Lisboa |
Dia da Igreja Diocesana
Uma Igreja solidariamente comprometida na ajuda ao próximo
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A manhã do Dia da Igreja Diocesana ficou marcada por uma reflexão da pastoral social, com o diretor do Departamento da Pastoral Sociocaritativa a referir que caridade apenas existe quando os cristãos colocam a vida numa atitude de serviço aos outros. Na igreja da Boa Nova, no Estoril, o Patriarca deixou a certeza de que o caminho sinodal que a Igreja de Lisboa agora inicia é acompanhado por Cristo.

 

Ana Oliveira é técnica de Serviço Social no Centro Social Paroquial do Campo Grande, em Lisboa, e partilhou a sua experiência no Dia da Igreja Diocesana, referindo desde logo que o tema do encontro – ‘Dai-lhes vós mesmos de comer’ – é, ele mesmo, “um documento de esperança obrigatória” que coloca a Igreja “noutra perspetiva”. A interpelação de Jesus é também um convite para procurar fazer uma atualização constante da forma de fazer a caridade. “As dificuldades que existem implicam uma nova cultura de ação e uma nova lógica”, refere Ana Oliveira, que é também professora na Universidade Católica Portuguesa. Perante a complexidade das diferentes situações que diariamente aparecem à frente dos profissionais e agentes desta área, são várias as interrogações sobre “o que fazer?” ou “como fazer?”. Num auditório que partilhava as mesmas interpelações, Ana Oliveira salientou a necessidade de procurar uma “nova cultura de ação, baseada na compaixão”, porque, acredita, “esse sentimento pode voltar a configurar o sentido da nossa ação”. “Quando se escuta o clamor do povo não se pode deixar de agir”, observa, referindo ter sentido a “necessidade de regressar à oração”. Analisando a interpelação de Jesus quando diz ‘Dai-lhes vós mesmos de comer’, Ana constata que “a realidade de hoje e a do Evangelho são as mesmas e a interpelação de Jesus também”. Para esta professora, os agentes da pastoral social têm de ter coragem para se questionarem: “É preciso ter a coragem para nos perguntarmos qual é a raiz da nossa ação, qual a nossa intencionalidade e qual a competência que emprego naquilo que faço. Temos de abrir a porta ao que vem de fora e que também é diferente”. Isso, assegura, “também cria uma dinâmica nova”, porque os novos desafios que se colocam a partir da existência de novas realidades exigem sempre “não ter medo da mudança, mesmo que isso implique mudar tudo”, conclui.

 

Caridade sem burocracias

No auditório da igreja da Boa Nova, na Galiza, Estoril, compareceram os agentes ligados à Pastoral Sociocaritativa na Diocese de Lisboa, entre os quais membros dos órgãos executivos das instituições de solidariedade social e leigos empenhados nesta pastoral. As ‘Ceias de Santa Isabel’ foi outro dos projetos partilhado durante a manhã do Dia da Igreja Diocesana. Maria Cortez Lobão, uma das responsáveis por este projeto nascido na paróquia de Santa Isabel, em Campo de Ourique, revelou que as ‘Ceias de Santa Isabel’ existem desde 2009 e foram uma forma de responder à crise. Desde a sua criação que pretende ser uma obra que vai para além da ‘simples’ distribuição de refeições. “A Ceia existe não para terminar a fome em Lisboa ou no mundo, mas para ‘criar laços’ e fazer companhia”, referiu Maria Cortez Lobão. Para esta responsável, era necessário “fazer caridade sem burocracias” ou sem outras coisas que dificultam o cumprimento do grande objetivo desta obra. A resposta é dada “cara a cara” procurando assim, de “igual para igual, dar e receber”. Numa dinâmica que se vai renovando, de forma a responder mais eficazmente aos novos desafios, cada ceia é organizada por um “dono de casa” – um voluntário “que tem a missão de fazer as honras da casa, abrindo a porta e quase sempre o coração a quem procura entrar para saciar a fome que muitas das vezes não é só uma fome física mas de outro alimento”.

Hoje, perante uma grande diversidade de faixas da população que se confronta com uma repentina situação de pobreza, “urge a necessidade de ter uma resposta abrangente”, falando “sem pressas e sem aceção de pessoas ou classes sociais”, salienta esta responsável. Para que este trabalho seja possível, Maria Cortez Lobão destaca também o importante papel dos voluntários que doam o seu tempo, muitos até em “dias festivos e de férias” para “celebrarem” ou “descansarem”, no serviço aos outros. Também para as ‘Ceias de Santa Isabel’, existe a necessidade de dar “novas respostas” para uma crise que vai apresentando “novos problemas”.

