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A Família e a Palavra
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Estamos neste momento em plena preparação sinodal, o que significa este caminhar em conjunto no qual somos particularmente interpelados a sermos ainda mais missionários do Evangelho. Assim nós, famílias cristãs, somos recordadas vivamente da necessidade de transmitir a Palavra de Deus entre as gerações e a dar dela testemunho vivo renovador da sociedade em que vivemos. Como tal, neste Familiarmente de Julho, tempo em que muitos de nós aproveitamos as férias para “pôr a leitura em dia”, falamos sobre a importância da leitura e do contar histórias. Fazemo-lo sempre com os olhos postos em Jesus, exímio contador de histórias que catequizava através das parábolas que recebem vida na experiência concreta de cada um que as ouve. Este é o tema da catequese doméstica deste mês. Assim como Jesus fez também nós podemos e devemos valorizar as histórias como meio concreto de tocar a experiência de vida concreta de cada um, ao mesmo tempo que permitem a transmissão da memória, o que aprofundamos com uma reflexão sobre a importância de contar histórias. Por fim apresentamos o testemunho animador de uma jovem que perante uma sociedade na qual se lê cada vez menos, nos transmite a importância que a leitura e a escrita têm na sua vida.

 

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Catequese Doméstica: Jesus, um exímio contador de estórias

Jesus falava do seu mundo como o mundo de Deus, como o Reino, ou seja como a família emergente de Deus. E nestas abordagens Ele apresentou novas situações, novas maneiras de sentir para abrir o coração e o espírito de muitos que o ouviam, através de parábolas.

Por aquelas bandas alguns achavam que o homem anunciado por João, o Baptista, iria aparecer como um rei, outros imaginavam que ele apareceria como um general acompanhado de uma grande escolta; outros ainda pensavam que ele era uma pessoa riquíssima que viria numa elegante carruagem, com inúmeros servos. Todos o aguardavam ansiosamente. Porém, na sua verdadeira simplicidade, ninguém reparou nele pelo seu aspeto, mas apenas pela sua Palavra.

O Mestre dos Mestres – Jesus – andava pelas cidades e à beira das praias discursando sobre os mais belos sonhos: eram histórias com sentido e significado que saíam da sua boca. Eram sonhos que mexiam com os desejos fundamentais do ser humano de todas as eras. Essas verdadeiras histórias de vida tocavam o inconsciente coletivo e traziam dignidade à existência tão breve, tão bela, mas tão sinuosa. É assim também hoje quando escutamos as Parábolas de Jesus.

Por outro lado, o verdadeiro mundo que Jesus revelou devia parecer a muitos dos seus contemporâneos um mundo impraticável, um mundo de loucos, na medida em que Jesus irrompeu na Palestina daquela época trazendo consigo uma nova consciência, uma sabedoria que as Escrituras designariam por sabedoria de Deus.

As parábolas são, portanto, ilustrações que Jesus usou para tornar mais próximo o entendimento de um novo mundo. Aliás, são um apelo a uma nova atitude pela consciência de uma nova perspetiva dos acontecimentos, apontando um caminho diferente. São exemplos “a dracma perdida” (Lc 15, 8-10); “a figueira estéril” (Lc 13, 6-9); “o filho pródigo” (Lc 15, 11-32); “a semente de mostarda” (Mt 13, 31-32); “os trabalhadores da vinha” (Mt 20, 1-16), entre muitas outras.

Lendo nas entrelinhas dos Evangelhos, parece muito claro que Jesus tinha um sentido profundo do encanto. E sabia transmiti-lo de uma maneira nova.

Jesus ficava deslumbrado com a beleza dos lírios do campo. Jesus maravilhava-se com as aves do céu que encontram alimentos sem terem de semear, de ceifar ou de armazenar nos celeiros (Mt 6, 26ss). Reparava na beleza, no milagre do trigo que cresce de forma silenciosa e invisível, enquanto o agricultor dorme: “a terra produz por si, primeiro o caule, depois a espiga e finalmente o trigo perfeito na espiga” (Mt 4, 28) – assim acontece com os pais agradecidos a Deus pelo dom dos seus filhos.

À pergunta do doutor da lei “quem é o meu próximo?”, Jesus noutra ocasião apresenta um outro quadro, apresenta a parábola do samaritano: se todos julgavam que o próximo era o homem caído na estrada socorrido pelo samaritano, a história revela uma outra perspetiva: é o samaritano que se fez próximo do homem assaltado pelos ladrões.

Muitas das parábolas atrás referidas e muitas outras “contadas” por Jesus são carregadas de sentido para explicar a mudança do tempo de Israel em tempo de Reino de Deus, porque é a partir d’Ele que se constrói o Reino de Deus, o povo novo de salvação.

O Verbo eterno, que ganha forma humana no seio virginal de Maria, tornou-se para nós imagem verdadeira de Deus Pai. Desta forma, a Palavra de Deus assumia a nossa imagem, para que pela imagem de Cristo fôssemos capazes de compreender a Palavra de Deus.

