Missão |
Andreia Alves
“Somos o resultado das missões que nos vão sendo confiadas!”
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Andreia Alves nasceu a 6 de Dezembro de 1987 em Lisboa. É licenciada em Estudos africanos e mestre em Desenvolvimento e Cooperação Internacional. A escolha da sua área de formação não foi fácil mas sempre teve em mente o que a movia “pessoas e o interesse em conhecer outras culturas”.

 

Uma alegria profunda resultante da entrega

Em 2008 fez o programa Erasmus no Brasil e enquanto se decidia quanto à área a seguir para o mestrado, fez voluntariado na Grécia em 2009 numa associação juvenil e numa creche. “Foi um tempo muito rico na entrega ao outro. Também aí se tornou mais claro que o mundo não era preto/branco, não era certo/errado: que o que vemos, vivemos, deve ser interpretado em função de todo um quadro cultural que, até então, era desconhecido para mim”, partilha. Ao contrário daqueles jovens que sabem logo qual a sua missão em termos profissionais, não sabia a sua e dá graças a Deus por isso por isso leva-a constantemente “a refletir para perceber por onde passa, de facto, o meu caminho. O meu caminho, cada missão que abraço, passa por onde me encontro em paz, onde encontro liberdade interior. E neste processo, cada descoberta desencadeia uma alegria profunda resultante da entrega”, como partilha.

 

Dois anos de missão e um coração arrebatado pelos países onde esteve

Nos últimos dois anos esteve em missão com a ONGD Leigos para o Desenvolvimento (LD). Considera que a “a formação que temos pré-partida é vivida de um modo muito intenso, com compromisso e é, de facto, transformadora”. Em 2012/2013 partiu para Angola (Benguela) e trabalhou em dois projetos: um projeto de coesão social e dinamização comunitária com líderes do bairro (onde se promoveu a partilha e o trabalho em rede entre entidades para um bem comum, numa sociedade “que está naturalmente sensibilizada para cooperar, para partilhar e reunir esforços” e um projeto de empowerment das mulheres (onde se procurou conjuntamente alternativas em pequenos negócios locais para que funcionasse como complemento económico de apoio à estrutura familiar). Em 2013/2014 continuou a sua missão com os LD em S. Tomé e Príncipe (Porto Alegre) em projetos de formação profissional e empreendedorismo. Viveu estes dois anos intensamente e partilha que a vida comunitária a fez crescer bastante, pois pôde “aprender a lidar melhor comigo mesma e com as dificuldades. A comunidade com quem vivi tanto numa quanto noutra missões foram os principais pilares do meu crescimento, apoio e partilha.” Partilha com emoção que as comunidades locais nestas realidades acolhem os missionários sempre bem, fazendo-os sentir em casa. “Este sentimento que nos é proporcionado logo no início do período de adaptação é desarmante! Pessoas que não nos conhecem abrem a porta das suas casas, dos seus corações! Confiam-nos os seus filhos, vão oferecer-nos algo que o seu lote de terreno já começou a dar...e aí começamos nós a entrar numa lógica em que a atitude se centra no outro, no bem-estar do outro. No fundo, centra-se fundamentalmente no outro: em ouvi-lo, dedicar-lhe tempo, fazer caminho juntos!” Abre-nos o coração quando recorda a missão e diz-nos que parte do seu coração ficou por lá, nas terras pelas quais se apaixonou: “Ficou lá não por estar despedaçado, mas porque se tornou maior, mais elástico, mais tolerante e multicultural, porque também lá fiz caminho de entrega ao outro, porque agora também sinto que aquelas são as minhas realidades, as minhas gentes, parte da minha cultura. Ingénua, eu, achava que ia escaqueirar o meu coração, ajudar através dos projetos que me eram confiados e, na verdade, fui aprender a exercitar o coração, a confiá-lo verdadeiramente aos outros, sem reticências. E comigo trouxe o que lá tanto me enche o coração: um sentido de gratidão diário nunca antes experimentado, uma noção e valorização de tempo, um tempo partilhado e, por isso, precioso, enriquecedor. Naquele continente encontra-se o essencial num estado mais puro. As mulheres, destemidas, incansáveis, resilientes são mulheres de fé, são o pilar da família!”

 

Deixar um pouco de nós a cada passo do caminho

O regresso não foi fácil e precisou do seu tempo para se voltar a adaptar à realidade onde está novamente, “é preciso reajustar, e este reajuste não é automático… leva tempo e também ele pressupõe observar, refletir, e perceber qual é o caminho”, como nos diz. Tem vivido este tempo com paz interior e com gratidão por tudo o que recebeu e por tudo o que partilhou. Respondeu sim ao desafio de trabalhar junto dos jovens, trabalho esse que faz no momento através de uma Associação Juvenil. Como mensagem diz-nos que “somos o resultado das missões que nos vão sendo confiadas! Deixamos um pouco de nós por cada passo desse caminho, mas trazemos também a nossa bagagem tão mais rica. Estou muito grata por este caminho, pelas aprendizagens, pela confirmação a cada passo da missão que me vai sendo confiada”.

texto por Catarina António, FEC – Fundação Fé e Cooperação
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