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Cristianismo em risco no Médio Oriente?
“Façam alguma coisa”
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O Arcebispo libanês D. Issam John Darwish esteve em Portugal, a convite da Fundação AIS, e fez um dramático apelo à comunidade internacional: é preciso fazer alguma coisa pelos Cristãos do Médio Oriente antes que seja tarde de mais. E deixou uma pergunta incómoda: “Como foi possível os países ocidentais terem permitido isto?”


“Venho de uma região ferida”, disse D. Darwish, na passada semana, em Lisboa, durante a apresentação do Relatório da Liberdade Religiosa da Fundação AIS. A região ferida a que o Arcebispo se refere é o Médio Oriente e o país de que fala é o Líbano. Uma região onde “as pessoas são chacinadas diante dos media, onde as mulheres são violadas e vendidas, as igrejas e mesquitas destruídas”. Palavras fortes, pois já não é possível descrever o horror de outra forma.

O Líbano, apesar de tudo, é ainda um oásis no meio do caos e do horror que tomaram de assalto a região. Mas os cristãos libaneses temem, a cada dia que passa, que a violência ultrapasse definitivamente as frágeis fronteiras e a guerra lhes entre de novo pelas casas dentro.

 

“Como foi possível?”

Todos os dias, denuncia este prelado, são “testemunhados actos horríveis e, infelizmente, todos estes actos diabólicos são cometidos em nome de Deus e das religiões”.

D. Issam Darwish, que também deu uma conferência em Fátima, aponta o dedo aos jihadistas, em especial ao ISIS. “Os vários grupos islâmicos radicais, como o ISIS, proclamaram parte da Síria e do Iraque como um Estado Islâmico. Eles controlam vários poços de petróleo e estão bem consolidados no terreno”, explica, antes de perguntar: “Como foi possível os países ocidentais terem permitido isto? Como é que os países democráticos podem permitir que estes grupos radicais degolem pessoas inocentes diante dos media e violem as mulheres no Iraque e na Síria?”

 

Medo do futuro

Ninguém consegue prever o que vai acontecer à região. Todos os dias há notícias novas de localidades que caem nas mãos de grupos jihadistas que impõem de imediato a “sharia”, a lei islâmica, na sua forma mais radical, oprimindo as minorias, perseguindo os Cristãos, ocupando as suas casas, expulsando-os das suas terras, matando, violando, vendendo as mulheres em mercados de escravos. Ninguém sabe como vai ser o dia de amanhã. O Arcebispo do Líbano teme o futuro, pois sabe que esses grupos jihadistas estão às portas do país e continuam sedentos de sangue e de violência.

 

Dias de drama

O Líbano continua a ser um caso raro no Médio Oriente, pela coexistência entre as diversas religiões. Mas há o risco de tudo desmoronar de um momento para o outro. Neste momento, este pequeno país de apenas cerca de 4 milhões de habitantes acolhe mais de 1 milhão e meio de refugiados. O risco de colapso é enorme. Mas não é disso que D. Darwish nos veio falar. Ele trouxe-nos o relato vivo de quem testemunha todos os dias o drama dos refugiados, de quem chega ao Líbano aterrorizado pelos ataques e de mãos completamente vazias. “Eles estão muito traumatizados, deixaram tudo o que tinham e chegaram ao Líbano sem nada. Experimentaram o sofrimento, viram familiares serem assassinados. Foram forçados a fugir, às vezes de noite, a pé, com a roupa que traziam vestida.”“Façam alguma coisa”, diz o prelado nesta sua outra missão que é acordar a consciência da comunidade internacional.

 

Ajudar os Cristãos

“Os jihadistas querem expulsar os Cristãos dos países árabes”, diz, alertando que a “Europa e o mundo ocidental estão fechados sobre si mesmos.” Fechados e sem quererem ver o problema. “A maior parte dos que combatem na Síria e Iraque chegam da Europa. É preciso fazer alguma coisa.” O quê? “Deixar de enviar armas para as partes em conflito”, por exemplo. “Se os Cristãos do Médio Oriente deixarem a região, isso representará um grande perigo para todos”, alertou. Estes são tempos de violência como nunca se viu. Os Cristãos sofrem, são perseguidos, maltratados e precisam de ajuda. É preciso ajudar os refugiados que buscam ajuda no Líbano, na diocese de D. Darwish. “Façam alguma coisa”, pede-nos este arcebispo. Não podemos ficar indiferentes a esta tragédia.

texto por Paulo Aido, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre
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