Doutrina social |
Paz
O sonho que não pode morrer
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Pouco depois do encontro de 8 de Junho com o Papa Francisco, Mahmoud Abbas e Shimon Peres nos jardins do Vaticano para rezarem pela paz, foi violado o cessar-fogo entre Israel e a Palestina, provocando mortos e feridos numa tragédia que se tornou rotina banal, como o demonstra o atentado da passada terça-feira numa sinagoga de Jerusalém, com seis mortos e vários feridos. É a realidade insinuando que a paz não passa de uma quimera.

 

 

 

Felizes os pacificadores

No Sermão da Montanha, porém, Jesus chama bem-aventurados aos construtores da paz. Enquanto houver capacidade para sonhar ainda se pode acreditar no futuro. Assim foram os profetas. Ainda que remando contra a corrente, estavam convencidos de que um dia “as espadas serão transformadas em arados  e as lanças em foices”(Is 2,2). É o sonho dos que vêem a realidade com o olhar de Deus, no momento em que vivem. Recordo a frase de Martin Luther King na memorável marcha pelo emprego e pela liberdade em Agosto de 1963: “Eu tenho um sonho”. Movido por ele e despertando-o no coração da comunidade negra americana (e, por tabela, na comunidade branca) foi conseguindo derrotar o monstro do racismo e da segregação que tão duramente a oprimia.


 

Sabedoria e conhecimento

O nosso mundo, com recursos e possibilidades nunca imagináveis, avança numa desarmonia escandalosamente crescente. Bento XVI na Encíclica “Caridade na Verdade” escreve: “Cresce a riqueza mundial em termos absolutos, mas aumentam as desigualdades. Nos países ricos novas categorias sociais empobrecem e nascem novas pobrezas. Em áreas mais pobres alguns grupos gozam de uma espécie de superdesenvolvimento dissipador e consumista que contrasta, de modo inadmissível, com perduráveis situações de miséria desumanizadora”(CV 22 ). A mesma visão é denunciada pelo Papa Francisco especialmente na Encíclica “Alegria do Evangelho”. Ele realça não tanto a dimensão organizativa da Igreja, mas sim uma atitude do “sonho missionário” de chegar a todos (EG 31), aquele que lança as pessoas na descoberta de boas soluções para os possíveis processos de “desumanização”, nomeadamente no que se refere a “uma economia da exclusão e da desigualdade social”, a tal “economia que mata”( EG 53).

Nesse esfoço de discernimento em saber encontrar soluções volto a Luther King a refletir sobre a viagem que fizera à Índia, onde a via da resistência não violenta de Gandhi conseguiu “quebrar a espinha do Império Britânico”: “Diante dos problemas e dos caminhos para a solução a Índia parecia um país dividido: uns preconizavam que devia ocidentalizar-se o mais depressa possível; outros pensavam que a ocidentalização iria trazer consigo os males inerentes ao materialismo, à concorrência impiedosa e ao individualismo feroz…” E concluía sonhando: “Seria uma bênção para a democracia se uma das maiores nações do mundo… provasse que é possível proporcionar um bom nível de vida a toda a gente sem cair numa ditadura, seja ela de direita ou de esquerda” (Eu tenho um sonho, Bizâncio, pag.145).


 

Soluções novas para problema antigo

É preciso encontrar soluções para os grandes problemas buscando a sabedoria que equaciona o sentido das vida e não tanto na técnica como instrumento para o realizar. Concedendo a primazia à técnica, feita de conhecimentos, invertemos a ordem das coisas e criamos uma máquina que pode esmagar o seu construtor. Os sábios, como Luther King continuam a apontar caminhos. No dia 20 de Dezembro de 1956, após um ano de boicote aos autocarros em Montgomery, quando o Supremo Tribunal confirmou que as leis que impunham a segregação nos autocarros eram inconstitucionais, ele afirmou: “Vimos crucificar a verdade e enterrar a bondade, mas fomos em frente com a convicção de que a verdade espezinhada  haveria de se levantar do chão. Agora, pelos vistos, a nossa fé deu-nos razão”. A sabedoria nasce da confiança em Deus e na pessoa; a segurança nascida do poder não passa de um equívoco.  Já o Salmo 94 deixa uma interpelação oportuna, também para os nossos dias: “Refleti, ó gente imbecil ! E vós, insensatos, quando ganhareis juízo ?”

texto por Valentim Gonçalves, CJP-CIRP
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