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3ª Catequese Quaresmal
“A doce e reconfortante alegria de evangelizar” (EG 9 a 13)
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1. “O bem tende a comunicar-se”

O Papa Francisco recorda-nos no número 9 da Exortação Apostólica “A Alegria do Evangelho” que o “bem tende a comunicar-se” e, quando se comunica, é fonte de alegria, porque o bem gera o bem, estimula ao bem.

Diz o Papa: “Toda a experiência autêntica de verdade e de beleza procura, por si mesma, a sua expansão; e qualquer pessoa que viva uma libertação profunda adquire maior sensibilidade face às necessidades dos outros. E, uma vez comunicado, o bem radica-se e desenvolve-se. Por isso, quem deseja viver em plenitude, não tem outro caminho senão reconhecer o outro e buscar o seu bem” (EG 9).

Conhecer Jesus é o maior dom que podemos receber e dá-lo a conhecer aos outros é o maior bem que lhes podemos fazer, o melhor presente que lhes podemos dar.

Este bem, que é o conhecimento de Cristo, que recebemos de graça, deve ser dado gratuitamente, como nos manda Jesus: “Recebeste de graça, dai de graça” (Mt 10,8) e com aquela alegria própria de quem foi alcançado por Cristo e transformado pelo seu amor.

A “doce e reconfortante alegria de evangelizar” não é senão a alegria de receber e comunicar o Evangelho. A palavra “alegria” aparece 59 nesta Exortação. É para esta alegria que o Papa nos convoca e desafia: A alegria de evangelizar! Experimentar a alegria de viver com Cristo e de a comunicar, contagiando os outros com ela, suscitando no coração dos outros o desejo de também eles puderam participar desta alegria.

A alegria evangélica e evangelizadora é fruto do amor e da ternura de Deus que em Jesus nos amou e nos deu o seu Espírito de amor.

Não podemos deixar de comunicar este bem, não podemos deixar de comunicar a experiência de verdade e de beleza que brota do nosso encontro com Jesus, da experiência do seu amor que cura e liberta, da sua misericórdia que nos recria e salva.

Não podemos deixar de comunicar o bem que recebemos de Deus, a liberdade que Ele nos concedeu com o dom da filiação divina no Batismo. O apóstolo São Paulo recorda-nos que “foi para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1): para reconhecermos a nossa própria dignidade e a dignidade dos outros; para vivermos na liberdade dos filhos de Deus: liberdade de poder escolher e fazer o bem, de amar, de servir, de buscar o bem pessoal e o bem dos outros.

Não podemos renunciar à missão de evangelizar, antes de mais, com a comunicação aos outros e a todos da nossa experiência cristã, de discípulos de Jesus e membros da sua Igreja.

O Papa diz-nos que “se uma pessoa experimentou verdadeiramente o amor de Deus que o salva, não precisa de muito tempo de preparação para sair a anunciá-lo, não pode esperar que lhe deem muitas lições ou longas instruções. Cada cristão é missionário na medida em que se encontrou com o amor de Deus em Jesus Cristo” (EG 120).

“Todos somos chamados a dar aos outros o testemunho explícito do amor salvífico do Senhor, que sem olhar às nossas imperfeições, nos oferece a Sua proximidade, a Sua Palavra, a Sua força, e dá sentido à nossa vida” (EG 120).

Todo aquele que foi tocado pelo amor de Deus é impelido a evangelizar, a comunicar este grande bem, o bem por excelência, e experimentar “a doce e reconfortante alegria de evangelizar”, de anunciar Cristo, dá-lo a conhecer, testemunhar o seu amor, compartilhá-lo, dá-lo em escuta, acolhimento, atenção, solicitude, serviço, doação.

 

2. Recuperar o fervor de espírito

O Papa pede-nos que sejamos evangelizadores cuja vida irradie fervor, alegria e esperança e que “conservemos a suave e reconfortante alegria de evangelizar, mesmo quando for preciso semear com lágrimas” (EG 10).

Não nos envergonharmos do Evangelho, propor a verdade evangélica e a salvação em Jesus Cristo, com absoluta clareza e com todo o respeito pelas opções que cada um fará.

Propor sem medo, porque o anúncio do Evangelho não constitui um atentado contra a liberdade.

O Papa Paulo VI, na Exortação Apostólica “Evangelli Nuntiandi” pergunta: “Será um crime contra a liberdade de outrem o proclamar com alegria uma Boa Nova que se recebeu primeiro, pela misericórdia do Senhor? Ou porque, então, só a mentira e o erro, a degradação e a pornografia teriam direito de serem propostos com insistência, infelizmente, pela propaganda destrutiva dos mass media, pela tolerância das legislações e pelo acanhamento dos bons e pelo atrevimento dos maus?” (n.80).