 

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Contar histórias em Família

Contar histórias é importante. Estimula o sentido da partilha e da escuta, pois quem conta dá algo de si e quem escuta é enriquecido por essa partilha.

A tradição oral sempre teve uma importância fundamental em todas as culturas, pois durante séculos foi, e ainda é para muitos, a principal forma de divulgação da sua história, das suas estórias e das suas tradições. Nós cristãos, somos herdeiros de uma vasta tradição oral e escrita, que nos dá a conhecer a história da revelação de Deus. Por exemplo, nos Atos dos Apóstolos lemos que a evangelização consistia no relatar o acontecimento da morte e ressurreição de Cristo. Os santos apóstolos contavam a história da salvação tal como a testemunharam, tocando e convertendo aqueles que a ouviam. Devemos, por isso, preservá-la, e ser também nós contadores de histórias.

Uma história bem contada transporta-nos para um cenário e pode fazer-nos sonhar, tremer de medo, rir, chorar... E essas experiências marcam-nos. Recordemos, por exemplo as fábulas de Esopo ou as parábolas de Jesus: cada uma no seu estilo, são histórias que têm o mérito de nos fazer pensar e atualizar para a nossa vida aquela mensagem. Elas edificam-nos e ajudam-nos a aperfeiçoar-nos.

Hoje em dia parece-nos que se dedica pouco tempo a contar historias – não só às crianças, mas também entre os adultos. Sugerimos, por isso, que se aproveite o tempo de verão para retomar este hábito bom e belo, que a todos enriquece.

 

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A leitura e a escrita

“À primeira vista, a realidade é desanimadora: Portugal está na cauda da Europa em relação à leitura: (…) o número de pessoas que leu pelo menos um livro nos últimos doze meses mal ultrapassa os 40%, numa tabela em que se destacam os países do norte da Europa e que a Suécia lidera com mais de 80% de respostas positivas. Uma em cada três pessoas confessa nunca ter lido jornais (…)”.

In Revista do Montepio, Verão 2013

Estes números podem não corresponder perfeitamente à realidade, podem mesmo estar inflacionados, mas o facto é que se lê pouco e, quando se lê, muitas vezes os livros ou revistas escolhidos deixam muito a desejar. 

Podemos ver como a televisão e as suas séries e telenovelas ou talk-shows, os computadores e os jogos on-line, as redes sociais roubam tempo e espaço à leitura; podemos ver como a adolescência elege livros sobre vampiros e amores entre os mesmos e os humanos, comprando as publicações destas sagas sem sentido. Ou a compra obsessiva de muitas revistas que mais não fazem do que varrer a vida de cada um para a deixar exposta ao grande público, as mais das vezes dando relevo aos aspetos menos edificantes.

A literatura adequada será veiculada pela escola, dentro dos programas previstos para cada ano de escolaridade obrigatória. Mas é pouco! Cabe à família incentivar o gosto pela leitura, pelo livro e pelo manuseamento do mesmo. É importante reencontrar a magia de um livro por abrir, sentir o cheiro único de um livro antigo e passado de geração em geração.

Só lendo bons livros, obras escritas para cada faixa etária, as crianças e adolescentes podem fazer face a exames nacionais, onde o conhecimento da matéria é, muitas vezes, avaliado através da expressão escrita.

Por tudo isto, é imperativo que se volte ao bom livro, à leitura de tantos escritores de língua portuguesa que, com frases bem esgrimidas e estórias bem contadas nos fazem entrar em mundos mais ou menos fantasiosos, mas sempre mágicos.

É a leitura de dá a capacidade de escrita. Deixamos-vos com o exemplo de um trabalho de uma aluna de oitavo ano de uma escola da área de Lisboa. Do que ela tão bem nos diz, caberá a cada um tirar as suas conclusões.

 

“Para alguns, a expressão escrita é dispensável, mas para mim não.

Para mim, a minha caneta é como se fosse a minha boca e o papel são os ouvidos de um confidente com quem gosto de partilhar até as mais insignificantes palavras, ou então as ideias mais absurdas. A vantagem de lhe poder confiar os meus segredos mais obscuros é que ele não os revela a ninguém; tranca-os muito bem entre as suas linhas pautadas.

Através da escrita, posso ser quem quero; posso ter a quem desejo, criando personagens e histórias que ninguém poderá alterar.

Através da escrita, posso ter todos os meus sonhos realizados. A minha caneta dá-me esse poder.

Se a minha caneta disser que posso voar, assim será!

Se a minha caneta disser que sou feliz, assim será!

Se a minha caneta disser que viverei num mundo melhor, assim será!

Todas as mágoas que já tive, todas as lágrimas que já chorei, caem no papel em forma de palavras.

Todos os maus momentos vestidos de tristeza e de dor são despidos por uma borracha. E os momentos felizes, aqueles que para sempre ficarão guardados no meu coração, esses estão protegidos num abraço reconfortante, entre as linhas do meu caderno.

Confiável, protetora e boa ouvinte!

Afinal, a escrita é a minha melhor amiga.”

Jéssica Gomes

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