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Encontros e desencontros da Humanidade
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Quando parece que a Humanidade está à beira de um ataque de nervos e a nossa atenção se vai fixando nos acontecimentos mais mediáticos, importa parar e pensar com alguma serenidade para saber onde estamos e o que temos de fazer.

 

Muitas fogueiras

São muitos os focos de tensão no mundo. Uns já fizeram história, outros são a base da confusão que nos enerva, alguns porventura mais graves e abomináveis permanecem na sombra e só episodicamente são lembrados por algum bandeirante a remar contra a corrente. Mais uma vez concluímos que esses envolvem pessoas que pouco contam na opinião generalizada dos mortais. As últimas semanas foram tristemente ricas em acontecimentos que adensam as dúvidas e incertezas quanto ao futuro. Decorreu um mês desde os atentados de Paris, atribuídos ao radicalismo e ao fundamentalismo religioso; por casualidade ou intencionalmente cometeu-se a 14 de Fevereiro outro atentado na capital dinamarquesa. Ao mesmo tempo agravou-se a situação na Ucrânia com os separatistas e suas ligações à Rússia; aí a música de fundo já não é o tal fundamentalismo, mas razões de outra ordem. A cacofonia dos desentendimentos políticos vem do fundo da pessoa.

 

Dar o centro à pessoa

Diante deste panorama, as tomadas de posição do Papa Francisco apontam-nos a direção para realizar o “reino de Deus”: um mundo em que a pessoa esteja no centro, sem predominância dos poderes de uma economia que mata, de uma política que tiraniza, de uma cultura que exclui, de uma religião que não liberta porque não “religa” a pessoa ao sentido mais profundo de si mesma. Traz a pessoa – e muito especialmente a mais frágil – para o centro do debate. Ele mesmo confessou aos jornalistas que levou a sério a recomendação do cardeal Cláudio Hummes no momento da sua eleição: “Não te esqueças dos pobres”. Nas palavras dirigidas neste domingo, dia 15, aos novos cardeais pede contacto direto e criativo com quem sofre, criticando quem se «escandaliza» por causa deste gesto.

Por isso o vemos a escolher a ilha de Lampedusa como destino da primeira visita fora do Vaticano. Aí criticou a “globalização da indiferença”. Nestes dias, a 11 de Fevereiro, perante mais um “acidente” envolvendo mais de 200 mortos segundo o ACNUR e muitos desaparecidos no “cemitério” em que se vem convertendo o Mediterrâneo, ele quis “assegurar a oração pelas vítimas e encorajar novamente à solidariedade”.

 

Dar atenção ao que pouco se vê

No dia seguinte o jornal Publico em editorial chamava a atenção de que “É imperativo que a barbárie no Sudão não seja esquecida. E se ouça o grito das suas vítimas”. Fazia eco do relatório da Human Rights Watch sobre o Sudão e mais especificamente sobre o Darfur do Norte, onde grassa uma “barbárie que mata e fere há muitos anos e para a qual o mundo não arranjou ainda qualquer solução”. Referia-se a mais de duas centenas de mulheres (muitas delas jovens ou crianças) que foram violadas ao longo de 36 horas pelas forças armadas sudanesas a pretexto de uma retaliação pela morte de soldados governamentais. O Sudão continua a ser uma chaga aberta no continente africano. O petróleo e as conveniências políticas arrastam a vergonha para debaixo do tapete. E o que dizer das monstruosidades cometidas pelo Boko Haran na Nigéria ? O mundo desenvolvido parece que só se lembra de África quando há riquezas a explorar ou quando as suas doenças, como o ébola, ameaçam o seu bem-estar. É, no entanto, nesse mundo desenvolvido que se cozinha o caldo que alimenta a praga que o aflige. Provocando o empobrecimento vai levando as pessoas a perderem tudo até ficarem disponíveis para a política da terra queimada. Não passa de hipocrisia ouvir os poderosos falando de liberdade e democracia, mas continuando a promover, a título de exemplo, a desregulação do comércio mundial, dando prioridade aos interesses das sociedades transnacionais e dificultando ainda mais o já frágil desenvolvimento dos pobres, como no caso das negociações sobre TTIP (parceria transatlântica de comércio e de investimento). Estamos longe da cooperação no desenvolvimento que “não deve limitar-se apenas à dimensão económica, mas há-de tornar-se uma grande ocasião de encontro cultural e humano”, como diz a Encíclica Caridade na Verdade (59).

texto por P. Valentim Gonçalves, CJP-CIRP
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