“Propor Cristo e o Seu Reino, mais que um direito é um dever do evangelizador”, é um dever da Igreja que somos, é um dever de cada um de nós!

E é também um direito de todos receber o anúncio da Boa Nova da salvação. “A Boa Nova do Reino que vem e que já começou é para todos os homens de todos os tempos. Aqueles que a receberam, aqueles que ela congrega na comunidade da salvação, podem e devem comunicá-la e difundi-la ulteriormente” (EN 13).

O Evangelho que recebemos, que chegou até nós, que transformou a nossa vida, não é para guardar, mas para viver, testemunhar, anunciar, propor, comunicar a todos, como “uma eterna novidade”.

Não podemos renunciar à missão que o Senhor nos confiou de anunciar o Evangelho a “todos os povos” (cf. Mt 28,19), sem nos envergonharmos, nem nos deixarmos intimidar.

Diante das limitações, coações, imposições e, porventura, ameaças que nos possam fazer a nossa resposta será a do apóstolo São Pedro ao Sinédrio, que perante a proibição formal de ele e os restantes Apóstolos falarem ou ensinarem em nome de Jesus, respondeu com serenidade, determinação e grande firmeza: “Não podemos deixar de afirmar o que vimos e ouvimos” (Cf. At 4,15-20).

Também nós hoje, com a mesma firmeza e determinação dos Apóstolos, porque também nós recebemos o mesmo Espírito que eles receberam, devemos responder a quem nos quer impor de silenciarmos Cristo, o Evangelho, a Cruz e o direito à vida em Cristo: “Não podemos deixar de afirmar o que vimos e ouvimos”.

Sejamos evangelizadores com a fortaleza dos Apóstolos, “evangelizadores com espírito”: “Evangelizadores que se abrem sem medo à ação do Espírito Santo”, que “infunde a força para anunciar a novidade do Evangelho com ousadia, em voz alta e em todo o tempo e lugar, mesmo contracorrente” (EG 259).

Sejamos “evangelizadores que anunciam a Boa-Nova, não só com as palavras, mas sobretudo com uma vida transfigurada pela graça de Deus” (ib.)

Uma evangelização com espírito é muito diferente de executar um conjunto de tarefas como uma obrigação. A evangelização com espírito é “ardorosa, alegre, generosa, ousada, cheia de amor até ao fim e feita de vida contagiante”, que atrai para Cristo e conduz ao encontro com Ele, recorda-nos o Papa.

“A evangelização com espírito é uma evangelização com o Espírito Santo”, que é a alma da Igreja evangelizadora e “evangelizadores com espírito quer dizer evangelizadores que rezam e trabalham”.

Diz a Papa que “do ponto de vista da evangelização, não servem as propostas místicas desprovidas de um vigoroso compromisso social e missionário, nem os discursos e ações sociais e pastorais sem uma espiritualidade que transforme o coração”; nem tão pouco uma “espiritualidade intimista e individualista, que dificilmente se coaduna com as exigências da caridade, com a lógica da encarnação” (EG 262).

A evangelização com espírito comporta a doação, perder a vida por Cristo e pelo Evangelho (cf. Mc 8,35), para a saborear em plenitude.

 

3. A doação é a marca da identidade do cristão

Diz o Papa Francisco que “quando a Igreja faz apelo ao compromisso evangelizador, não faz mais do que indicar aos cristãos o verdadeiro dinamismo da realização pessoal” (EG 10), que se encontra na «doação».

A doação é a marca do cristão e fonte de caridade pastoral, de identificação com Jesus, de fortalecimento da vida cristã: «Na doação, a vida fortalece-se; e enfraquece-se no comodismo e no isolamento. De facto, os que mais desfrutam da vida são os que deixam a segurança da margem e se apaixonam por comunicar a vida aos demais» (…) A vida alcança-se e amadurece, à medida que é entregue para dar a vida aos outros”. «Isto é, definitivamente, a missão» (EG 10).

Doação na alegria de quem encontrou Cristo e se sente impelido pelo seu amor a servir, a ser samaritano daquela parte da humanidade ferida e abandonada, que está aí à nossa porta, ao nosso lado, e que como cristãos não podemos ignorar, fazendo de conta, contribuindo para “a globalização da indiferença”, de que nos fala o Papa Francisco na sua mensagem para a Quaresma.

