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Semana dos Seminários
Caminhos que começam na oração
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Como é o dia-a-dia de um jovem que se prepara para ser sacerdote? Quais os seus hábitos e rotinas? Na Semana dos Seminários, os seminaristas Marcos Martins e o Joaquim Loureiro abrem as portas do Seminário dos Olivais ao Jornal VOZ DA VERDADE.

 

São agora 7h15 da manhã. Na capela do Seminário de Cristo Rei dos Olivais, em Lisboa, os 48 seminaristas provenientes de nove dioceses iniciam a oração da manhã, as Laudes. É com este momento comunitário que, durante a semana, começa o dia no Seminário Maior da diocese. “Não há espaço para atrasos”, refere ao Jornal VOZ DA VERDADE o seminarista Joaquim Loureiro. “Depois das Laudes, segue-se o pequeno-almoço, que é tomado sempre a ‘correr’, porque até às 8h05 temos de entrar para as carrinhas que nos levam até à Universidade Católica, para as aulas que começam às 8h30”. Depois das aulas, no curso de Teologia, os seminaristas regressam ao seminário para o almoço, que começa a partir das 13h15. “A refeição dura até às 14h30 e depois seguem-se 30 minutos de convívio entre nós. Aproveitamos para conversar, beber café, entre outras coisas. A parte da tarde é, normalmente, dedicada ao estudo, à oração e a reuniões. Cada um organiza o seu tempo em função das obrigações que tem”, explica o seminarista Marcos Martins.

A logística necessária para uma casa com “tanta gente” obriga a uma organização cuidada. “Existem vários serviços no seminário e cada um assume a responsabilidade por um deles. Por exemplo, tudo o que diga respeito às carrinhas do seminário é da minha responsabilidade”, revela Joaquim. No refeitório existem alguns funcionários que colaboram, mas há também alguns seminaristas que, à noite, ajudam a lavar a loiça. “É também um momento de convívio”, afirma. Num seminário com cerca de meia centena de seminaristas, mais seis sacerdotes da equipa formadora, a lavagem da roupa exige igual cuidado para que nenhuma peça seja trocada. “Normalmente não há muitas trocas de roupa, o que é surpreendente numa casa com tantas pessoas! Mas, de vez em quando, mesmo com a roupa marcada com números ou iniciais do nome de cada um, existem umas calças que vão parar a outro lugar”, revela o seminarista Marcos, que também é responsável pela biblioteca.

 

Tempo para a comunidade

Por ocasião da Semana dos Seminário (9 a 16 de novembro), os dois seminaristas descrevem, ao Jornal VOZ DA VERDADE, alguns dos momentos de oração e de convívio comunitário que sustentam as suas caminhadas de formação. No final da tarde, a oração é às 18h30, na capela do Seminário dos Olivais. Nos meses de maio e outubro, este tempo de oração é preenchido pela recitação do Terço. “Pretende-se que seja um momento de preparação para a Missa que começa pelas 19h00, juntamente com a oração de Vésperas”, conta Marcos Martins.

Terminado o jantar, pelas 21h00, existe novamente um período de 30 minutos de convívio e, para alguns, seguem-se algumas reuniões ou tempo de estudo. “Como nos é pedido que nos levantemos cedo, também não podemos abusar na hora do recolher. Eu já deixei a prática de noitadas a estudar. Para mim, a noite é tempo de descanso ou para ler um livro”, frisa Joaquim.

Com periodicidade semanal, existem algumas atividades que preenchem o dia-a-dia dos alunos no Seminário dos Olivais. Às quartas-feiras, o chamado ‘dia da comunidade’, pelas 16h00 o tempo é dedicado ao futebol. Às segundas e terças, antes da Missa, existe a perscrutação da Palavra. “Preparamos as leituras do Domingo seguinte e deixamo-nos conduzir pela Palavra, que depois partilhamos”, revela. No dia dedicado à comunidade, existe também lugar para a formação coral e litúrgica. A noite é normalmente ocupada com uma conferência, onde “um convidado fala sobre um tema”.

Uma vez por mês existem as recoleções que costumam começar na sexta-feira, por volta das 17h30. Esse tempo, que é marcado pela “oração e pelo silêncio”, tem uma meditação, pregada por um padre, seguida de Missa e exposição do Santíssimo Sacramento. A recoleção prossegue no dia seguinte, sábado, com a oração das Laudes, uma conferência e a Eucaristia. “Estes são momentos em que se recarregam as energias, porque estamos em silêncio. É muito importante para nós, porque ‘paramos’ e estamos ‘desligados do mundo’, sem internet, sem telemóvel…”, aponta o seminarista Joaquim Loureiro.

 

Trabalho pastoral

O trabalho pastoral que é proposto aos seminaristas que frequentam o Seminário dos Olivais faz parte da formação e é um momento “enriquecedor” para a caminhada de cada um. Marcos Martins começou, este ano, o seu trabalho pastoral como animador no Pré-Seminário de Lisboa, em Penafirme. “É uma missão muito forte e complementar. O desafio é estar com os jovens do 7º ao 12º ano de escolaridade, questionando-os e levando-os à oração, de forma a aprofundarem a vocação. Perguntas como ‘O que é o chamamento de Deus?’, ‘O que Ele pretende de nós?’ e ‘Como é que respondemos a essas questões?’, são algumas das reflexões que procuramos fazer com os jovens pré-seminaristas. Trata-se de levar aos outros algumas das interrogações por que também nós já passámos”, aponta. “O Pré-Seminário tem também uma dimensão de missão porque vai às paróquias e levanta as mesmas questões. Nas últimas semanas já passámos em cinco paróquias, durante todo o fim-de-semana. Vamos aos grupos e temos dinâmicas, consoante as idades. Esta missão também me leva ao cuidado pelos jovens que me são entregues”, revela Marcos Martins.

