta-feira Santa, muitas pessoas se alegraram, rezaram e me felicitaram. Outras, terão rezado com esperança mas com preocupação”. Incluindo ele próprio, revelou de sorriso aberto.

Idalina Machado, uma das irmãs do novo Bispo Auxiliar do Patriarcado, admite os receios e garante que, apesar de ter recebido a notícia da nomeação “com muita alegria e muita emoção”, não pode deixar de sentir “alguma preocupação”. “Eu sei que ele é capaz, mas inevitavelmente ficamos emocionados e a tremer um ‘pouquinho’”, conta, sorrindo. No entanto, garante que o novo Bispo “só vai fazer coisas boas, porque ele é bom”, remata com aquele brilho nos olhos que só as irmãs têm, e que misturam orgulho e expectativa.

Para D. José Traquina, não é assim tão óbvia a facilidade do caminho. Na sua mensagem, lida no final da celebração, deixou a todos palavras de dedicação e entrega, não sem antes ter agradecido a todas as pessoas que lhe cruzaram o caminho: o primeiro pároco, os professores e amigos de Évora de Alcobaça, os sacerdotes e amigos que o guiaram e acompanharam no seu caminho vocacional, os professores da faculdade e todos os paroquianos que o desafiaram durante os 22 anos como pároco. A partir de agora, a missão é outra e tem dimensão diocesana. “Na nova missão que agora começa, com o que tiver de forças e capacidades, continuarei a dedicar-me a Nosso Senhor, em obediência e cooperação com o Senhor Patriarca, servindo o seu Povo nesta Igreja Diocesana de Lisboa, exortada a uma maior consciência de missão apostólica, e também em Comunhão com os outros Senhores Bispos e as outras Igrejas Diocesanas”, assegurou.

 

A ascensão do Espírito

No Domingo em que se celebrava a Solenidade da Ascensão de Jesus Cristo, D. Manuel Clemente clarificou a mensagem desta festa, e alertou para os “perigos” de se perder de vista a verdadeira ascensão: a do Espírito. Para o Patriarca de Lisboa, o desafio é não deixar prevalecer o materialismo, esquecendo os critérios e as prioridades a que todos os cristãos são chamados. “Celebramos hoje a ascensão do Senhor, ascendendo também ao mais elevado de nós próprios, das nossas aspirações e anseios. Se há apelo íntimo e inextinguível que nos define como humanos, nos materializa como civilização e nos anima como cultura, é aí mesmo que reside, nessa incontida vontade de sermos mais e melhor. A ela devemos o melhor do que está feito e o melhor que apresentamos. A ela, essa vontade de ‘subir na vida’, podemos atribuir, pelo contrário, o pior do que acontece no mundo, quando se degrada e isola em materialismo egoísta, tanto particular como coletivo”.

D. Manuel Clemente desafiou também todos os cristãos a transformar os desejos criaturais e humanos em valores mais elevados, em aspiração espiritual, em humildade extrema, como nos pede São Mateus. “Como tudo o que é criatural e humano, precisa de ser completada e redimida: de vontade de subir na vida, precisa de transformar-se em aspiração a uma vida mais subida, como em Cristo aconteceu e no seu Espírito nos é possibilitado. Vida de caridade perfeita, que só o Espírito infunde nos nossos corações (cf. Rm 5, 5), pois se trata da solidariedade levada ao ponto em que Cristo a viveu e derramou. Desta que precisamos agora, desta que precisaremos sempre, rumo àquela coesão social que tanto urge e que a comunhão eclesial há-de assinalar, como que sacramento dela (cf. Lumen Gentium, 1). Vida subida em Cristo, que o seu Espírito nos proporciona, em conversão permanente de critérios e escolhas. (…) Basta de grandezas não convertidas, ostentações vazias e contrafações completas da ascensão verdadeira. Como discípulos de Cristo, o nosso critério é outro, e apenas este, que lhe ouviremos sempre: «Quem entre vós quiser fazer-se grande, seja o vosso servo» (Mt 20, 27). E ainda: «O maior de entre vós será o vosso servo. Quem se exaltar será humilhado e quem se humilhar será exaltado» (Mt 23, 11-12)»”.

texto por Margarida Vaqueiro Lopes; fotos por Luís Moreira
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