Quem foi alcançado por Jesus Cristo, como o apóstolo São Paulo e tantos evangelizadores no decurso da história da Igreja não pode deixar de O anunciar e nada nem ninguém o poderá impedir: nem a tribulação, nem a angústia, nem a perseguição, nem a fome nem a nudez, nem o perigo, nem a espada (cf. Rm 8,35).

Anunciar Cristo é o maior dom que podemos fazer e o que mais valioso podemos dar ao nosso mundo: Dar Jesus Cristo que com as palavras e as obras nos mostrou que “Deus é amor”.

Em Jesus Cristo, Deus mostrou-nos o seu rosto, fez-se ver. Se O acolhemos em nosso coração, podemos abrir-nos aos outros dando-lhes o mesmo que recebemos de Deus.

O Papa convoca-nos para um compromisso decidido para um testemunho forte e interpelante de Jesus Cristo, um testemunho de amor cristão a todos, a começar por aqueles que estão ao nosso lado, em ocultarmos a nossa identidade cristã, num clima de respeitosa convivência com outras opções, porém pedindo o mesmo respeito pelas nossas.

Deixemos que Jesus Cristo ilumine a nossa vida desde dentro, abramos o coração à sua Palavra, ao seu perdão, à sua graça, à sua verdade, ao seu amor!

O nosso tempo necessita de homens novos, que se deixem construir por Deus e que manifestem com a sua vida que são imagens de Deus, discípulos de Jesus Cristo e que se esforcem por mostrar o positivo de tantas realidades pessoais e sociais que existem, por causa de Cristo e do Evangelho.

Não sejamos homens e mulheres de obscuridade, pessimistas, que se fixam no negativo, mas de claridade e de esperança, da luz e da fé que veem de Jesus Cristo vivo e ressuscitado, que nos dá o seu Espírito e caminha connosco.

Não estamos sós, entregues a nós mesmos, não caminhamos por nosso própria conta. Estamos e caminhamos com Cristo que prometeu que estaria connosco até ao fim dos tempos (cf. Mt 28,20) e nos mandou anunciá-lo a todos os povos da terra, ensinando-os a cumprir tudo aquilo que Ele nos mandou. Fazemo-lo em seu nome, com a sua autoridade e com o seu poder, que Ele transmitiu à sua Igreja, de quem somos membros.

Evangelizar não é um ato individual ou isolado, mas profundamente eclesial, mesmo quando o fazemos individualmente, fazemo-lo em união com a missão da Igreja, e em nome da Igreja.

 

4. Cristo é «Boa-Nova de valor eterno»

Não nos anunciamos a nós mesmos, mas anunciamos Cristo, que é a «Boa-Nova de valor eterno», que não passa, é de ontem, de hoje e de sempre (cf. Ap 22,13).

O anúncio de Cristo não é uma coisa do passado, mas do presente.

Cristo é a «Boa-Nova de valor eterno», que é necessário anunciar com renovado fervor e alegria. A “sua riqueza e a sua beleza são inesgotáveis. Ele é sempre jovem, e fonte de constante novidade” (EG 11), diz o Papa Francisco.

Cristo ressuscitado é a eterna novidade de Deus, que nos renova, nos fortalece, nos rejuvenesce. Com a sua novidade, Ele pode sempre renovar a nossa vida e a vida das nossas comunidades e renovar a proposta cristã, tornando-a viva, atraente, dando-lhe frescor e proporcionando uma “nova alegria na fé e uma fecundidade evangelizadora” em todos, crentes e não crentes.

Voltar a Cristo, voltar ao Evangelho, porque “sempre que procuramos voltar à fonte e recuperar o frescor original do Evangelho, despontam novas estradas, métodos criativos, outras formas de expressão, sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado para o mundo atual. Na realidade, toda a ação evangelizadora autêntica é sempre nova” (EG 11).

 

5. Anunciar Cristo com generosidade e alegria

A missão evangelizadora exige de nós uma entrega alegre e generosa, mas o Papa recorda-nos que “seria um erro considerá-la como uma heroica tarefa pessoal, dado que ela é, primariamente e acima de tudo o que possamos sondar e compreender, obra de Deus (…) Em qualquer forma de evangelização, o primado é sempre de Deus, que nos quis chamar a cooperar com Ele e impelir-nos com a força do seu Espírito” (EG 12).

“A verdadeira novidade” que chegou até nós e que devemos levar aos outros “é aquela que o próprio Deus misteriosamente quer produzir, aquela que Ele inspira, aquela que Ele provoca, aquela que Ele orienta e acompanha de mil maneiras. Em toda a vida da Igreja, deve sempre manifestar-se que a iniciativa pertence a Deus, «porque Ele nos amou primeiro» (1Jo 4,19) e é só Ele que faz crescer”.