A paróquia da Portela, bem perto do Seminário dos Olivais, e por isso “quase em casa”, é o lugar onde Joaquim Loureiro cumpre o seu trabalho pastoral, em particular durante o fim-de-semana. “Trata-se de aprender com as comunidades. Vemos como a comunidade funciona e perspetivamos a forma como iremos estar inseridos numa comunidade quando o Senhor nos chamar para sermos pastores. É muito importante acompanhar o sacerdote, ver o seu trabalho e depois inserimo-nos nos grupos que já existem”, refere este seminarista.

 

Uma proposta diferente

Joaquim Loureiro e Marcos Martins são dois seminaristas que estão no 5º ano do Seminário dos Olivais. Joaquim tem 29 anos, é natural de Almeida, Diocese da Guarda, e veio, muito cedo, estudar para Lisboa. “Com 10 anos, vim para Lisboa e fiquei por cá. Integrei a paróquia de São Bento de Massamá e entrei no seminário com 25 anos, já depois de tirar o curso de Contabilidade e Administração e de ter começado a trabalhar na banca”, conta o seminarista Joaquim Loureiro, lembrado da forma como começaram as primeiras inquietudes vocacionais. “Como o pároco de Massamá era amigo de infância dos meus pais, comecei a envolver-me mais nos grupos de jovens, na catequese e em tudo o que era a dinâmica da paróquia, mas só por volta dos 23 anos foi surgindo a questão da vocação. Procurei, então, o acompanhamento do padre Jorge Dias, atual pároco de Queluz, e a questão do seminário foi-se tornando cada vez mais presente porque fui vendo que Deus me ia pedindo cada vez mais e fui achando que aquilo que fazia era cada vez menos”, aponta. Aquando da visita do Papa Bento XVI a Portugal, em 2010, Joaquim Loureiro responde ao pedido de Deus. “Para poder acompanhar a vinda de Bento XVI, tirei a semana de férias porque já me encontrava a trabalhar. Depois do que vivi durante esses dias, e através da oração, acabei por entrar no seminário em setembro desse ano, já com 25 anos”, recorda, considerando-se, apesar de tudo, “uma vocação tardia”.

O facto de já ter “a vida feita” foi um obstáculo para o pai de Joaquim Loureiro aceitar a entrada do seu filho no seminário. Hoje, este seminarista revela que, também com o pai, “Nosso Senhor fez caminho”. “Hoje em dia, o meu pai vai à Missa todos os Domingos”, refere, satisfeito. Na instituição bancária onde trabalhava, no final de um dia, Joaquim pediu para falar com o seu diretor que, segundo conta, se sentiu “impotente” para apresentar uma contraproposta. “No princípio ele não me quis atender porque pensou que eu ia sair para outro banco. Quando cheguei ao seu gabinete tinha, em cima da mesa, um novo contrato, com outras condições, para continuar naquele trabalho, mas quando lhe disse que ia sair para entrar no seminário ele referiu que não conseguiria cobrir essa proposta! Fui muito bem acolhido pelo meu antigo chefe e ainda hoje tenho uma boa relação com ele”, conta Joaquim Loureiro.

O seminarista Marcos Martins destaca a importância da vivência paroquial no seu discernimento vocacional. “Entrei para o seminário, já aos 27 anos, depois de colaborar, como acólito, na paróquia de São Nicolau, na Baixa de Lisboa”. Este seminarista, que é natural da Estefânia, em Lisboa, viveu em Alfornelos, no concelho da Amadora. Agora, com 31 anos e a frequentar o Seminário Maior da diocese, lembra como apareceram as primeiras interrogações vocacionais, logo após ter terminado a licenciatura em Filosofia e ter iniciado o curso de Ciência Política. “Enquanto estudante da Universidade Católica conheci o capelão, o padre Hugo Santos, que me foi convidando para várias atividades. Fui então conhecendo mais sobre a Igreja e fui tendo uma prática cristã mais regular, até que comecei a ir à Missa todos os dias. No entanto, só aos 27 anos é que comecei a ponderar a entrada no seminário”, revela este seminarista, destacando a forma como a sua decisão foi aceite no seio familiar. “A minha família recebeu bem a notícia. Os meus pais, apesar de não serem cristãos praticantes a ‘100%’, sempre me ensinaram o amor a Jesus. A minha mãe ensinou-me a rezar, à noite, todos os dias”, revela.

 

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Proximidade dos seminários com as paróquias

O reitor do Seminário Maior de Cristo Rei dos Olivais, padre José Miguel Pereira, considera que a Semana dos Seminários, que termina este Domingo, 16 de novembro, recorda às comunidades “a necessidade de rezar, pedir e cuidar do surgimento de novas vocações sacerdotais para cuidar do povo de Deus”. “A vinda dos novos sacerdotes acontece através de mediações concretas. Nós somos mediações de Deus para chamar outros”, aponta este sacerdote, ao Jornal VOZ DA VERDADE.

A “proximidade dos seminários com as paróquias” é um dos pontos que sai favorecido com a Semana dos Seminários. “Esta semana é um momento para dar graças a Deus pelas vocações já existentes, e que passam por alguma dificuldade, e também para encorajar a partilha e cuidado pelos nossos seminários, criando condições para uma maior proximidade da comunidade e dos jovens às casas de formação sacerdotal. Isso faz-se, por exemplo, com visitas a paróquias ou paróquias que visitam os seminários”, revela o reitor do Seminário dos Olivais.

texto e fotos por Filipe Teixeira
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