 

Evitar a desestruturação familiar

A manhã de trabalhos foi preparada pelo Departamento da Pastoral Sociocaritativa e contou com a presença do Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, e dos três Bispos Auxiliares, D. Joaquim Mendes, D. Nuno Brás e D. José Traquina. Após a exposição da realidade num centro social paroquial e numa obra comunitária, o presidente da Cáritas Diocesana de Lisboa, José Frias Gomes, apresentou aos agentes de pastoral da diocese o projeto ‘Igreja Solidária’, criado em 2009 pelo Patriarcado de Lisboa. “O que estava em causa era apoiar pessoas e famílias em particular, evitando a sua desestruturação com apoios financeiros imediatos e indo para além daquilo que o Estado pode oferecer”, recordou Frias Gomes, prevendo na época o cenário preocupante que se veio a concretizar.

Para o presidente da Cáritas Diocesana, foi necessário provocar entre os grupos sociocaritativos uma “integração maior no terreno”, o que veio resultar numa rapidez de resposta aos pedidos “num prazo nunca superior a um mês e com uma elevada taxa de aprovação”, referiu. Desde a criação do projeto ‘Igreja Solidária’, “já foram distribuídos diretamente cerca de 310 mil euros”, destaca o responsável.

 

O grito do pobre faz-se urgência

Na conclusão dos trabalhos da manhã, o diretor do Departamento da Pastoral Sociocaritativa do Patriarcado de Lisboa, cónego Francisco Crespo, destacou a importância do desafio de Jesus ao interpelar a Igreja com as palavras ‘Dai-lhes vós mesmos de comer’. Para este sacerdote, “o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes só acontece quando saímos da nossa situação de conforto e nos dispomos a colocar a vida numa atitude de serviço aos outros”. Destacando o carácter premente da caridade, acrescentou: “O grito do pobre faz-se urgência e porque nem sempre conseguimos discernir o rumo a seguir, somos tentados a bater na rocha, como fez Moisés. Tudo isto implica alegria e confiança”, garantiu. Alegria e confiança são dois dos sinais representados nas fitas do símbolo que foi oferecido, nesta manhã, a cada instituição ou responsável presente no Dia da Igreja Diocesana.

 

Imediata, independente, gratuita

O Patriarca de Lisboa encerrou a reflexão, destacando a importância da “iniciação cristã como caminho para uma verdadeira caridade”. “Como é que nós podemos fazer essa iniciação cristã que muitas vezes já não acontece no ambiente familiar como anteriormente?”, questionou D. Manuel Clemente. Segundo referiu, essa iniciação faz-se “através da transmissão do querigma de Cristo Vivo e da vida em Cristo”. E, “nessa transmissão, a dimensão sociocaritativa é inevitável”, lembra o Patriarca, referindo-se ao número 177 da Exortação Apostólica ‘Evangelli Gaudium’, do Papa Francisco. Só assim se pode estar “presente nessa grande sociedade de católicos e não católicos com aquilo que é típico da fundamentação cristã que é o facto de ser imediata, independente e gratuita”, concluiu o Patriarca de Lisboa.

 

Comunidades de acolhimento e missão

Na tarde deste dia em que se celebrou o Dia da Igreja Diocesana, que anualmente acontece no Domingo da Santíssima Trindade, D. Manuel Clemente apresentou o Sínodo Diocesano 2016 (ver pág.02), dando assim início à “caminhada sinodal” de dois anos “cumprindo aquele ‘sonho missionário’ do Papa Francisco ‘de chegar a todos’”, refere. Partindo da primeira leitura, do Livro do Êxodo, na qual Deus se revelou a Moisés, o Patriarca de Lisboa pediu para que a prece do profeta fosse também a de toda a diocese, “em cada família, em cada comunidade, em cada agregação de fiéis” que agora enceta um “caminho conjunto”: “Ó Senhor, vem, por favor, caminhar no meio de nós”. O Patriarca reforçou ainda a importância de toda a diocese viver esta caminhada numa “realidade comunitária” de “acolhimento e missão” para que se possa “expandir e chegar a todos”. “As realidades quando são partilha de amor são sempre expansivas. Não se expandem as comunidades que se fizeram do egoísmo, do comodismo ou da desistência coletiva” lembra. Enaltecendo a importância de uma caminhada em conjunto, D. Manuel afirmou ainda que “durante estes dois anos, impulsionados constantemente pelas palavras do Papa Francisco e depois verificadas e recriadas em cada comunidade cristã e partilhadas, nós seremos a resposta que Deus dá à petição de Moisés que é também a petição de todos”. “Ele caminhará connosco”, garantiu.

 

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Centro Social do Campo Grande

Site: www.igrejacampogrande.pt | Telefone: 217812480

 

Ceias de Santa Isabel

Telefone: 213933070

 

Cáritas Diocesana de Lisboa

Site: www.caritas.pt/site/lisboa | Telefone: 213573386

texto e fotos por Filipe Teixeira
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