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Papa convida sociedade a superar o “mar da indiferença”
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O Vaticano revelou a Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma, onde são propostas três reflexões. Na semana em que voltou a falar da paternidade, o Papa destacou o “exemplo luminoso de vida” da fundadora dos Focolares e apelou ao fim dos combates na Ucrânia. Foi também publicada a Mensagem do Papa para o Dia das Comunicações Sociais, este ano dedicada à família.

 

1. Preocupado com globalização da indiferença, o Papa Francisco propõe, na Mensagem para a Quaresma (ver pág.13 desta edição) um caminho de conversão, a partir da realidade da própria Igreja. “Quando estamos bem e comodamente instalados esquecemo-nos facilmente dos outros, não nos interessam os seus problemas, nem as tribulações e injustiças que sofrem. Assim, o nosso coração cai na indiferença”, alerta na sua Mensagem para a Quaresma 2015, divulgada esta terça-feira, dia 27, pelo Vaticano. Trata-se de uma “atitude egoísta de indiferença que atingiu uma dimensão mundial tal que podemos falar de uma globalização da indiferença”, um mal-estar que os cristãos têm obrigação de enfrentar, escreve.

O Papa propõe três reflexões. A primeira é partir da própria experiência. O cristão sabe que Deus não é indiferente nem abandona ninguém, por isso, a Igreja com base na sua experiência de bondade e misericórdia deve ajudar os outros. “Aquilo que cada um possui, não o reserva só para si, mas tudo é para todos”. A segunda reflexão apela às paróquias e comunidades para que a ajuda seja realista e não apenas teórica. O desejo do Papa é que ambas “se tornem ilhas de misericórdia no meio do mar da indiferença!”. Por fim, como indivíduos, temos a tentação da indiferença. Estamos saturados de notícias e imagens impressionantes que nos relatam o sofrimento humano e sentimo-nos incapazes de intervir. “Que fazer para não nos deixarmos absorver por esta espiral de terror e impotência? Em primeiro lugar, podemos rezar”, diz o Papa, e em segundo lugar, “podemos levar ajuda efetiva, tanto a quem vive próximo de nós como a quem está longe, graças aos inúmeros organismos caritativos da Igreja”. É que ser “misericordioso não significa ter um coração débil”, pelo contrário, é preciso “um coração forte, firme e aberto a Deus: um coração que conhece as suas limitações e se gasta pelo outro”.

Nesta mensagem o Papa refere-se ainda à iniciativa ‘24 horas para o Senhor’, esperando que se celebre em toda a Igreja – mesmo a nível diocesano – nos dias 13 e 14 de março. O objetivo é dar expressão a esta necessidade da oração.

 

2. O Papa alertou para as consequências de uma crise da paternidade nas famílias e na sociedade civil que leva a um “sentimento de orfandade”. “Os pais centraram-se de tal forma em si próprios e no seu trabalho, às vezes nas suas realizações individuais, que acabam por esquecer-se até da sua família e deixam sós as crianças e os jovens”, lamentou durante a audiência pública semanal no Vaticano, na quarta-feira. Segundo Francisco, depois de uma época de autoritarismo, a figura do pai foi “simbolicamente ausente, sumida, removida” da cultura ocidental, passando-se assim “de um extremo ao outro”. A ausência dos pais provoca “lacunas e feridas que podem ser muito graves”, por causa da “falta de exemplos e guias com autoridade” e da “ausência de amor”. “O sentimento de orfandade que muitos jovens vivem hoje é muito mais profundo do que pensamos”, sustentou, advertindo: “Se tu te comportas apenas como um companheiro, igual ao filho, isso não fará bem ao rapaz”.

O Papa assinalou ainda que esta crise da paternidade se estende à comunidade civil, que “descura ou exerce mal” a sua responsabilidade em relação aos jovens, que são assim “preenchidos por ídolos” como o dinheiro e as diversões.

 

3. No dia em que a Igreja iniciou oficialmente o processo de beatificação e canonização da fundadora do Movimento dos Focolares, o Papa sublinhou o “exemplo luminoso de vida” de Chiara Lubich, falecida em 2008. Numa mensagem lida pelo cardeal Tarcísio Bertone, antigo Secretário de Estado da Santa Sé, Francisco fez votos de que a “herança espiritual” de Chiara “suscite em todos os que a acompanharam uma atitude renovada de fidelidade a Cristo e de serviço generoso em prol da unidade da Igreja”.

O Papa exorta ainda os responsáveis pelo processo que “deem a conhecer ao Povo de Deus a vida e obra de quem, acolhendo o convite de Deus, acendeu uma luz nova pela Igreja”.

 

4. O Papa lançou um novo apelo ao fim do conflito na Ucrânia. Preocupado com os ataques, que continuam a fazer vítimas civis, Francisco pediu diálogo e o fim das hostilidades. “Sigo com viva preocupação o recomeço dos confrontos na Ucrânia oriental, que continuam a provocar inúmeras vítimas entre a população civil. Ao assegurar a minha oração por todos os que sofrem, renovo um premente apelo para que se retomem as tentativas de diálogo e se ponha fim a toda a hostilidade”, pediu este Domingo, dia 25, depois da oração do Angelus, na Praça de São Pedro, perante 50 mil pessoas. Este apelo do Papa surge após a morte de mais de 30 pessoas num bombardeamento em Mariupol, atribuído aos rebeldes.

 

5. A “família é o primeiro lugar onde se aprende a comunicar”. É o que sublinha a Mensagem do Papa para o próximo Dia das Comunicações Sociais, que este ano se assinala a 17 de maio e que foi publicada a 23 de janeiro, véspera do dia litúrgico de São Francisco de Sales (24 de janeiro), padroeiro dos jornalistas. A mensagem lembra que a educação para o pluralismo começa precisamente em casa, entre pais e filhos. “A própria família não é um objeto acerca do qual se comunicam opiniões, nem um terreno onde se combatem batalhas ideológicas, mas um ambiente onde se aprende a comunicar“, lê-se no texto.

Com o título ‘Comunicar a Família: ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor’, Francisco afirma também que a família não deve lutar "para defender o passado”, mas trabalhar “com paciência e confiança, em todos os ambientes onde se encontra para construir o futuro". “Uma criança que aprende, em família, a ouvir os outros, a falar de modo respeitoso, expressando o seu ponto de vista sem negar o dos outros, será um construtor de diálogo e reconciliação na sociedade”, escreve Francisco, naquele que é a sua segunda mensagem para este dia.

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