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Albânia: exemplo de pacífica convivência entre religiões
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O Papa esteve na Albânia, destacando “a pacífica e frutuosa convivência entre pessoas e comunidades pertencentes a religiões diferentes”. Na semana em que foi publicada a Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e Refugiado, prosseguiu o diálogo entre a Santa Sé e os seguidores de monsenhor Lefèbvre e o Papa encontrou-se com novos bispos.

 

1. Na audiência-geral de quarta-feira, o Papa Francisco recordou a viagem apostólica à Albânia, realizada no passado Domingo, 21 de setembro. “Esta visita nasceu do desejo de viajar num país que, depois de ter estado longamente oprimido por um regime ateu e desumano, está a viver uma experiência de pacífica convivência entre as suas diferentes componentes religiosas. Por isso, no centro da Viagem esteve um encontro inter-religioso onde pude constatar, com viva satisfação, que a pacífica e frutuosa convivência entre pessoas e comunidades pertencentes a religiões diferentes é não só desejável, mas concretamente possível e praticável”.

O Papa lembrou ainda os testemunhos de martírio que conheceu na Albânia: “Graças à presença de alguns idosos, que viveram na sua carne as terríveis perseguições, ressoou a fé de tantos heroicos testemunhos do passado, os quais seguiram Cristo até às extremas consequências”. Nesta intervenção na Praça de São Pedro, Francisco referiu-se também ao encontro com os sacerdotes, pessoas consagradas, seminaristas e movimentos laicais como uma ocasião para fazer memória dos numerosos mártires da fé daquele país. O Papa Francisco terminou afirmando a mensagem de fé em Jesus Cristo que viu e testemunhou na Albânia: “Esta mensagem de esperança, fundada na fé em Cristo e sobre a memória do passado, confiei-a à inteira população albanesa que vi entusiasta e alegre nos lugares dos encontros e das celebrações, como também pelas estradas de Tirana. Encorajei todos a atingirem energias sempre novas do Senhor Ressuscitado, para poder ser fermento evangélico na sociedade e empenharem-se, como já acontece, em atividades caritativas e educativas.”

No final da audiência-geral, no dia 24 de setembro, o Papa lançou uma mensagem de conforto e proximidade para as vítimas do vírus ébola. “O meu pensamento vai agora para aqueles países que estão a sofrer com a epidemia de ébola. Estou próximo a tantas pessoas atingidas por esta terrível doença. Convido-vos a rezar por eles e por todos os que perderam tragicamente a vida. Desejo que não falte a necessária ajuda da Comunidade Internacional para aliviar os sofrimentos destes nossos irmãos e irmãs”.

 

2. Morriam fuzilados a gritar “Viva Cristo Rei” ou “Viva o Papa”. Milhares de cristãos foram cruelmente perseguidos, torturados e mortos por causa de Cristo. A feroz perseguição comunista não poupou o único cardeal da Igreja albanesa, condenado a 21 anos de trabalhos forçados por desobedecer ao regime e ouvir a rádio vaticana. Francisco foi a Tirana, dia 21 de setembro, exaltar a coragem e fidelidade destes cristãos e o Papa comoveu-se quando ouviu na Catedral os testemunhos de uma religiosa de 85 anos e de um sacerdote de 84, ambos sobreviventes daquelas perseguições.

Alerta do Papa também para as novas formas de ditadura do tempo presente que sufocam a caridade e geram conflitos e violência. Alertas úteis não apenas para o povo albanês mas para o mundo inteiro, onde em tantas regiões se alastra a intolerância e o extremismo por motivos religiosos. Também neste campo a Albânia, maioritariamente muçulmana – onde o respeito e convivência entre religiões é pacífica e construtiva - é exemplo para o mundo. País pequeno e pobre, que não integra a União Europeia, mas que – aos olhos do Papa Francisco (também ele não europeu), é portador de uma esperança e vitalidade que a Europa rica e poderosa já perdeu há muito.

 

3. O Papa pediu uma ação mais “incisiva e eficaz” da comunidade internacional na luta contra o tráfico de pessoas e a escravatura, com a criação de uma “rede universal de colaboração” em defesa da dignidade humana. “Assim será mais incisiva a luta contra o tráfico vergonhoso e criminal de seres humanos, contra a violação dos direitos fundamentais, contra todas as formas de violência, opressão e redução à escravidão”, escreve, na Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e Refugiado, que as comunidades católicas vão celebrar a 18 de janeiro de 2015.

O texto, divulgado esta terça-feira, dia 23, pela Santa Sé, tem como tema ‘Igreja sem fronteiras, mãe de todos’. “A Igreja sem fronteiras, mãe de todos, propaga no mundo a cultura do acolhimento e da solidariedade, segundo a qual ninguém deve ser considerado inútil, intruso ou descartável”, escreve Francisco.

 

4. Prossegue o diálogo entre a Santa Sé e os seguidores de monsenhor Lefèbvre, cuja excomunhão (desde 1988) tinha sido retirada pelo Papa Bento XVI em 2009, para permitir o diálogo com este grupo de tradicionalistas. Após alguns anos de impasse, por divergências doutrinais por parte dos Lefebvrianos, a vontade de diálogo prossegue agora no pontificado do Papa Francisco e no passado dia 23 foram retomados os contactos com a Congregação da Doutrina da Fé. Um comunicado da Santa Sé refere que o encontro – entre o Cardeal Müller, prefeito da Congregação da Doutrina da Fé e monsenhor Fellay, superior geral da Fraternidade São Pio X – decorreu no Vaticano, “em clima de cordialidade”. “Durante o encontro foram examinados alguns problemas de ordem doutrinal e canónica”, tendo ambas as partes decidido prosseguir gradualmente estes contactos, em tempo razoável, “para superar as dificuldades e alcançar a desejada plena reconciliação”.

 

5. O Papa recebeu, na Sala Clementina, cerca de 120 novos bispos, entre os quais D. José Traquina, novo Bispo Auxiliar de Lisboa, participantes no seminário promovido pela Congregação para a Evangelização dos Povos, que, em duas semanas, abordou vários temas, entre os quais as dimensões da vida e do ministério episcopal. Aos bispos recém-nomeados, o Papa desejou que este seminário de atualização possa ser frutuoso para cada um, tanto em nível espiritual quanto pastoral. Citando a sua Exortação Apostólica ‘Evangelii Gaudium’, Francisco afirmou que, nos nossos dias se percebe a urgente necessidade de uma conversão missionária, uma conversão que engloba todos os batizados e paróquias e, de modo particular, os pastores, chamados a vivê-la e a testemunhá-la, como guias das Igrejas particulares.

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