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O velho vício da guerra no mais novo país do mundo
O sonho de Joseph
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Um conflito entre etnias fez desmoronar a ilusão da paz no Sudão do Sul. A guerra rebentou em 15 de Dezembro do ano passado com uma violência e um ódio que dificilmente se conseguem compreender. Milhares de pessoas foram forçadas a fugir. Vivem agora em campos de refugiados. Joseph é um deles.

 

Joseph tem apenas 11 anos. Uma noite, sobressaltou-se com o barulho metálico dos tiros a esburacarem tudo à sua volta. “Tivemos de sair de casa a correr porque choviam balas e uns homens armados entravam nas casas para roubá-las”. Joseph é ainda uma criança e não consegue compreender como as pessoas podem odiar-se tanto só por pertencerem a etnias diferentes, mas foi precisamente o que aconteceu no seu país entre os dinka e os nuer. Para Joseph, esse ódio, que já causou milhares de mortos e dezenas de milhar de refugiados no Sudão do Sul, é incompreensível.

 

Fugir para sobreviver

 Joseph vive agora com os pais num enorme acampamento em Juba, da responsabilidade dos missionários salesianos. Todos os que estão ali fugiram de uma violência tresloucada que dizimou pessoas, destruiu aldeias inteiras e sacrificou igrejas e mesquitas. Ali, naquele mar de tendas, parece que o tempo parou. Joseph brinca. Qualquer coisa serve para se entreter. O aro enferrujado de uma velha bicicleta é suficiente para inventar uma corrida com outros miúdos. Eles não se perguntam de onde vêm, a que etnias pertencem. Todas as crianças do acampamento passaram pela mesma experiência de medo e de violência. Todos ali aprenderam a fugir para conseguirem sobreviver.

 

Milhões de refugiados

Os refugiados são tão pobres que até parecem, às vezes, invejar os mendigos que pedem esmola nas ruas da Europa. Esses estão na Europa, o lugar de sonho para onde todos anseiam viver. Os refugiados, como Joseph, vêm de muitos países e têm em comum alguma história terrível que muitas vezes se esforçam por esquecer.

Nunca, como nos dias de hoje, houve tantos refugiados no mundo. São números impressionantes que parecem, contudo, não comover quase ninguém. No ano passado, milhões de pessoas foram obrigadas a deixar o seu país, a abandonar o que tinham por causa de algum conflito. A maior parte dos novos refugiados são consequência da guerra civil na Síria. Mas não só. Sudão, Eritreia, Afeganistão, Mianmar, República Democrática do Congo, Vietname e, agora de novo, o Iraque, são alguns dos outros países que fazem engrossar essa multidão de gente perdida, amontoada em campos improvisados de tendas, sem futuro mas também sem possibilidade de regresso.

 

Vidas sem futuro

Joseph brinca. Depressa habituou-se às rotinas do acampamento, às filas para ir buscar água, às filas para a comida. Às filas para tudo. Depressa começou a entender a chegada de novas provisões, quando aparece algum camião e se abrem as cancelas. Joseph ainda se lembra bem da sua casa, da aldeia que provavelmente terá sido destruída na noite dos tiros e da fuga. Mas ali, no acampamento dos refugiados, há crianças mais pequeninas que não conhecem outra realidade do que aquela fila de tendas, o chão empoeirado e as pessoas de um lado para o outro, caminhando sem rumo. O tempo corre devagar. Às vezes é bom ignorá-lo. O passado está capturado pelo medo, pelas histórias trágicas que todos viveram. O futuro é uma incógnita enorme. Resta o presente, a vida ali, no acampamento.

 

Milhares de crianças em risco

Joseph, apesar de tudo, é uma criança com sorte. Está ali, tem uma tenda a que chama casa e tem os pais consigo. Há muitas outras crianças mais desafortunadas. Só este ano, segundo cálculos das Nações Unidas, mais de 50 mil crianças correm o risco de morrer de doença ou de fome no Sudão do Sul, calculando-se em quase 4 milhões as pessoas atingidas pela fome, violência e doença neste país só nos últimos meses.

 

Viver um pesadelo

Quando chegar a época das chuvas, com o chão convertido em lama, vai ser mais difícil a Joseph fazer correr o aro da sua bicicleta imaginária entre as tendas onde vive. Provavelmente terá de inventar outra brincadeira. O apoio aos refugiados é uma das prioridades da missão da Fundação AIS. Joseph sonha em regressar a casa, à sua casa verdadeira, não à tenda onde está abrigado. É na sua aldeia, onde ia à escola e tinha os amigos, que quer viver. Às vezes, Joseph fecha os olhos na esperança de que tudo aquilo seja apenas um sonho mau.

 

www.fundacao-ais.pt | 217 544 000

texto por Paulo Aido, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre
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