Domingo |
À procura da Palavra
Ser mais de Jesus
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EPIFANIA DO SENHOR Ano B
"Abrindo os seus tesouros,
ofereceram-Lhe presentes.”
Mt 2, 11

 

Do episódio dos magos, que seguem uma estrela para ir ver Jesus, encanta-me especialmente o caminho. O caminho que os levou à “boca do lobo” (Herodes) acabando por receber aí o último sinal, e o caminho novo (não se torna tudo novo quando encontramos Jesus?) por onde regressaram às suas terras. Gostava mesmo de pôr as imagens deles a peregrinar pela igreja, avançando cada dia uns passos, mas temo que alguém lhes ache graça, e leve alguma para sua casa (o que não seria mau de todo se deixasse uma “selfie” para se identificar com a procura de Jesus que também vai fazendo!).     

Este ano imagino mais um mago (entre todos nós que, às vezes, já nos instalámos porque pensamos que já encontramos o “Jesus que nos basta”!) a dirigir-se ao presépio. Vem vestido de branco, com aquele jeito gingado de andar, um rosto familiar e luminoso e uns óculos para nos ver melhor. E traz nas mãos umas folhas de papel, umas palavras escritas no jorrar do coração, não para dar ao Menino, mas para ver se Ele lhe sorri, e lhe dá a assistência do Espírito Santo para as dizer aos seus irmãos da Igreja. Afinal foi Ele que disse a Pedro: “Confirma os teus irmãos na fé!” E quase pareço escutar: “Sim, Francisco, ajuda-os a serem mais de Mim e mais comigo!”   

É ousadia minha imaginar tal cena, nestes dias natalícios tão “arrumadinhos social e religiosamente”, com as habituais diatribes contra o consumismo (com os gastos a “desmascararem” a crise), e a falta de símbolos religiosos (dizem alguns que é fruto de maçons e incréus!). Mas é uma ousadia inferior às palavras que o Papa Francisco ofereceu aos cardeais (para chegarem a todos os cristãos) com os votos de boas festas natalícias. Enzo Biachi, prior da Comunidade de Bose, em Itália comenta: “Nos tempos recentes nenhum Papa falou como o Papa Francisco.” E se a “alegria” de uns foi ver a cara de espanto dos cardeais, e de outros rejubilaram pela exposição das fraquezas da Igreja, em mim houve um misto de dor e de alegria. Dor, por ver em mim várias daquelas doenças e hábitos, mas alegria porque quando se dá nome aos males é possível começar o tratamento e a cura. Foi o melhor presente deste Natal: e leio e releio aquele discurso como uma boa-nova luminosa, uma palavra de Jesus a convidar-me (e a convidar-nos, todos os seus amigos) a sermos mais d’Ele e com Ele. É sempre mais fácil pôr culpas nos outros (já Adão e Eva começaram por aí!), mas a vida é nova quando nos renovamos, quando renascemos. E não é esse o melhor presente de cada Natal?

O novo caminho dos magos liga-se a este “exame de consciência” que o Papa Francisco nos ofereceu. É um caminho diferente em que deixamos de nos julgar “imortais, imunes e insubstituíveis”, em que abandonamos a “excessiva operosidade”que faz esquecer “a melhor parte”, em que voltamos a ter “os sentimentos de Jesus”, em que abandonamos a “excessiva planificação e o funcionalismo”, em que voltamos a ser “membros de um corpo” e a dizer “preciso de ti”, em que lembramos sempre a “história pessoal com o Senhor” e vencemos o “alzheimer espiritual”. Ah, amigos, estes são só os primeiros 6 de uma lista de 15! Sintamo-los como um presente que nos propõe sermos mais de Jesus, mais cristãos, mais felizes e a irradiar mais felicidade. A felicidade que vence todos os inimigos, e espantosamente os fará amigos! Um bom ano com este maravilhoso presente!

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