Missão |
Rita Ramalho
Uma vida dedicada à missão
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Rita Isabel Braz Ramalho nasceu a 23 de novembro de 1981, em Lisboa. Vive na Amadora. É licenciada em Educação de Infância e a sua vida tem sido desde cedo um desafio de entregue à missão.

 

O desejo de partir foi nascendo no seu coração

A missão foi desde cedo uma realidade presente na sua vida. “Tornou-se uma prática, um modo de vida, dando os primeiros passos no grupo de jovens depois do Crisma. Na altura servindo a comunidade local, os sem-abrigo, os doentes... e assim fui tendo sede de mais. Por todos os bairros pobres da Amadora eu andei. Olhava os imigrantes com amor e pensava que um dia, iria saber de onde vinham... e porque sofriam tanto”, diz-nos. O desejo de partir ia crescendo no seu coração, mas “foi sendo adiado pelas obrigações da vida.” Foi fazendo caminho com os Missionários da Consolata e, apesar do seu grande desejo de partir após ouvir “tantos testemunhos inspiradores”, não o pôde fazer.

 

Imprevistos da vida: não desanimar e amar ainda mais a missão!

Em maio de 2003 lutou contra um cancro, na altura com 22 anos. Esse fator não a desanimou, pelo contrário, encorajou-a ainda mais e tornou-a “ainda mais convicta na missão de amar, o próximo mesmo ali na cama de um hospital. E se já o era, fiquei ainda mais sensível ao sofrimento alheio, que deixou de o ser por completo. Foi  um ano de internamentos, que deu para pensar muito. Pensar e decidir o que faria a seguir, tal como nos conta. Quando saiu do hospital, já curada, ia “decidida a mudar o mundo e a partir para onde fosse preciso.” Fez formação missionária, várias missões em território nacional e decidiu-se a partir. Mais uma vez, não o pôde fazer devido a um cancro que o seu pai enfrentou e, como nos diz, “mais uma vez Deus me mostra que o caminho d’Ele é o caminho d’Ele e o seu tempo só Ele conhece.” Sentiu que naquele momento o seu pai era a sua missão e entregou-se totalmente a ele, nunca deixando de abraçar outras missões, em especial na Casa de Saúde do Telhal. O seu pai partiu a 10 de fevereiro de 2010. Nessa altura “fui eu que disse, agora parto eu para o Mundo.”

 

Roménia e Turquia: entrega total e a descoberta de se dar ainda mais!

Partiu para a Roménia (Bucareste), sozinha, integrada num projeto do Serviço de Voluntariado Europeu, onde esteve de março a setembro de 2010. Foi trabalhar com crianças de rua. “Levava Deus dentro de mim. Um país ortodoxo de muitos contrastes. Muito que fazer e muito onde amar. Foi o meu luto, junto dos que nem sabem o que quer dizer mãe ou pai. Seis meses de entrega, profunda e cheia de novas cores, viagens, amizades de tantas nacionalidades.” Deixou a Roménia e foi até à Turquia, “cheia de coragem”, para a cidade de Ankara, “para trabalhar com a causa maior que defendo, o cancro. Crianças com Leucemia”. Esteve lá entre novembro de 2010 e abril de 2011. Considera que foi um enorme desafio, principalmente pelas memórias que lhe iam vindo à mente “os cheiros a quimioterapia”, como partilha connosco. Contornou tudo isso com muito amor e muita cor. “Ali era um palhaço que se mascarava para dar alegria aos que, como eu, estavam isolados do mundo! Uns venceram, outros não... mas aprendi a lidar com a dor da perda! Uma cultura muçulmana, onde aprendi que Deus habita em todos, mesmo aqueles que achamos serem o oposto de nós”, recorda com muita emoção.

 

África: o continente que lhe “arrebatou o coração”!

Da Turquia seguiu para África, “esse continente que me arrebatou o coração”, como nos conta. Chegou a Linchinga em junho de 2011 e esteve em Moçambique até novembro de 2012. “Foi em Moçambique que concretizei uma das missões mais belas da minha vida. Era a primeira vez que contactava com tanta pobreza, lixo, deserto... mas também, alegria, amor, verdade! Foi um choque mais que positivo na minha existência!”. A sua missão era a de dar aulas na escola primária, missão que realizou durante um ano e meio e que se tornou “a rotina mais bela que cumpri até hoje”, como o brilho dos seus olhos nos relatam. Viveu esta missão “sem stress, sem me cansar, sempre com o sorriso de quem sabe que está no sitio certo... a cumprir o deve cumprir.” Este ano e meio que viveu em Moçambique, serviu para amadurecer e para ter a confirmação da sua missão: “nasci para servir!”. “Foi  o expoente máximo da alegria, pura e genuína, das gentes de Moçambique a ecoar na minha alma até hoje. Foi refazer tudo o que julgava saber, mas que aprendi novamente. Foi o auge da minha missão sobre a terra”, conta-nos.

 

S. Tomé e Príncipe: sentir que nada há a temer!

Saiu de Moçambique e durante dois anos “muitas outras missões diárias, seja onde for, como for” passaram pelas suas mãos. Em agosto de 2014 parte de novo, desta vez para S. Tomé e Príncipe, onde esteve até fim de setembro, com o Movimento ao Serviço da Vida. Foram dois meses, nas férias de verão que, tal como nos diz, “me trouxe novamente o amor a África e a esse continente onde espero acabar os meus dias e dar o resto da minha vida!”. Trabalhou com a população que acabou por se tornar a sua família nos dois meses que esteve lá e que a fizeram sentir que nada havia a temer!

 

“Quando se escolhe amar e servir... então fazemos  o que queremos”

Neste momento está em Portugal, sempre servindo e amando, aproveitando cada oportunidade que tem para realizar pequenas missões em território nacional. No entanto, o seu sorriso e o brilho dos seus olhos, mostram-nos que num tempo não muito longínquo, com certeza voltará a entrar num avião e a rumar a mais missões, sejam elas onde for! Termina a nossa conversa, afirmando: “como dizia Santo Agostinho, quando se escolhe amar e servir... então fazemos  o que queremos.”

texto por Catarina António, FEC – Fundação Fé e Cooperação
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