Como São Paulo devemos considerar-nos cooperadores de Deus (1Cor 3,9), simples colaboradores, não donos ou protagonistas da missão. Jesus advertiu os apóstolos para esta tentação, dizendo-lhes: ”Quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei «Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer» (Lc 17,10).

Ser “servo” é o título honorífico atribuído a todos aqueles que Deus chama a colaborar com Ele na realização do seu plano de salvação. É o nosso título!

Na Igreja todos servos com Cristo Servo do Pai e dos homens.

Ser “servo” significa depender de outro, significa depender Deus, de Cristo, do Espírito Santo. Cristo foi “o primeiro e o maior evangelizador” em plena sintonia com o Pai e com o Espírito Santo que desceu sobre Ele, estava nele e com Ele e o acompanhou na sua missão messiânica.

A eficácia da missão evangelizadora não depende de nós, em primeiro lugar, não depende somente da nossa generosidade e do nosso esforço, mas de Deus, da docilidade ao Espírito Santo.

Depende da nossa relação com Cristo e através de Cristo com Deus, no Espírito Santo.

 

6. O primado da graça

Ser “servo” é reconhecer o primado do amor de Deus, que nos amou antes de nós o amarmos, é ter a consciência de que tudo recebemos de Deus e que, por muito que façamos, é Ele quem o faz primeiro; é o primado da graça, da misericórdia, que somos convidados a reconhecer, em sintonia com as palavras de Jesus: “Quando tiverdes feito tudo, o que vos foi ordenado, dizei: somos servos inúteis, fizemos o que deveríamos fazer” (Lc 10,17).

É Cristo que salva! A nós toca-nos realizar, com amor, o que nos é mandado, deixando ao Senhor os resultados. O Reino de Deus é dom, é graça.

A capacidade de fazer o bem é dom recebido. “Somos servos inúteis”, mas alegres e felizes, convertendo-nos sempre mais em servidores pacientes e humildes, na vida quotidiana, sem nos deixarmos vangloriar ou atribuir a nós próprios os sucessos e os resultados.

Como Paulo também devemos repetir uns aos outros: “nós não somos senão vossos servos, por amor de Jesus” (2 Cor 4,5), assumindo os sentimentos de Jesus “que não veio para ser servido mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” (Mc 10,45) e que prestes a consumar a vida como dom na Cruz, disse de si mesmo: “Eu estou no meio de vós, como aquele que serve” (Lc 22,27).

 

7. “A alegria evangelizadora refulge sempre sobre a memória agradecida”

A memória de Jesus servo do Pai e dos homens que o Espírito atualiza em nós e na Igreja continuamente acompanha-nos na missão evangelizadora, como Jesus prometera: “O Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, esse é que vos ensinará tudo, e há de recordar-vos tudo o que vos disse” (Jo 14,25).

O Espírito Santo é a memória permanente de Jesus e fonte de alegria, daquela alegria que é “participação espiritual da alegria insondável, conjuntamente humana e divina que está no coração de Cristo glorificado”. É a alegria permanente do amor de Deus, do Reino de Deus.

O Espírito Santo, no Batismo, insere-nos no dinamismo da história da salvação que é uma história de amor. Somos membros de um povo, com “uma história viva que nos acolhe e impele para diante” (EG 13).

Somos continuadores de uma missão que vem de longe, de um diálogo contínuo de amor entre Deus e os homens que O reconhecem como Senhor, O escutam e O seguem.

Uma história com avanços e recuos, fidelidades e infidelidades, alicerçada na fidelidade de Deus, que permanece eternamente fiel, não retirando um milímetro do amor que nos tem, nem o desejo de nos salvar, de nos comunicar a Sua vida e de nos chamar à comunhão com Ele no tempo para lá do tempo, na eternidade, oferecendo-nos continuamente o dom da plenitude do amor.

“A memória é uma dimensão da nossa fé (…) Jesus deixou-nos a Eucaristia como memória quotidiana da Igreja, que nos introduz cada vez mais na sua Páscoa” (EG 13).

Na Eucaristia fazemos memória da entrega de Jesus ao Pai, por nós e para nossa salvação. Nela, Jesus comunica-nos a sua vida, unimo-nos a Ele e por Ele ao Pai, para fazermos memória da sua Páscoa, da sua doação e da sua entrega.

