Domingo |
À procura da Palavra
Os nossos desertos
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DOMINGO I DA QUARESMA Ano B
Vivia com os animais selvagens
e os Anjos serviam-n’O.”
Mc 1, 13


O relato das tentações de Jesus que S. Marcos nos oferece é muito simples: Jesus é conduzido ao deserto onde é tentado, e aí esteve quarenta dias entre feras e anjos. E em poucas palavras diz-nos muito. O deserto, a que Israel estava habituado, aponta para uma missão difícil, com provas, tentações e inseguranças. Jesus é “expulso” do lugar de graça em que estava (o Baptismo no Jordão), como Adão e Eva do paraíso, e Israel do Egipto. As tentações de Satanás (que apenas será referido por Marcos naqueles que querem desviar Jesus da sua missão, inclusivé Pedro) parecem relacionar-se com o modo que Jesus vai escolher de ser filho e realizar a vontade do Pai. Recusando o poder e a ostentação que subjugam os homens aos deuses, Jesus escolhe a participação nos sofrimentos humanos e a vida divina oferecida por amor.

Há uma harmonia frágil nestes dias de deserto. A convivência com os animais selvagens, mais do que acentuar a privação ou os perigos, parece significar a harmonia com uma criação reconciliada, na qual até os próprios anjos participam. Jesus é o novo Adão, o homem novo, que neste momento de crise, de ruptura com os modelos triunfalistas de Messias, une a natureza e o espírito. Ele oferece à condição humana, ferida por tantas divisões, fruto do egoísmo e do orgulho, um horizonte de comunhão, uma esperança que não nega as dificuldades mas as supera. Como se nos mostrasse a fonte escondida que cada deserto tem, e nos oferecesse, pela fidelidade a uma missão de serviço e confiança em Deus, o mapa para atravessar os desertos das nossas vidas.

Sim, cada um de nós tem os seus desertos. Nem sempre entrámos neles para a experiência feliz de um retiro ou para renovar as nossas forças. Desertos que todas as perdas produzem, que todos os abandonos geram, e onde os lutos podem sufocar-nos ou renovar-nos. Quem não conhece o deserto de uma doença, de uma morte de alguém querido, de ficar desempregado, de dívidas acumuladas, de um passado que poucos esquecem e perdoam, de um vício difícil de vencer? E os desertos de falta de amor, de nenhuns amigos, de pouca esperança, de pouca confiança ou auto-estima? Todos os desertos são para atravessar, ou para encontrar neles o jardim em que se pode viver. É a harmonia frágil que Jesus nos convida também a encontrar nos nossos desertos. Uma harmonia que não está isenta de tentações que nos perturbam, nem de perigos que nos atemorizam, mas onde a nossa liberdade vai fazer escolhas, e aprender a escolher melhor.  

Não sejamos deserto para ninguém, e nem julguemos que ele é o fim do mundo. Tem mais de princípio do que parece. Para isso é preciso estar atento. Como Jesus que não se isola da história dos homens, mas quando sabe da prisão de João Baptista, começa a anunciar o Evangelho. A Boa Nova que faz reverdescer os deserto interiores, e leva vida onde ela faltava. É preciso sair dos nossos desertos por causa da vida!

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