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Terra Santa: A vida na Paróquia da Sagrada Família
Rezar sem medo
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São uma minoria. Apenas 170, os católicos que vivem na Faixa de Gaza, na Terra Santa. O Padre Jorge Hernández conhece as suas histórias, os seus medos e aflições. Até meados de Agosto, viveram-se dias de aflição, com a guerra entre Israel e o Hamas. Durante esses dias, estes cristãos conviveram, uma vez mais, com o cheiro da pólvora, com medo da guerra. Agora querem reaprender a viver em paz.

 

Foram 52 dias de guerra. O conflito na Faixa de Gaza, que opôs palestinianos e israelitas, deixou um rasto de morte e destruição. Durante esses dias de tumulto, o Padre Jorge Hernández, do Instituto do Verbo Incarnado, ia frequentemente ao computador para ver se tinha recebido alguma mensagem. Durante esses dias de bombardeamentos, foram muitas as vezes que este missionário argentino sorriu ao perceber que Francisco lhe tinha escrito. Francisco, também ele argentino, nunca se esqueceu do seu compatriota e pedia ao Padre Jorge que lesse as suas mensagens a toda a comunidade. Foram momentos reconfortantes. Apesar das bombas, entre os 170 católicos corria sempre esse grito: O Papa Francisco voltou a escrever!

 

Não perder a alegria

No final de Agosto, já com um acordo de paz celebrado entre palestinianos e israelitas, com os canhões sossegados, o Santo Padre recebeu o Padre Jorge Hernández no Vaticano. “É muito significativo, uma graça e uma bênção, que ele dê tanta atenção às pessoas”, disse, então, o Padre Jorge, após o encontro com o Papa Francisco. Que lhe disse ele? “Deu-nos o conselho de não perder a alegria. Animou-nos a continuar a ser o ‘sal da terra’, buscando não esquecer a dimensão sobrenatural da presença dos Cristãos” na Terra Santa.

 

Enfrentar o frio do Inverno

São muito poucos os cristãos que vivem na Faixa de Gaza e são ainda menos os católicos. O Padre Jorge Hernández conhece as lágrimas deles todos, o desespero de quem perdeu tudo o que tinha, de quem vive numa terra sitiada, de quem desespera para sobreviver no dia-a-dia. “Há muito desconcerto em Gaza”, diz o Padre Jorge. “Os habitantes perderam tudo e muitos refugiaram-se em barracas. O maior medo é enfrentar agora o frio do Inverno. Existe gente que precisa de tudo porque teve que escapar, porque as suas casas foram bombardeadas.”

 

Aprender a sobreviver

Esta pequena comunidade cristã tem sobrevivido com a ajuda de algumas instituições ligadas à Igreja, como é o caso da Caritas e da Fundação AIS. Sem essa ajuda, a guerra teria sido ainda mais terrível. Sobreviver é uma palavra gasta entre os Cristãos na Faixa de Gaza. A trégua acordada em 26 de Agosto interrompeu os bombardeamentos, mas não pôs um ponto final no medo. “Na guerra somos todos iguais. Os mísseis não respeitam nem cor, nem religião, nem lugar, seja palestiniano ou israelita, cristão ou muçulmano. Numa guerra ninguém importa: as duas partes perdem, a seu modo, alguma coisa, e terão de prestar contas, com o passar do tempo, das consequências que os conflitos armados causam.”

 

Acreditar na paz

Uma das consequências é o medo. Mesmo durante os dias de guerra, mesmo durante os bombardeamentos, o Padre Jorge fazia questão de celebrar Missa todos os dias. Mas quase sempre a igreja permanecia praticamente vazia. “Mesmo ao domingo nunca havia mais de cinco pessoas. Só os mais corajosos vinham. Era demasiado perigoso.”
Durante a guerra, porque as pessoas tinham medo e não saíam de casa, este padre decidiu criar um serviço pastoral por telefone. Era assim que se mantinha o contacto com a comunidade e se ficava a saber quais as necessidades mais urgentes de cada família. Agora, sem o barulho das bombas, há outra ‘guerra’ a travar: a da reconstrução. Na Faixa de Gaza falta quase tudo, até roupa, alimentos, medicamentos. E falta acreditar que a paz é duradoura.


www.fundacao-ais.pt | Tel. 217 544 000

texto por Paulo Aido, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre
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