Sínodo 2016 |
Sínodo Diocesano de Lisboa 2016
“Não caminharemos em sínodo se não ligarmos oração e ação”
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O Patriarca de Lisboa apresentou o Sínodo Diocesano 2016. Nos próximos dois anos pastorais, Lisboa vai viver uma caminhada sinodal com ‘o sonho missionário de chegar a todos’.

 

Uma assembleia, a ter lugar em novembro de 2016, que vai reunir leigos, consagrados e sacerdotes do Patriarcado de Lisboa. Assim se fará o Sínodo Diocesano 2016, que nasce na sequência de “um pedido do Papa Francisco” expresso na Exortação Apostólica ‘Evangelii Gaudium’, explicou D. Manuel Clemente, no Dia da Igreja Diocesana (ver pág.08), que decorreu no passado Domingo, 15 de junho, na igreja da Boa Nova, na Galiza, Estoril. “O Papa Francisco referiu que a exortação não é para arrumar na prateleira, é programático para os próximos tempos da vida da Igreja”, recordou o Patriarca de Lisboa.

‘O sonho missionário de chegar a todos’ é o lema da caminhada sinodal “que a Diocese de Lisboa vai viver durante os próximos dois anos pastorais”. Um caminho sinodal “que a todos empenhará até ao final de 2016”, segundo referiu D. Manuel Clemente, na apresentação deste programa para o Patriarcado de Lisboa. “Será muito interessante quando chegarmos a 2016 e já dispusermos de dois anos em que as comunidades cristãs, as paróquias, os movimentos, os institutos religiosos e seculares tiverem pensado e ensaiado algo para levar à prática as indicações do Papa Francisco”, observou, recordando ainda que em 2016 “se comemoram três séculos da qualificação Patriarcal de Lisboa – ligada então, pelo Papa Clemente XI, ao esforço na propagação da fé”.

 

Percorrer capítulo a capítulo

Na introdução ao Programa e Calendário Diocesano 2014/2015, D. Manuel Clemente explicou que o caminho até ao Sínodo será feito de “reflexão e ensaio que, sem dispensar o compromisso geral e de cada um, passarão necessariamente pelas comunidades cristãs da Diocese”. Neste texto, o Patriarca aponta o objetivo da caminhada sinodal que a diocese vai iniciar em setembro, no começo do ano pastoral. “Na verdade, é o próprio Papa Francisco, grande motivador do caminho que seguiremos, a indicar o objetivo e a base da ação. Quanto ao primeiro, expressa-se como «sonho missionário de chegar a todos» (Evangelii Gaudium, 31). Quanto à segunda, escreve também: «Cada cristão e cada comunidade há-de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho» (EG, 20). A vários níveis se levará por diante tal desiderato. Na sequência do que vos disse na Missa Crismal deste ano, o caminho sinodal percorrerá capítulo a capítulo e tempo após tempo, a exortação apostólica do Papa Francisco, juntando reflexão e ensaio missionário. Surgirão novidades certamente. Mas o mais que se fará é alargar criativamente o âmbito e a incidência do que normalmente se faz, pessoalmente e nas famílias, nas comunidades e nos departamentos diocesanos, para chegar mais longe no anúncio evangélico e mais fundo no seu alcance”, explicou o Patriarca.

 

Saída e periferias

Nesta introdução, com o título ‘Iniciando o caminho sinodal do Patriarcado de Lisboa’, D. Manuel Clemente sublinha as palavras que vão guiar a caminhada sinodal da Igreja diocesana: saída e periferias. “Julgo que estas duas palavras podem e devem caracterizar todo o nosso caminho sinodal. A saída em relação a Deus, na oração, e a saída em relação aos outros, na ação, estimulam-se mutuamente, pois quem se aproxima de Deus descobre e aprofunda o amor divino por todas as suas criaturas, isso mesmo que é a caridade. Não caminharemos em sínodo se não ligarmos oração e ação, mais e mais, como em Jesus acontecia totalmente, sempre com o Pai e sempre para os outros. As periferias como alvo, também se tornam critério principal. – Na minha família, no meu prédio, na minha rua, quem está mais só, mais afastado ou esquecido? – Na minha escola, na minha empresa, seja onde for, quem está mais isolado, menos acompanhado ou pouco atendido? – Na sociedade, na economia, na cultura, quem está mais ‘longe’ da verdade evangélica das coisas, por omissão sua ou nossa? Não há neste ponto hipótese alguma para recuos ou alheamentos”, garantiu.

