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Cristãos fogem de Mossul perante avanço de rebeldes jihadistas
Vidas sem futuro
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A segunda maior cidade do Iraque já não tem cristãos. Fugiram perante a chegada de rebeldes jihadistas de um movimento radical que deseja impor a lei islâmica no país. Encurralados, estes cristãos precisam agora da nossa ajuda.

 

Al-Qosh fica relativamente próxima da Mossul. É uma aldeia cristã, uma espécie de enclave no meio do mapa do terror em que o Iraque se transformou nas últimas semanas. Desde que Mossul, a segunda cidade mais importante do país, caiu nas mãos dos homens de negro, os rebeldes jihadistas do ISIS (Estado Islâmico do Iraque e do Levante), é ali que se concentram muitos dos cristãos que fugiram perante os primeiros tiros que ecoaram na cidade, depois de os soldados do regime se terem posto em fuga.

 

Uma aldeia como refúgio

Calcula-se que cerca de 3 mil cristãos deixaram a cidade. Provavelmente não ficou ninguém. O mundo viu, chocado, a fuga, em menos de 48 horas, de quase meio milhão de pessoas. Kalda Suleiman, tem 56 anos. É cristã, vivia em Mossul e também ela não se atreveu a ficar em casa para confirmar as atrocidades que são atribuídas aos elementos do ISIS, aos fuzilamentos arbitrários, às regras fanáticas que impõem. Suleiman fugiu com a mãe e os três filhos. Agora estão abrigados num minúsculo quarto em Al-Qosh, uma pequena aldeia que se transformou no último refúgio para a comunidade cristã. A aldeia está protegida por tropas curdas e isso transmite-lhes alguma sensação de segurança no meio do caos em que as suas vidas se transformaram.

 

O medo do futuro

Suleiman fugiu como todos os outros. Apressadamente, perante os ecos da chegada de milhares de rebeldes jihadistas. Não tiveram tempo para trazer dinheiro nem nada. Enfiaram-se no carro, passaram por vários postos de controlo e chegaram a Al-Qosh, na região de Nínive. Al-Qosh, uma aldeia de ruas estreitas transformou-se num quase centro de refugiados para os Cristãos. Um enclave. Se a presença de tropas curdas garante alguma aparente tranquilidade, nunca se sabe como vai ser o dia de amanhã. Nunca se sabe se também esta pequena aldeia vai ser sitiada pelos jihadistas. Nunca se sabe como vai ser o futuro. Em muitos dos locais onde os Cristãos se têm abrigado, começa a faltar tudo: água, electricidade, alimentos, combustível, medicamentos, até roupa. Todos fugiram sem nada. Das suas casas ficaram apenas as memórias dos tempos em que sonhavam ser felizes. Agora, os dias são de tempestade, de violência.

 

“Ajuda de emergência”

Em resposta a esta situação trágica, a Fundação AIS decidiu disponibilizar, na passada semana, uma “ajuda de emergência” de 100 mil euros para os refugiados de Mossul que fugiram dos rebeldes jihadistas do ISIS. A Igreja, no local, tem procurado acolher todos da melhor forma possível. Em Al-Qosh e em outras aldeias próximas de Nínive, os Cristãos estão agora a viver em escolas, salas de catequese, casas abandonadas, em quartos que lhes são cedidos pela população local. Estes 100 mil euros são uma primeira ajuda para a sobrevivência imediata destes refugiados. E eles bem precisam de ajuda. Há lágrimas nos olhos destes cristãos. Há desespero. Estão a ser expulsos das suas casas, das ruas e dos bairros onde sempre moraram. Querem impor-lhes uma religião, uma conduta. Querem submetê-los à força. As notícias que chegam de outras cidades comprovam que os jihadistas do ISIS estão insaciáveis de poder. À sua passagem, deixam um rasto de violência incompreensível, com dezenas de execuções sumárias e uma crueldade bárbara, insensível. Os Cristãos sabem o que os espera. Em Raqqa, na Síria, outra cidade controlada por estes jihadistas, os Cristãos transformaram-se em cidadãos de segunda, obrigados a pagar um imposto para continuarem vivos, forçados a não exibirem quaisquer símbolos religiosos ou a rezarem em público. Os que não o fizerem são considerados “alvos legítimos”. E todos sabem que eles não brincam com as palavras.

 

Pedidos de ajuda

No final do ano passado, a convite da Fundação AIS, esteve em Lisboa o Bispo Auxiliar de Bagdade, D. Shlemon Warduni. Então, denunciou a existência de “um plano para retirar os Cristãos” do Iraque e de todo o Médio Oriente, e que o futuro se imaginava “muito obscuro”.

Em Al-Qosh, os dias correm devagar. Kalda Suleiman sente-se impotente, incapaz de decidir sobre o que fazer à sua vida. Sair dali é um suicídio. Ficar é sempre uma incógnita. A qualquer momento os rebeldes do ISIS poderão chegar para juntarem mais uma aldeia à longa lista de troféus que têm vindo a conquistar. Os Cristãos não têm milícias armadas que os defendam, nem pertencem a tribos, nem têm qualquer poder. Escorraçados, forçados a fugir, os Cristãos do Iraque precisam agora, mais do que nunca, da nossa ajuda, das nossas orações. O mundo está a assistir a uma tragédia e não pode fazer de conta que não sabe o que está a acontecer.

 

www.fundacao-ais.pt | 217 544 000

texto por Paulo Aido, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre
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