Fazermos memória, para nos tornarmos memória viva do seu amor, do seu ser, do seu fazer: “como Eu fiz, também vós o deveis fazer” ; memória da sua entrega, do amor “até ao fim” (cf. Jo 13,1), sendo para os outros e para o mundo “pão repartido”, “sangue derramado”, vidas entregues, gastas para que os outros tenham vida e vida abundante.

Na doação, na entrega como Jesus e com Jesus tornamo-nos mediadores de vida, testemunhas, sinais, portadores do amor de Jesus recebido e doado gratuitamente.

A nossa história, a história da grande família de Jesus em que entramos pelo Batismo está repleta de testemunhas de fé, de uma fé provada pelo “martírio branco” da entrega quotidiana até ao fim, e do “martírio vermelho”, de sangue, por causa de serem de Cristo, pertencerem a Cristo, serem seus discípulos, testemunhas do seu amor, da sua Ressurreição.

O Papa diz que “é salutar recordarmo-nos dos primeiros cristãos e de tantos irmãos ao longo da história que se mantiveram transbordantes de alegria, cheios de coragem, incansáveis no anúncio e capazes de grande resistência ativa” e aprender com eles.

“Há quem se console, dizendo que hoje é mais difícil; temos porém, de reconhecer que o Império Romano não era favorável ao Evangelho, nem à luta pela justiça, nem à defesa da dignidade humana (…) Não digamos que hoje é mais difícil; é diferente. Em vez disso, aprendamos com os Santos que nos precederam e enfrentaram as dificuldades próprias do seu tempo” (EG 263), diz o Papa.

“A memória faz-nos presente, juntamente com Jesus, uma «verdadeira nuvem de testemunhas» (Hb 12,1). Dentre elas, distinguem-se algumas que incidiram de maneira especial para fazer germinar a nossa alegria crente” (EG 13).

Todos nós temos grata memória daqueles que nos transmitiram a fé, nos conduziram ao encontro de Jesus, nos introduziram e guiaram no Seu caminho, nos contagiaram com a fé, com o Evangelho vivido e testemunhado numa dedicação sem limites e que foram para nós sinais e testemunhas vivas do amor de Deus.

Estamos-lhes gratos, guardamos a memória do seu testemunho, que nos sustenta e estimula.

 

8. “O crente é, fundamentalmente, «uma pessoa que faz memória» (EG 13).

A memória cristã orienta a nossa vida, o nosso presente e o nosso futuro.

Faz-nos bem fazer memória, para avivar o nosso fervor de discípulos missionários, para transmitirmos o que recebemos, para experimentarmos a “doce e reconfortante alegria de evangelizar”.

A evangelização é a proclamação do amor de Deus para connosco, em Jesus Cristo, é a proclamação do amor fraterno, da doação, do perdão, da misericórdia manifestada de “geração em geração”, como proclamou Maria Santíssima no Magnificat.

Fazer memória é “receber e transmitir” a vida recebida de Cristo que se perpetua na Eucaristia. “Aquele que foi evangelizado, por sua vez evangeliza. Está nisso o teste da verdade e a pedra de toque da evangelização: não se pode conceber uma pessoa que tenha acolhido a Palavra e se tenha entregado ao Reino sem se tornar alguém que testemunha e, por seu turno, anuncia essa Palavra” (EN 24).

Evangelizamos com aquilo que somos, dizemos e fazemos. A nossa credibilidade está aqui, na nossa identidade.

A evangelização não é uma cruzada, nem marketing, nem proselitismo. Brota do encontro com Cristo, que nos impele a sair de nós mesmos e a partilhar com os outros o dom recebido.

Respondamos à vocação recebida de discípulos missionários, comuniquemos a todos com gratidão e alegria o dom do encontro com Cristo.

Experimentemos a “doce e reconfortante alegria de evangelizar”, de atrair para Cristo, empenhemo-nos no “sonho missionário de chegar a todos”, de levar a todos a Luz de Cristo e a alegria do Evangelho.

Atraímos para Cristo quando vivemos em comunhão e somos reconhecidos como discípulos de Jesus por vivermos e testemunharmos esta comunhão num amor que tem a marca de Cristo, brota dele, foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo.

Ousemos experimentar a “doce e reconfortante alegria de evangelizar”: anunciemos e testemunhemos “o amor pessoal de Deus que se fez homem, entregou-se a si mesmo por nós e, vivo, oferece a sua salvação e a sua amizade” (EG 128).

 

† Joaquim Mendes

Bispo Auxiliar de Lisboa

Sé Patriarcal, 8 de março de 2015

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