As palavras finais da introdução ao Programa e Calendário Diocesano são especialmente dirigidas aos cristãos de todas as paróquias do Patriarcado. “Caríssimos diocesanos de Lisboa: iniciemos a caminhada sinodal com a convicção reforçada de que passa por cada um de nós, no variado ser e acontecer da Igreja de Cristo, a resposta de Deus a este mundo que tanto sofre, mas sempre espera. Redescubramo-nos eclesialmente em Maria, que se dispôs a dar-nos Cristo, em plena confiança n’Aquele que faz maravilhas na humidade de quem O serve”, apelou D. Manuel Clemente.

 

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Folheto de apresentação do Sínodo Diocesano de Lisboa 2016: ‘O sonho missionário de chegar a todos’

 

O que é um Sínodo?

A palavra tem origem no grego “synodos” e significa: caminho feito em conjunto. Foi traduzida para o latim como “concilium”, que quer dizer: assembleia.

O Sínodo Diocesano é uma assembleia que reúne leigos, consagrados e sacerdotes dessa Igreja particular, escolhidos para auxiliar o Bispo Diocesano no exercício da sua função, para o bem de toda a comunidade cristã. É um caminho de reflexão, avaliação, renovação, planeamento e programação, feito em conjunto, com a participação de todos.

 

O porquê de um Sínodo?

A inspiração para a realização de um Sínodo em Lisboa nasce como acolhimento e resposta à Exortação Apostólica do Papa Francisco, ‘A Alegria do Evangelho’ (publicada a 24 de novembro de 2013), um programa de missão geral e evangelizadora, em estreita sintonia com o processo de renovação da pastoral da Igreja em Portugal, a que fomos recentemente convidados.

O Sínodo acontece no contexto da celebração dos três séculos sobre a qualificação patriarcal de Lisboa, que ocorrerá em novembro de 2016. A sua preparação, a começar já, envolve-nos a todos num processo de discernimento, purificação e reforma, que, como diz o Papa, “não pode deixar as coisas como estão”. Neste sentido, o nosso Bispo a todos quer escutar e convidar a vivermos em estado permanente de conversão e missão.

 

A caminhada pré-sinodal

Se queremos mudar o mundo, comecemos por nós próprios, pelas nossas famílias, grupos cristãos, comunidades religiosas, movimentos, associações, paróquias, diocese...

Enquanto caminhamos em comunhão rumo ao Sínodo, deixemo-nos interpelar-transformar por Jesus Cristo, pela Palavra de Deus e pelos sacramentos, pelos acontecimentos do nosso tempo e pelas pessoas em quem Jesus vem ao nosso encontro.

Ousemos fazer uma revisão pessoal-comunitária de vida e deixarmo-nos abraçar por Deus e pela Igreja de Lisboa; dialoguemos, debatamos, aprofundemos sempre mais as razões da nossa fé e interpelemos o Sínodo com novas propostas para os seus desafios atuais; concelebremos a vida humana e a vida de Deus em nós, nos outros e na História; testemunhemos a alegria e a beleza de sermos discípulos e apóstolos de Jesus Cristo, hoje; comprometamo-nos com quem mais necessita na partilha de dons, competências e tempo; e… participemos, todos, neste itinerário.

 

O que se pretende?

Tempo de oração: o “segredo” para que o Sínodo seja um autêntico evento de graça para a Igreja de Lisboa é a oração. Rezemos, desde já, pelos bons frutos do Sínodo; tempo de formação, reflexão e partilha: a partir de “A Alegria do Evangelho”, a Igreja de Lisboa é chamada a perscrutar os desafios pastorais atuais para que, em escuta e resposta à Palavra de Deus, à Igreja e ao Mundo, possa ser fiel, credível e próxima, hoje.

Tempo de ensaio de iniciativas pastorais de âmbito missionário: «Ensaio de modos e meios de projeção missionária de cada comunidade – paróquias, institutos, famílias e todas as formas agregativas da vida cristã –, local a local, ambiente a ambiente, processo a processo». (D. Manuel Clemente, homilia da Missa Crismal, 2014)

 

Metodologia

No início de cada trimestre receberemos um guião que orientará a nossa caminhada sinodal e constará de oração, leitura e reflexão pessoal, diálogo comunitário, compromisso e celebração.

