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Isilda Pegado
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1. Na sala de tratamentos, a terapeuta Joana dizia: “Desde há uns anos que não sabia o que é ter férias em família com tempo para o meu marido. Os meus filhos, este ano, pediram para levar 2 amigos connosco. Habitualmente a Ana e o João corriam atrás de nós, agarravam-se às nossas pernas e não descolavam das nossas conversas. Todo o tempo era pouco para cada um deles…”. E prosseguia: “Este ano, os 4 miúdos faziam os programas deles e, à mesa, as conversas “eram como cerejas”… e, tive tempo e disponibilidade mental para estar com o meu marido. Percebi o bom que é ter uma “família numerosa…”.

2. Em 2014 nasceram mais 724 crianças que em 2013 (in jornal Expresso de 03/01/2015, pág. 1 e 18). Já se ouvem as teorias habituais da “crise e do desemprego” que melhoraram e por isso, nascem mais bebés. As causas da maior ou menor natalidade são variadas e complexas. Toda a Europa Ocidental se tem debatido com a crise da Natalidade e há décadas (desde os anos 80) que se tentam incentivos à Natalidade. Os quais têm sucessos relativamente fracos.

É verdade que as condições económicas e os apoios sociais têm peso na decisão da maternidade e paternidade. Mas, não são os casais abastados que têm mais filhos. E os países com mais capacidade para dar apoio económico/social à maternidade, continuam a ter fracas taxas de Natalidade.

As teses sobre esta matéria são muito diversificadas, e estamos cada vez mais convencidos que… “quem faz um filho, fá-lo por gosto…” como diz a cantiga. Isto é, a mentalidade é seguramente pedra angular desta decisão colectiva. A mentalidade colectiva, hoje, muda a velocidades inimagináveis. A “opinião” que se publica e publicita é sorvida pela Sociedade.

3. Ora, nos últimos 2 anos temos assistido a alguns fenómenos que nos parecem relevantes:

a) O Papa Francisco colocou o tema “Família” no centro da agenda mediática. Alguns, falam das matérias fracturantes. Mas outros, estamos certos, pensam e descobrem a Família com novos significados e apostas de vida.

b) O Governo Português lançou o tema da Natalidade como preocupação nacional, nomeou uma Comissão e foi elaborado um Relatório. Cujos resultados se hão-de ver dentro de alguns anos. Para já, falou-se de Família e da maternidade e paternidade.

c) Nos últimos meses algumas vozes da chamada esquerda têm manifestado fortes críticas à legislação do aborto, em especial no que tange com a sua prática.

d) Alguns publicitários já ousam representar as famílias com mais de dois filhos.

e) A “Família numerosa”, como conceito, entrou no léxico da Comunicação Social. A APFN (Associação P. das Famílias Numerosas) tornou-se um parceiro social presente nos debates da fiscalidade, políticas de Família, etc. (Parabéns à APFN!).

f) A Federação Portuguesa pela Vida, respondendo ao sentimento que por todo o País se vai formando de que o aborto e a destruição da maternidade estão a definhar o País, promoveu a Iniciativa Legislativa de Cidadãos – Lei de Apoio à Maternidade e Paternidade e ao Direito a Nascer, que propõe ao Parlamento um conjunto largo de medidas que apoiam a maternidade e paternidade responsáveis. Tal Iniciativa Legislativa, para grande espanto, até de quem a promove, tem tido uma adesão massiva. Não está em causa pensar na mulher/homem reprodutores. Ao invés, é a dignidade da Família, de cada homem e mulher na sua função mais nobre que aqui se defende. Em breve será levada ao Parlamento a I.L.C..

g) A crise, que tantas dificuldades tem trazido, seguramente pode mostrar o quão a Família pode e deve ser a âncora de cada homem e mulher. Por isso, a descoberta dos valores da tradição Portuguesa podem estar na mente dos jovens e generosos casais.

4. Todos estes factores podem ser muito subjectivos… o futuro dirá. A mentalidade do individualismo, do hedonismo e do deus-prazer também se instalou paulatinamente com critérios de grande subjectividade.

 Porém, o certo é que em 2014 nasceram mais 724 bebés do que em 2013. Isto é, em 2017 vão ter emprego mais 29 educadores de infância do que em 2016. Poderíamos continuar a discorrer matemática e economicamente no que representam mais 724 bebés… em 2014. Mas mais relevante é saber se estes 724 cidadãos correspondem a uma nova mentalidade, a uma nova aposta na Família, na maternidade e paternidade.

Estaremos a descobrir como é bom ter uma Família numerosa, como dizia a terapeuta Joana? 724 Esperanças?