Missão |
Padre Rui Pedro
Um coração migrante
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O nosso convidado de hoje é o Pe. Rui Pedro que neste momento está no Luxemburgo, ao serviço da comunidade portuguesa aí presente. Missão, disponibilidade e entrega são palavras que marcam o percurso de vida deste sacerdote que procuramos conhecer melhor.

 

Migrações: uma realidade próxima

O Pe. Rui Pedro nasceu em Peniche no seio de uma família católica que desde cedo lhe transmitiu os valores do trabalho e da dedicação à Igreja: “sou filho de merceeiros: uma militante convicta da JOC, nascida em Pardelhas na Murtosa, e filho de um cristão, nascido na Bufarda, Atouguia da Baleia, que vive a sua fé na simplicidade do dia-a-dia, ambos pautando a sua vida pelo amor ao trabalho, à família e à Igreja”. Em 1976 recebeu o Sacramento do Crisma e esse foi um momento muito importante na sua caminhada vocacional. Decidiu procurar conhecer melhor a vontade de Deus para a sua vida e encontrou nos Missionários Scalabrinianos uma realidade que o seduzia pelo seu carisma ligado às migrações, realidade que conhecia bem pela sua própria experiência familiar e pelo convívio com o saudoso Monsenhor Manuel Bastos, que todos os anos visitava as comunidades emigrantes em Toronto, no Canadá.

 

Depois do 25 de Abril

Decidiu entrar para o Seminário após o 25 de abril, num momento muito conturbado da nossa história: “a Democracia e a Liberdade eram realidades a aprender e a celebrar, mesmo para a Igreja.” Durante dois anos, de 1978 a 1980 esteve no Seminário Patriarcal de Almada, embora como seminarista scalabriniano: “ao fim-de-semana dava catequese em bairros pobres, povoados de refugiados ultramarinos e visitava estaleiros com trolhas e pedreiros cabo-verdianos imigrados na região do Seixal”. Entre 1980 e 1981 viveu no Seminário de Amora, até terminar os estudos de Filosofia na Universidade Católica Portuguesa: “de passe social na algibeira, demorava duas horas e picos a chegar à Universidade: autocarro, barco cacilheiro, metro e a pé. Outras duas horas eram precisas para o regresso. Mas valeu a pena pelo contacto real com a vida das pessoas trabalhadoras. Fiquei um homem marcado pelo frenesim, audácia e vontade de viver dos habitantes da cosmopolita margem sul”. Terminados os estudos de Filosofia, partiu para Itália, para a cidade de Loreto. Viveu em Itália durante 7 anos, procurando assimilar na sua própria vida o carisma do Beato João Scalabrini (1836-1905), fundador dos Missionários Scalabrinianos.

 

Disponibilidade total para servir

No dia 26 de julho de 1987 foi ordenado em Peniche e logo de seguida acolheu a missão de partir para o nordeste de França (Diocese de Nancy-Toul), onde foi vigário paroquial de Haucourt-Saint Charles e capelão da comunidade portuguesa aí estabelecida. No entanto, esta missão foi interrompida em 1989, uma vez que o Pe. Rui teve que se apresentar na Academia Militar de Lisboa para o Curso de Capelães Militares. Acabou por ser selecionado para servir uma nova missão, desta vez como capelão durante dois anos na BA6 do Montijo e CT de Alcochete. Ainda hoje mantém o contacto com muitos camaradas dessa missão e recorda-nos com emoção o momento em que acolheu num Hércules C130 da Força Aérea Portuguesa o Papa João Paulo II na sua visita a Cabo Verde em Janeiro de 1990: “foi hóspede da minha paróquia aérea e esteve sob a minha jurisdição durante algumas horas. Tudo correu bem, saudou cada militar pessoalmente e deixou-nos o seu autógrafo e lembranças religiosas para os militares e suas famílias.”

Foram já muitas as tarefas que Pe. Rui Pedro acolheu no serviço ao Evangelho: em França, vigário paroquial e capelão de migrantes; em Portugal, animador vocacional, reitor de seminário, animador juvenil, diretor do Secretariado Diocesano das Migrações, diretor nacional da Obra Católica Portuguesa das Migrações, secretário da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana e consultor do Conselho para os Assuntos da Imigração (COCAI); em Itália, membro do Conselho Geral da Congregação (2007-2012), capelão da comunidade cabo-verdiana; em Cabo Verde, pároco da paróquia da Ilha do Sal; e, desde, 2013, no Luxemburgo, capelão dos migrantes lusófonos no sul da arquidiocese do Grão-Ducado, onde serve uma comunidade com mais de 110.000 portugueses.

 

Uma comunhão alargada

Nesta diversidade de lugares e pessoas, o Pe. Rui Pedro sintetiza desta forma aquilo que o move: “são muitos os lugares por onde passa o missionário. São os lugares habitados por onde passa, as línguas que estuda e consegue falar, as pessoas com quem se cruza pelo caminho, os amores intensos que deixa por amor do Evangelho e as situações injustas, miseráveis e violentas com as quais se confronta no seu trabalho de mediador de paz, espiritualidade, desenvolvimento, diálogo e dignidade. Sinto-me muito honrado por pertencer ao grupo dos missionários e missionárias - padres, religiosas e leigos - que germinaram no seio das comunidades paroquiais do Patriarcado de Lisboa. Sentimo-nos parte viva dessa Igreja diocesana que nos gerou na fé. Muito obrigado por não se esquecerem de nós nos vossos trabalhos sinodais a concluir em 2016. Rezem por nós!”.

texto por Emanuel Oliveira Soeiro, FEC – Fundação Fé e Cooperação
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