Em cada etapa (trimestre), após o trabalho pessoal, somos convidados a reunirmo-nos em grupo (existente ou a constituir para o efeito) para a oração, o estudo, a partilha e a missão. Procuremos envolver todas as “forças vivas” do Patriarcado de Lisboa: comunidades paroquiais, institutos de vida consagrada e sociedades de vida apostólica, movimentos, associações e grupos eclesiais, institutos de formação e educação (seminários, universidades e escolas), famílias, instituições…

No final de cada etapa, cada grupo enviará o contributo da sua reflexão e ensaio para o Secretariado do Sínodo. Este tratará toda a informação e preparará o documento de trabalho ou “Instrumentum Laboris” para a Assembleia Sinodal.

Cada etapa deste caminho culminará num momento alto do ano litúrgico e pastoral: o 1.º trimestre conduzir-nos-á ao Natal; o 2.º, à Páscoa; o 3.º, no final do ano pastoral, congregar-nos-á no Dia da Igreja Diocesana. Localmente, e para marcar o ritmo sinodal, cada comunidade pode enriquecer esta caminhada da seguinte forma: ensaiando novas formas de missão e valorizando celebrações e eventos significativos.

 

As etapas

A caminhada de preparação para o Sínodo decorrerá ao longo dos próximos dois anos pastorais: 2014-15 e 2015-16. Em cada trimestre seremos conduzidos por um dos capítulos da Exortação Apostólica “A Alegria do Evangelho”:

De setembro a dezembro de 2014: ‘A transformação missionária da Igreja’

De janeiro a março de 2015: ‘Na crise do compromisso comunitário’

De abril a junho de 2015: ‘O anúncio do Evangelho’

De setembro a dezembro de 2015: ‘A dimensão social da evangelização’

De janeiro a março de 2016: ‘Evangelizadores com Espírito’

No último trimestre do ano pastoral 2016 (de abril a junho) construir-se-á o documento de trabalho sinodal [“Instrumentum Laboris”], a partir das reflexões feitas nos trimestres anteriores.

Toda esta caminhada vai guiar a Igreja de Lisboa à Assembleia Sinodal, que se realiza em novembro de 2016.

 

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Levar a todos “a vida que irradia da cruz”

O logotipo criado pelo Patriarcado de Lisboa para o Sínodo recupera a estrela de oito pontas, utilizada anteriormente em marcantes etapas na Diocese de Lisboa, tal como o Jubileu do ano 2000 e o Congresso Internacional para a Nova Evangelização (ICNE), que se realizou no ano de 2005. A estrela de oito pontas, sinal da vida que só pode irradiar da cruz, é o centro de toda a caminha sinodal que agora se inicia. Está sobre um fundo azul, numa lembrança à proteção de Maria. Este símbolo que ‘atrai’ assenta sobre os braços da cruz que estão abertos e que se ‘expandem’, porque se trata de um caminho para ‘chegar a todos e a tudo’ e que, por isso, não tem limites. Os círculos em torno do centro simbolizam a comunhão diocesana, isto é o caminho que só é possível fazer em conjunto quando partilhado entre todos.

Da autoria de Filipe Teixeira, este elemento gráfico acompanhará todos os materiais que serão produzidos relativos ao Sínodo e foi apresentado oficialmente no Dia da Igreja Diocesana.

 

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Oração oficial do Sínodo

Maria, Mãe da Igreja

ajudai-nos a dizer o nosso «sim».

Dai-nos a audácia de buscar novos caminhos

para que chegue a todos

o dom da beleza que não se apaga.

 

Virgem da escuta e da contemplação,

intercedei pela nossa Igreja de Lisboa,

em caminho sinodal,

para que nunca se feche nem se detenha

na sua paixão por instaurar o Reino.

 

Estrela da nova evangelização,

ajudai-nos a resplandecer

com o testemunho da comunhão,

do serviço, da fé ardente e generosa,

da justiça e do amor aos pobres,

para que a alegria do Evangelho

chegue até aos confins da terra

e nenhuma periferia fique privada da sua luz.

 

Mãe do Evangelho vivo,

manancial de alegria para os pequeninos,

rogai por nós.

Ámen.


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Materiais disponíveis no Patriarcado

Calendário pastoral (1¤), folheto de apresentação (0,25¤) e pagela com oração (0,04¤) encontram-se à venda na Livraria Nova Terra, no Patriarcado de Lisboa (informações: 218810568)

texto por Diogo Paiva Brandão; fotos por Filipe Teixeira
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