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Iraque: Cristãos em fuga perante avanço dos jihadistas
Dias do fim
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A conquista de Mossul pelos radicais islâmicos do ISIS está a revelar-se fatal para a comunidade cristã no Iraque. Com os guerreiros de negro a caminho da capital, Bagdade, os Cristãos vão fugindo de cidade em cidade, de aldeia em aldeia, sabendo que, provavelmente, nunca mais poderão voltar a casa.

 

O medo espreita nos olhos de todos. A cidade de Qaraqosh, a 30 quilómetros a sudoeste de Mossul, está cercada. As ruas estão vazias. Praticamente toda a gente fugiu quando os guerrilheiros islâmicos do ISIS exigiram que os soldados curdos que estavam na cidade se retirassem. Não o fizeram. Foi o começo do caos. Num par de horas, a cidade esvaziou-se. “Enfiámo-nos nos carros, fechámos a porta de casa à chave e arrancámos”. Quase todos contam a mesma história. No final de Junho, esta cidade, um reduto cristão no imenso Iraque, transformou-se num lugar vazio. Transformou-se numa cidade fantasma.

Todos, por ali, já sabiam o que ia acontecer. Em Qaraqosh não ia ser diferente de Mossul ou de Raqqa, conquistadas pelos jihadistas e palco de atrocidades várias, amplamente documentadas com fotos e vídeos na Internet. O medo era tanto que bastava que alguém gritasse que os jihadistas já estavam na cidade para que todos, instantaneamente, largassem o que estavam a fazer e fugissem.

Medo. É difícil traduzir o sentimento de aflição dos milhares de homens, mulheres e crianças que congestionaram estradas inteiras numa fuga apressada perante o avanço dos homens de negro. Quilómetros de carros em fila, parados no meio de nada. Uns atrás dos outros. Quase ninguém sem saber bem ao certo para onde iam.

Os Cristãos estão a ser escorraçados de todos os lugares. Foi assim na Síria, está a ser assim no Iraque.

 

Ruas vazias

Não há muitos lugares no Médio Oriente como Qaraqosh. Neste momento é uma cidade fantasma, mas foi, até há dias, o lar de 40 mil pessoas. Na sua maioria, cristãos. Era com orgulho que mostravam aos visitantes as suas doze igrejas. A história de Qaraqosh remonta ao Antigo Testamento. As ruas vazias são agora a melhor legenda para o clima de medo e de terror que está a destruir a comunidade cristã. De cidade em cidade, sempre de mãos vazias, os Cristãos estão em fuga no Iraque. Os que fugiram de Qaraqosh estão em Erbil, ou noutros pequenos povoados do vale do Nínive. Até voltarem a fugir de novo. Provavelmente já a pé, pois começa a faltar tudo em todo o lado: combustível, água potável, electricidade, comida, medicamentos. O futuro é cada vez mais um lugar improvável. As ruas vazias de Qaraqosh sobressaltam-se, por vezes, com a passagem de algum carro militar das forças curdas, ou pelo disparo de rajada de alguma espingarda automática.

 

Igrejas de portas abertas

Junto a algumas igrejas estão alguns homens, armados. Não são soldados, e isso percebe-se pela roupa civil que trazem vestida e pela forma pouco hábil como seguram as armas. São cristãos, decidiram ficar para defender a sua terra, as suas casas e, acima de tudo, as suas igrejas. Um deles é Salam. “Estamos do lado certo”, diz a uma equipa de televisão que se encontra na cidade a fazer reportagem. “Não temos medo das balas nem das bombas. Nós acreditamos muito fortemente que Jesus Cristo e a Virgem Maria estão connosco e nos vão proteger.”

Salam conhece bem o Arcebispo caldeu de Mossul, D. Shimon Nona. E sabe que ele, como praticamente toda a comunidade cristã da cidade, fugiu perante o avanço dos jihadistas. O arcebispo está agora refugiado em Tilkef, a poucos quilómetros de Mossul. Forçado a fugir, o prelado é, também ele, um refugiado entre refugiados. Para o Arcebispo, não há tempo a perder: é preciso ajudar todos os que ali vão parar, fugindo dos combates, sem saber o que fazer às suas vidas. As igrejas de Tilkef estão de portas abertas. “Recebemos todos, sejam cristãos ou muçulmanos. É isso que nos ensina a nossa fé. Ajudar a todos independentemente da sua religião. Deus ama-nos a todos.”

 

“A minha diocese já não existe”

No meio da azáfama em que se encontra, D. Shimon Nona mal tem tempo para reflectir sobre o terramoto que está a sacudir o Iraque por estes dias. Às vezes, quase sem querer, as suas palavras traduzem a enorme tragédia que se abateu sobre a comunidade cristã. “A minha diocese já não existe. O ISIS tirou-ma.” Sempre o medo. É difícil falar em números nestes dias de tempestade, mas sabe-se que a esmagadora maioria dos cristãos fugiu de Mossul. “Não sei se algum deles irá conseguir regressar alguma vez a casa”, confessa, resignado, D. Shimon. O Arcebispo lança-nos um veemente pedido de ajuda. Os Cristãos iraquianos precisam da nossa solidariedade. Eles estão em fuga por serem cristãos. Apenas por isso.

 

www.fundacao-ais.pt | Tel. 217 544 000


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A IGREJA DO IRAQUE PRECISA URGENTEMENTE DA NOSSA AJUDA!

A fuga apressada deixou estes milhares de refugiados no mais completo abandono. Em resposta ao apelo da Igreja local, a Fundação AIS disponibilizou de imediato uma primeira ajuda de emergência no valor de 100 mil euros.

Ligue agora para: 760 450 190 (0,60¤ + IVA)

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