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Filipinas: Centro Silsilah, um oásis de paz no meio da guerra
A aldeia do Padre Sebastião
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No sul das Filipinas, na Ilha de Mindanao, esmagadoramente muçulmana e que luta desde há décadas pela independência, um padre tem vindo a contrariar a violência e a desconfiança entre religiões. Hoje, a Aldeia da Harmonia é o sinal de que a paz é possível onde só há memória de guerra.

 

O Papa Francisco vai visitar as Filipinas a partir da próxima quinta-feira. Este é um dos países católicos mais vibrantes do mundo, mas, no sul, na ilha de Mindanao, onde a maioria da população é muçulmana, há um forte espírito independentista que tem gerado uma onda de violência sem fim e que custou já a vida a mais de 150 mil pessoas. Uma violência que nasceu no terreno fértil da pobreza e que cresceu na desconfiança entre religiões. Uma violência que, ainda hoje, está bem visível em muitos bairros da cidade de Zamboanga. Em Setembro de 2013, um violento ataque por parte de forças rebeldes independentistas, deixou um rasto de sangue e destruição e provocou a fuga a mais de 100 mil pessoas. Foram duas semanas de fortes combates com o exército filipino. Bairros inteiros foram destruídos. Muitas casas ficaram em ruínas. As populações fugiram apavoradas.

 

Casebre pomposo

Nesses dias de terror, o Padre Sebastião D’Ambra tentou acalmar as pessoas, ajudar os feridos. Nesses dias, parecia que tudo estava perdido. O Padre Sebastião nasceu em Itália e ingressou no Instituto Pontifício para as Missões Estrangeiras. Em 1977 os seus superiores enviaram-no para as Filipinas, precisamente para esse enclave muçulmano da ilha de Mindanao. Viviam-se, então, dias de chumbo, com o país a ser governado com mão de ferro pelo ditador Ferdinand Marcos.
Então, Sebastião D’Ambra depressa se apercebeu que havia muita coisa a fazer em Mindanao. A começar pelo combate à desconfiança entre religiões. O Padre Sebastião aventurou-se para o interior dos bairros de lata, onde a pobreza parecia imparável, e foi começando a tornar-se uma figura conhecida, amável. A ser visto sem desconfianças, apesar de ser padre entre muçulmanos. A sua casa, nesses primeiros anos nas Filipinas, era tão modesta como as dos outros. Era um casebre entre casebres. Deu-lhe um nome pomposo: “Irmandade Muçulmana-Cristã”. A casa valia quase nada, mas a intenção conferia-lhe um lugar imenso. É possível sempre semear-se a paz mesmo nos terrenos mais hostis.

 

História de guerras

Desde décadas que a região de Mindanao conhece a guerra, a violência dos tiros, os ataques bombistas dos que lutam pela independência do enclave muçulmano. Desde décadas que o Padre Sebastião se tornou praticamente também no único interlocutor entre radicais e o exército filipino. Houve momentos dolorosos. Ataques que visaram a própria comunidade religiosa. O Padre Sebastião chorou até a morte de um outro sacerdote, o Padre Carzedda, num atentado que, diria mais tarde com toda a convicção, ter sido contra ele. Escapou e não desistiu de lutar pelo sonho da paz. Criou, com o apoio da Fundação AIS, o Centro para o Diálogo Silsilah, que juntava líderes das várias comunidades, pessoas decididas a construírem um futuro sem guerra nem rancores. Alugaram um espaço na cidade de Zamboanga para que houvesse uma presença física forte entre a comunidade e criaram, num terreno com cerca de 5 hectares, um complexo a que chamaram a Aldeia da Harmonia.

 

Aldeia da Harmonia

Este é um espaço único. As suas portas estão sempre abertas a todos. Nesta aldeia procura-se que todos se olhem como vizinhos, como família, independentemente das suas convicções religiosas, das suas tradições. A terra é cultivada em favor de todos. É uma semente de paz num mundo em ebulição. Em Setembro de 2013, o ataque dos radicais islâmicos trouxe de novo o cheiro a pólvora até Mindanao, até à cidade de Zamboanga, até à Aldeia da Harmonia. Ainda hoje há vestígios desses dias de fogo. No ano passado, o Governo e um dos movimentos que lutam pela independência assinaram um acordo histórico que visa a criação de uma região autónoma na ilha de Mindanao.

O Padre Sebastião aplaudiu logo esta iniciativa, embora saiba que este acordo poderá não colocar um ponto final neste conflito de décadas pois não inclui todos os movimentos que lutam pela independência e alguns desses grupos são claramente terroristas e estão ligados já ao Estado Islâmico, que os está a financiar.

 

Monumento à paz

Independentemente do que vier a acontecer, a Aldeia da Harmonia e o Centro Silsilah, mesmo ainda com marcas da violência e destruição, continuam a ser um monumento ao esforço para a construção da paz e da harmonia entre religiões, e um exemplo extraordinário de como a ajuda dos benfeitores e amigos da Fundação AIS pode fazer milagres mesmo quando eles parecem improváveis de todo. Diz o Padre Sebastião: “Sinto-me em paz e feliz com esta experiência. Sei que é o Senhor que está a fazer tudo. Eu sou apenas um instrumento”.

texto por Paulo Aido, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre
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