‘Evangelii Gaudium’ |
‘Evangelii Gaudium’ (nº 217 a 237) – Capítulo IV
O Bem Comum e a Paz Social
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Ainda neste quarto capítulo da Exortação Apostólica ‘A Alegria do Evangelho’, Francisco detém-se sobre o “fruto da paz”. “A paz social não pode ser entendida como irenismo ou como mera ausência de violência obtida pela imposição de uma parte sobre as outras”, explica o Papa argentino. “Também seria uma paz falsa aquela que servisse como desculpa para justificar uma organização social que silencie ou tranquilize os mais pobres, de modo que aqueles que gozam dos maiores benefícios possam manter o seu estilo de vida sem sobressaltos, enquanto os outros sobrevivem como podem”, observa.

Por outro lado, citando o Papa Paulo VI na Carta Encíclica ‘Populorum progressio’, Francisco salienta que “‘a paz não se reduz a uma ausência de guerra’”, mas “‘constrói-se, dia a dia, na busca de uma ordem querida por Deus, que traz consigo uma justiça mais perfeita entre os homens’”. “Em cada nação, os habitantes desenvolvem a dimensão social da sua vida, configurando-se como cidadãos responsáveis dentro de um povo, e não como massa arrastada pelas forças dominantes”. Porém, observa o Papa jesuíta, isto implica “tornar-se um povo”, o que exige um trabalho “lento e árduo”. “Para avançar nesta construção de um povo em paz, justiça e fraternidade, há quatro princípios relacionados com tensões bipolares próprias de toda a realidade social”, destaca Francisco. Estes princípios que aqui sintetizamos sugerindo, no entanto, a leitura completa do texto da exortação, “orientam especificamente o desenvolvimento da convivência social e a construção de um povo onde as diferenças se harmonizam dentro de um projeto comum”.

 

O tempo é superior ao espaço

Deste modo, o primeiro princípio apresentado por Francisco sugere que “o tempo é superior ao espaço” existindo, assim, “uma tensão bipolar entre a plenitude e o limite. “Este princípio permite trabalhar a longo prazo, sem a obsessão pelos resultados imediatos. Ajuda a suportar, com paciência, situações difíceis e hostis ou as mudanças de planos que o dinamismo da realidade impõe”.

 

A unidade prevalece sobre o conflito

O segundo princípio aponta que “o conflito não pode ser ignorado ou dissimulado; deve ser aceite”. Porém, adverte Francisco, “se ficamos encurralados nele, perdemos a perspetiva, os horizontes reduzem-se e a própria realidade fica fragmentada”. Por isso, “aceitar suportar o conflito, resolvê-lo e transformá-lo no elo de ligação de um novo processo”, é a forma “mais adequada de enfrentar o conflito”, refere o Papa. Deste modo, “torna-se possível desenvolver uma comunhão nas diferenças, que pode ser facilitada só por pessoas magnânimas que têm a coragem de ultrapassar a superfície conflitual e consideram os outros na sua dignidade mais profunda”.

 

A realidade é mais importante que a ideia

O terceiro princípio salientado pelo Papa Francisco sugere-nos que “existe também uma tensão bipolar entre a ideia e a realidade”, ou seja, “a realidade simplesmente é, a ideia elaborar-se”. Entre estas duas, Francisco considera que “deve estabelecer-se um diálogo constante, evitando que a ideia acabe por separar-se da realidade”. Este princípio “está ligado à encarnação da Palavra e ao seu cumprimento”. “O critério da realidade, de uma Palavra já encarnada e sempre procurando encarnar-se, é essencial à evangelização”; “impele-nos a pôr em prática a Palavra, a realizar obras de justiça e caridade nas quais se torne fecunda esta Palavra”, observa.

 

O todo é superior à parte

O quarto e último princípio sugerido pelo Papa Francisco aponta-nos que “entre a globalização e a localização também se gera uma tensão”, pelo que, “é preciso prestar atenção à dimensão global para não cair numa mesquinha quotidianidade”. “É preciso alargar sempre o olhar para reconhecer um bem maior que trará benefícios a todos nós. Mas há que o fazer sem se evadir nem se desenraizar”. Segundo Francisco, “a nós, cristãos, este princípio fala-nos também da totalidade ou integridade do Evangelho que a Igreja nos transmite e envia a pregar”.

texto por Nuno Rosário Fernandes
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