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A missão das Irmãs Palotinas junto dos refugiados
Os olhos de Marta
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Algures na fronteira entre a República Democrática do Congo e o Ruanda, há milhares de refugiados que perderam tudo nas guerras que há décadas assolam a região. Juntamente com eles estão 42 irmãs da Congregação das Palotinas. Uma delas é Marta. Os seus olhos já choraram de impotência perante tanta tragédia.

 

Fome, doença, miséria. Na zona fronteiriça entre a República Democrática do Congo e o Ruanda, milhares de pessoas procuram sobreviver todos os dias sempre desassossegadas, com medo de poderem ser alvo de ataque dos bandos rebeldes que actuam na região. Ultimamente, com a intervenção de uma brigada de Capacetes Azuis das Nações Unidas, comandada pelo general brasileiro Santos Cruz, tem havido menos episódios sangrentos, mas nunca se sabe. E se o medo está estampado nos olhos destes refugiados, a magreza dos seus corpos revela o resto da tragédia: a da fome, das doenças. Da miséria.

 

Dar tudo

Entre estes dois países estende-se uma fronteira enorme. Há lugares perdidos, onde ninguém vai, onde as organizações internacionais não se atrevem a ficar, com medo também dos ataques, das represálias, da violência. Mas nem todos pensam assim. 42 são mulheres, todas elas pertencentes à Congregação das Palotinas, que desenvolvem todos os dias um trabalho notável de apoio a estas populações. Não têm muito para dar, mas dão tudo o que têm. Nas aldeias de Masaka, Gikondo, Ruhango e Kibelo, todas situadas já em território ruandês, estas Irmãs são o “ai Jesus” dos refugiados que por ali se encontram. São religiosas, mas ali olham para elas como médicas e enfermeiras, parteiras e professoras. Ali, todos sem excepção olham para estas Irmãs como amigas de verdade.

 

Irmã Marta
A Irmã Marta Litawa anda num corre-corre todos os dias. Ela nem quer saber do Mundial de Futebol que começou agora no Brasil. Nem tem tempo para tal. “Batem-nos à porta órfãos e mães com filhos pequeninos sem terem nada para comer. A desnutrição é um problema muito grave por aqui.” Os olhos de Marta já choraram de impotência perante tanta tragédia, já se revoltaram por não ser possível acudir todas as pessoas como elas merecem, como ela gostaria. Aos poucos, estas Irmãs vão desenvolvendo estratégias para auxiliar com eficácia estas populações refugiadas.

 

“Vamos conseguir”

Quase todos os que estão por ali nada têm de seu. Nem casa, nem terras, nem trabalho. Se as Irmãs se fossem embora, não sobreviveriam. Todos os dias estas Irmãs realizam algum milagre. A simples presença da congregação é, por si, um verdadeiro milagre. “O facto de sabermos que salvamos vidas deixa-nos cheias de felicidade e satisfação. O nosso apostolado junto dos enfermos, dos pobres e órfãos não é simples mas, com a ajuda de todos, vamos conseguir.”

 

Escola para a Vida

O trabalho destas Irmãs, apoiadas pela Fundação AIS, procura ir muito mais além do que o simples amparo aos doentes, aos feridos, às populações que passam fome. Em Masaka, criaram uma escola para raparigas. Deram-lhe um nome que diz tudo: Escola para a Vida. Lá dentro, nas improvisadas salas de aula, 80 raparigas aprendem a ler e a escrever, mas também a costurar e a preparar alimentos. É uma escola profissional, talvez a única em toda a região. Seguramente que será a única oportunidade que estas meninas terão de conseguir fugir à sombra da miséria que esconde esta região de África há tantos anos. 

A Irmã Marta não liga ao futebol. Provavelmente nem ouviu ainda falar em Cristiano Ronaldo. Porém, juntamente com as outras irmãs, ela consegue fintar a pobreza, a morte, a miséria de centenas de pessoas. Se por acaso existisse o Campeonato Mundial do Amor, ela seria, por certo, uma das melhores do mundo.

 

www.fundacao-ais.pt | 217 544 000

texto por Paulo Aido, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre
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